Os preços do petróleo fecharam com alta de quase 5% nesta quarta-feira, 8, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou novos ataques contra o Irã, gerando preocupações de que a retomada das hostilidades no Oriente Médio pudesse interromper a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz.
Os futuros do Brent subiram US$ 3,86, ou 5,2%, fechando a US$ 78,02 o barril, o maior valor desde 19 de junho. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$ 3,08, ou 4,4%, para US$ 73,52 o barril, o maior valor desde 22 de junho.
Trump afirmou que um acordo provisório assinado no mês passado para pôr fim à guerra com o Irã estava “encerrado” e que os Estados Unidos provavelmente lançariam novos ataques na noite desta quarta-feira, após os ataques iranianos a bases americanas no Golfo Pérsico e a petroleiros no Estreito de Ormuz.
Mais tarde, Trump descartou o reinício de uma guerra em grande escala com o Irã, fazendo com que os índices de referência do petróleo recuassem em relação aos ganhos máximos da sessão, que chegaram a quase 9%.
Ainda assim, o recente recrudescimento das tensões provavelmente impôs um limite ao número de embarcações dispostas a passar pelo Estreito de Ormuz, afirmaram analistas da RBC Capital Markets em uma nota.
Um quinto do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, após os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra Teerã.
Desde então, o Irã mantém um controle rígido sobre a circulação de navios por essa movimentada via navegável, forçando outros produtores de petróleo do Oriente Médio a cortar milhões de barris da produção devido à incapacidade de exportar no mesmo ritmo de antes.
“Fundamentalmente, os eventos dos últimos dias enfraquecem significativamente qualquer confiança de que a atual trégua de 60 dias ainda possa evoluir para um acordo de paz permanente”, disse o chefe de análise geopolítica da consultoria Rystad Energy, Jorge Leon.
Shariq Khan e Scott DiSavino
Com reportagem de Anushree Mukherjee, Yuka Obayashi, Jeslyn Lerh, Seher Dareen e Florence Tan