NovaCana
Publicidade

Petróleo fecha em queda de mais de 3% com otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

Brent para novembro, fechou em queda de 3,4%, a US$ 100,34 o barril, e o WTI para mesmo mês recuou 3,86%, a US$ 92,37 o barril, na Nymex

Reuters 4 min de leitura

O preço do petróleo fechou em queda nesta segunda-feira, 21, em meio ao otimismo dos investidores com a retomada dos fluxos pelo oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita e os esforços para destravar as negociações entre Estados Unidos e Irã.

Negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), o petróleo Brent para novembro, fechou em queda de 3,4% (US$ 3,53), a US$ 100,34 o barril. Já o petróleo WTI para mesmo mês recuou 3,86% (US$ 3,71), a US$ 92,37 o barril, na Nymex.

De acordo com a Reuters, a estatal saudita de petróleo Saudi Aramco carregou cerca de 14 milhões de barris de óleo bruto em sete superpetroleiros no domingo. O reino aumentou os embarques a partir de terminais de exportação no Golfo após um ataque interromper os fluxos de petróleo pela ligação leste-oeste até o Mar Vermelho.

Além disso, também no fim de semana, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que o volume de petróleo e cargas pelo Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas foi o maior em seis meses.

A previsão da volta de oferta da commodity pelos sauditas ainda se soma à expectativa de conversas diplomáticas entre Donald Trump e líderes do Golfo, à margem da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

As tensões, entretanto, continuam presentes na região, com Reino Unido prestes a concordar em apoiar as forças armadas da Arábia Saudita no combate aos houthis, informou a Bloomberg.

Na visão do Julius Baer, o mercado em geral não está ficando sem petróleo, pois o aumento dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e por outras rotas ajudou a compensar as interrupções no oleoduto leste-oeste e no Estreito de Bab al-Mandeb, enquanto a menor demanda contribuiu para manter o mercado global praticamente equilibrado desde o verão (do Hemisfério Norte). O grupo bancário suíço espera que o Brent atinja US$ 77,50 por barril nos próximos três meses.

Irã e Estados Unidos trocaram novas ameaças no domingo, embora o presidente Donald Trump tenha dito que estaria disposto a se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que deve estar em Nova York nesta semana para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Irã comunicou suas condições aos mediadores para retomar as negociações, informou a Al Jazeera, citando o chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, em uma entrevista no sábado.

Os combates, no entanto, continuaram no Oriente Médio. Os houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, disseram ter atacado Riad, além de uma instalação da Saudi Aramco na cidade de Yanbu, no Mar Vermelho, enquanto tentavam cortar o acesso à costa do Mar Vermelho a partir das áreas que ainda estão sob controle de forças apoiadas pela Arábia Saudita.

A China pediu ao Irã que ajude a conter os houthis após um apelo de Pequim feito pela Arábia Saudita na sequência dos ataques, segundo três fontes iranianas familiarizadas com o assunto.

Os ataques dos houthis ao oleoduto leste-oeste da Aramco levaram a empresa a aumentar as exportações pelo Estreito de Ormuz neste mês e no próximo, depois de interromper parte dos embarques via Yanbu.

“Os fluxos de petróleo do Oriente Médio continuam surpreendentemente fortes, apesar da interrupção no oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita”, disseram analistas do JPMorgan em uma nota de 18 de setembro.

“A mudança mais significativa veio da Arábia Saudita”, disseram os analistas, acrescentando que dados de satélite indicaram que o volume de petróleo saudita transportado pelo Estreito de Ormuz teve média de 2,9 milhões de barris por dia nos últimos seis dias, ante apenas 700 mil barris por dia em agosto.

Shadia Nasralla
Com informações do Estadão Conteúdo; edição da CNN Brasil

Compartilhar: