
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o diretor geral da Pemex, Juan Carlos Carpio Fragoso, na cerimônia de assinatura
A Petrobras e a petrolífera mexicana Pemex concordaram nesta terça-feira, 23, em explorar projetos conjuntos de petróleo e gás, especialmente no Golfo do México.
As empresas anunciaram a assinatura de um memorando de entendimento com duração de dois anos, em um momento em que a Pemex tenta reverter anos de dívidas sufocantes e de queda contínua na produção.
A Petrobras é reconhecida mundialmente por sua experiência na extração de reservas de petróleo em águas profundas, ainda pouco exploradas no lado mexicano do Golfo do México.
Do lado dos Estados Unidos, o Golfo é um importante polo de produção offshore de petróleo e gás.
“Temos interesse na exploração no Golfo do México mexicano”, afirmou em comunicado a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
O diretor-geral da Pemex, Juan Carlos Carpio Fragoso, declarou que o acordo abre a possibilidade de “otimizar e aumentar a produção em águas profundas”.
Fragoso foi nomeado diretor da Pemex em maio. A empresa também enfrenta as consequências de um enorme derramamento de petróleo ocorrido no início deste ano, além de um rebaixamento de sua classificação de crédito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em maio que sua “amiga”, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, havia telefonado para pedir ajuda da Petrobras “para explorar petróleo em águas profundas no sul do México”.
Lula tem mantido uma relação oscilante com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ressaltou a importância da integração política na região. “Vamos formar uma parceria com a Pemex e ir ao Golfo do México para ver se o nosso amigo Trump vai mexer com a Petrobras explorando em águas a 2,5 mil metros de profundidade”, declarou na ocasião.
Lula tem sido alvo de críticas de ambientalistas por incentivar a exploração de petróleo no Brasil ao mesmo tempo em que assume um papel de liderança global na luta contra as mudanças climáticas. Em particular, ele apoiou a controversa exploração petrolífera da Petrobras próxima à foz do rio Amazonas, iniciada no ano passado.
A coordenadora de oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, declarou à AFP em abril que os planos de exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México representam “uma aposta que a crise climática não nos permite fazer”.
Ela destacou que o Golfo do México foi palco de um dos “maiores desastres ambientais da história” em 2010, quando uma plataforma da petrolífera britânica BP explodiu e provocou um enorme derramamento de petróleo.