NovaCana
Publicidade

Petróleo Brent deve rondar os US$ 90 até fim do ano e ter alívio contido em 2027

Analistas afirmam que o fim do conflito no Irã é cada vez mais impossível de prever

Agência Estado 6 min de leitura

Mais de sete meses após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, os analistas de petróleo afirmam que o caminho para o fim do conflito é cada vez mais impossível de prever.

Várias linhas vermelhas econômicas que diversos bancos e consultorias assumiram que o governo Trump não estaria disposto a cruzar – incluindo o petróleo subindo acima de US$ 100 por barril, preços da gasolina e do diesel nas alturas e avanço dos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) – já se materializaram, tornando a estratégia de saída menos clara.

Nesse contexto, o petróleo tipo Brent deve ficar em US$ 87 o barril no quarto trimestre deste ano e, em média, em US$ 80 ao longo de 2027, de acordo com a mediana de nove projeções coletadas pela Broadcast.

O Commerzbank elevou sua previsão para o Brent no final do ano a US$ 85 por barril, de US$ 75 anteriormente, enquanto a analista Kim Fustier, do HSBC, alerta que os mercados de petróleo provavelmente não se reequilibrarão até meados de 2027. Ela diz que o cenário base do HSBC é para um entendimento frágil entre os EUA e o Irã, mas que permanece suscetível a colapsos recorrentes e incertezas.

Diante dessa perspectiva mais restrita, o HSBC elevou sua previsão para o Brent no quarto trimestre de 2026 de US$ 80 para US$ 90 por barril. Em um cenário de impasse, onde a diplomacia falha e os fluxos permanecem restritos, os estoques podem atingir níveis operacionais baixos, potencialmente elevando o Brent para cerca de US$ 120 por barril, alerta.

O vice-presidente da Rystad Energy no Brasil, Raphael Faucz, afirmou à Broadcast que, apesar de 16 milhões de barris estarem saindo neste momento do Estreito de Ormuz, os altos custos de frete e os baixos estoques estão ancorando os níveis de preço atual do petróleo. “Quando chegamos em barris perdidos de produção neste ano, ficamos perto de 3 bilhões de barris”, pontua.

Além disso, Faucz define os fluxos atuais na região como “frágeis”, podendo ser interrompidos a qualquer momento. “Acredito que o mercado entende como isso é frágil e que você não pode reduzir o prêmio de risco nesse momento em que estamos tendo, há poucas semanas, de fato, fluxos mais sustentados e elevados”, disse.

O Goldman Sachs avalia que o mercado global de petróleo ficou relativamente equilibrado em setembro, à medida que as exportações do Golfo se recuperaram. Assim, a adaptação tanto do fornecimento do Oriente Médio quanto da demanda de importação da China apoia o cenário do banco de que os preços do Brent moderem para US$ 85 por barril até o final do ano e para US$ 80 em 2027.

“Dito isso, ainda nos preocupamos com uma potencial escalada renovada que danifique mais a infraestrutura energética, o que poderia causar uma alta significativa nos preços”, ponderam os economistas.

Com viés mais otimista, o Citi reforça que discussões nos países do Golfo sobre uma diplomacia regional podem ganhar tração, permitindo a reabertura dos fluxos em Ormuz e no Mar Vermelho. Com isso, o banco mantém o cenário base de o Brent voltar a cair no ano que vem, com média em torno de US$ 65, à medida que 2027 avança.

Apesar das “artérias de exportação de petróleo” do Oriente Médio estarem fluindo novamente, analistas do JPMorgan apontam preços elevados neste e no próximo ano. O banco espera o WTI em US$ 80 o barril e o Brent em US$ 85 o barril até o fim do ano, com os preços recuando para US$ 61 e US$ 67, respectivamente, no primeiro trimestre de 2027.

Além de grandes bancos e consultorias, a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), vinculada ao Departamento de Energia (DoE), aumentou a projeção para o preço médio do Brent em 2026 e 2027 no último dia 6.

A EIA passou a estimar que o Brent ficará, em média, em US$ 96 por barril em 2026, acima dos US$ 91 previstos no relatório anterior. Para 2027, a agência elevou a projeção de US$ 74 para US$ 84 por barril.

Segundo Faucz, parte do prêmio de risco nunca será totalmente eliminada, e o poder que o Irã exerce sobre o Estreito de Ormuz tende a permanecer como uma “sombra perene” no mercado. A projeção-base da Rystad Energy é de um impasse prolongado, com as exportações do Irã seguindo limitadas pelos EUA, o que deve manter os preços em níveis mais elevados no ano que vem.

Diesel e gasolina

Os produtos refinados, como gasolina e diesel, são o que mais preocupa líderes globais, já que os preços elevados pesam no bolso dos consumidores. Nos EUA, o galão de diesel passou de US$ 6 e o de gasolina chegou a US$ 5 em alguns estados antes das eleições de meio de mandato de novembro, quando o presidente Donald Trump buscará reafirmar a maioria republicana no Congresso, apesar da baixa aprovação.

Em meio à pressão de Trump para que a Europa liberasse estoques de diesel, os líderes do G7 anunciaram em 2 de outubro um pacote coordenado de medidas para conter a volatilidade nos mercados de energia. O plano prevê a liberação de 100 milhões de barris de estoques estratégicos ao longo de quatro meses, com início imediato e prioridade ao diesel nos primeiros 20 dias.

No dia 10 deste mês, Trump também anunciou que chegou a um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel ao mercado americano e internacional.

Para Faucz, a ação do G7 busca oferecer alívio mais rápido ao mercado, mas, do ponto de vista estrutural, não muda “absolutamente nada”. Sobre a possibilidade, não descartada pela consultoria, de os EUA imporem restrições às exportações, ele alerta que o Brasil hoje importa 25% de todo o diesel consumido e que isso poderia provocar um aperto no mercado de petróleo no País “talvez nunca antes visto”.

A Agência Internacional de Energia (AIE) avalia que a escassez no mercado de produtos refinados se tornou mais aguda. “A alta tanto nos preços futuros do petróleo bruto quanto nos preços físicos é insignificante em comparação com a dos produtos refinados, onde a escassez de mercado é agora mais aguda”, afirmou a entidade no mês passado.

Thais Porsch

Compartilhar: