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Petróleo cai com expectativa de avanço diplomático no Oriente Médio

CNN Brasil 3 min de leitura

O petróleo fechou em queda nesta terça-feira, 20, operando com certa volatilidade diante da possibilidade de avanço por um acordo no Oriente Médio, apesar de novos bombardeios na região. Em contrapartida, o mercado segue acompanhando o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Negociado na ICE, o petróleo Brent para dezembro fechou em queda de 0,73% (US$ 0,72), a US$ 97,82 o barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) para o mesmo mês caiu 0,69% (US$ 0,76), a US$ 108,79 o barril, na Nymex.

Durante a manhã de terça-feira, o valor do Brent chegou a se aproximar da máxima em cinco meses. Isso ocorreu devido aos ataques dos houthis contra alvos energéticos, aeroportuários e militares na Arábia Saudita e o anúncio do Irã de que dois petroleiros atingiram minas navais instaladas no Estreito de Ormuz, segundo a High Frequency Economics.

O cenário inverteu diante de possíveis avanços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã divulgados pelo jornal israelense N12.

Diante de temores com a oferta, a Agência Internacional de Energia (IEA) pode realizar novas liberações emergenciais de petróleo, caso seja necessário, de acordo com a Reuters.

O Commerzbank destacou que o fornecimento de petróleo da região do Golfo caiu “significativamente” na última semana por conta do aumento dos ataques iranianos a petroleiros e navios comerciais.

Ainda segundo o banco, a tentativa dos EUA de diminuir os preços da commodity aliviando sanções contra a Rússia não funcionou, já que a capacidade dos russos de aumentarem o fornecimento de diesel “é limitada em vista da retomada dos ataques ucranianos às refinarias de petróleo russas”.

Ataques a alvos energéticos

Os houthis do Iêmen afirmaram na segunda-feira, 19, ter realizado ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares da Arábia Saudita, incluindo uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e o aeroporto de Abha.

As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.

Separadamente, um petroleiro pegou fogo e explodiu após colidir com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz no domingo, informou a Guarda Revolucionária do Irã, segundo a mídia iraniana.

O fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de sete dias de cerca de 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, ante mais de 20 milhões de bpd na semana anterior, informou a empresa de análise Kpler, devido ao aumento das ameaças à navegação comercial.

A Kpler registrou pelo menos dez incidentes confirmados envolvendo embarcações comerciais durante a semana.

O analista da SEB, Bjarne Schieldrop, previu que os aumentos nos volumes de exportação pelo Estreito de Ormuz podem ser de curta duração, já que o Irã poderia intensificar os ataques antes das eleições intermediárias dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

O Egito afirmou estar pronto para apoiar a Arábia Saudita contra os houthis, embora o Parlamento egípcio tenha adiado para 26 de outubro uma votação que autorizaria as forças armadas a prestar assistência ao reino, caso solicitado.

Na segunda-feira, 53 pessoas foram mortas em um ataque houthi e 200 ficaram feridas em um ataque a um campo de treinamento das forças de segurança do governo iemenita na província produtora de energia de Shabwa, na região costeira do centro-sul do Iêmen.

Manuela Miniguini
Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo

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