Os preços do petróleo subiam quase 7% nesta sexta-feira, 13, negociados próximos das máximas em meses, após Israel lançar ataques contra o Irã, provocando retaliações e elevando os temores de interrupção no fornecimento global.
Por volta das 11h, o barril tipo Brent (referência global) subia 6,59%, um acréscimo de cerca de US$ 4,57, e era negociado a US$ 73,93. Mais cedo, chegou a US$ 78,50, o maior valor desde 27 de janeiro.
Já o petróleo WTI (referência nos EUA) subia 6,66% no mesmo horário, alta de US$ 4,53, e era negociado a US$ 72,57. Ele também atingiu uma máxima de US$ 77,62, o maior preço desde 21 de janeiro.
Os ganhos desta sexta-feira representam os maiores movimentos intradiários para ambos os contratos desde 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou uma disparada nos preços da energia.
Em outros mercados, as ações despencaram e houve uma corrida para ativos considerados seguros, como o ouro, o dólar e o franco suíço.
Israel afirmou ter atacado instalações nucleares, fábricas de mísseis balísticos e comandantes militares iranianos, no início de uma operação que, segundo o governo, será prolongada para impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear. O Irã prometeu uma resposta severa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que o Irã aceite um acordo sobre seu programa nuclear, a fim de evitar “os próximos ataques já planejados”.
A Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo informou que suas instalações de refino e armazenamento não foram danificadas e seguem operando normalmente.
Mas a principal preocupação é se os recentes acontecimentos afetarão o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo.
Essa importante hidrovia já vinha sendo considerada vulnerável devido à crescente instabilidade regional, mas até o momento não foi afetada. O fluxo de petróleo na região também segue inalterado.
No pior cenário, analistas do JPMorgan afirmaram na quinta-feira que o fechamento do estreito ou uma retaliação por parte dos principais produtores de petróleo da região poderia elevar os preços para a faixa de US$ 120 a US$ 130 por barril, quase o dobro da previsão atual.
“Se não houver esse fechamento, porém, a tendência dos preços do petróleo continua moderada, já que o temor de uma desaceleração econômica (com consequente menor demanda) vem ditando o tom nesse mercado", pontua a estrategista-chefe da plataforma de investimentos Nomad, Paula Zogbi.
Para o economista chefe da Argus, David Fyfe, um bloqueio por parte do Irã seria “a última cartada” de um regime sob ameaça existencial.
“Não acreditamos que Teerã já esteja nesse estágio, embora uma ameaça remota de bloqueio seja suficiente para elevar os preços de energia, uma vez que aproximadamente um quinto da demanda global de petróleo é suprida por fluxos de petróleo bruto e produtos que transitam pelo Estreito de Ormuz”, justifica.
Ainda de acordo com ele, 2,5 milhões de barris diários de petróleo bruto, condensado e produtos refinados exportados pelo próprio Irã são enviados para a Ásia, principalmente via Estreito de Ormuz. “Por que Teerã colocaria em risco sua principal fonte de receita? Em situações anteriores de tensão e conflito regional, ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz foram feitas, mas, até o momento, não foram concretizadas”, observa.
Nesta sexta, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, publicou no X que está “monitorando ativamente o impacto dos confrontos entre Israel e o Irã nos mercados de petróleo” e destacou que “o sistema de segurança petrolífera da AIE tem mais de 1,2 bilhão de barris de estoques de emergência”.
No entanto, o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) criticou a declaração, dizendo que ela “dispara alarmes falsos e projeta uma sensação de medo no mercado, ao repetir a necessidade desnecessária de potencialmente usar estoques de emergência de petróleo”.
“Avaliações semelhantes feitas em casos anteriores, mais recentemente em 2022, contribuíram para uma maior volatilidade do mercado e levaram a liberações prematuras de estoques que, em última análise, se mostraram desnecessárias”, afirmou Haitham Al Ghais.
O aumento de US$ 10 por barril nos últimos três dias ainda não reflete qualquer queda na produção de petróleo iraniana, tampouco uma escalada que envolva interrupções no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, afirmou o analista do Barclays, Amarpreet Singh, em nota.
“A questão principal agora é se essa alta do petróleo durará mais do que o fim de semana ou uma semana. Nosso sinal é que há uma probabilidade menor de uma guerra total, e a alta do preço do petróleo provavelmente encontrará resistência”, disse o analista Janiv Shah, da Rystad.
Para David Fyfe, da Argus, os preços podem permanecer elevados – entre US$ 75 e US$ 85 por barril do tipo Brent – enquanto persistir a incerteza acerca da resposta militar do Irã e de qualquer retaliação subsequente por parte de Israel ou dos EUA.
“Na ausência de um bloqueio total do Estreito de Ormuz, outros produtores da Opep+ podem ser incentivados a aumentar a oferta para conter a tendência ascendente dos preços do petróleo”, afirma e segue: “Assim, é possível que os preços se mantenham elevados por apenas algumas semanas ou meses, no máximo”.
Nesse caso, de acordo com ele, a Argus provavelmente retomaria a projeção anterior, de US$ 65 a US$ 70, para a cotação do barril do tipo Brent em 2025 e 2026.
“Ataques contundentes à infraestrutura petrolífera regional ou um bloqueio total do Estreito de Ormuz poderiam levar o preço do petróleo para três dígitos (US$ 150 ou mais), mas esse quadro não é considerado altamente provável”, conclui.
Com informações adicionais e edição NovaCana