A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse, durante teleconferência de resultados com analistas, que a estatal e o governo estão trabalhando em uma iniciativa conjunta para amenizar os efeitos do aumento do preço da gasolina no Brasil.
Nos últimos meses, foram criados programas de subvenção para o diesel, gás de botijão (GLP), além de um programa de financiamento para o querosene de aviação (QAV).
A gasolina foi o principal item que impactou a inflação em abril, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 12. E Chambriard admitiu que vai elevar o preço do combustível “já já”.
“Estamos trabalhando na questão da gasolina e, em breve, os senhores vão ter também boas notícias em relação à nossa gasolina”, disse.
A presidente da estatal lembrou ainda que até agora a subvenção do diesel gerou bons resultados para a Petrobras.
“Estamos tendo excelentes resultados em termos de comercialização de petróleo cru para o exterior. E também estamos trabalhando muito junto com o governo brasileiro em termos de subvenção para as vendas dos nossos derivados no mercado nacional”, afirmou.
De acordo com ela, de março a meados do mês de abril, o diesel da estatal teve R$ 0,02 por litro de aumento para o consumidor brasileiro. “Teve uma subvenção que representou para nós um aumento do preço do diesel em cerca de, em um mês, 46%”, completa.
Segundo Chambriard, esses resultados ainda não estão completamente expressos nos números do primeiro trimestre, mas eles surgirão nos resultados do segundo trimestre, garantiu. A executiva destacou ainda a parceria da Petrobras com o governo.
“Como não transferimos as mudanças abruptas de preço ao consumidor, para que esses preços altos da guerra não cheguem ao mercado brasileiro, nós temos visto a parceria com o governo federal, vamos dizer assim, com excelentes olhos”, afirma.
De acordo com ela, o governo federal “zela pela capacidade da Petrobras de se manter estável em cenários difíceis” e, também, pela capacidade da Petrobras de apresentar à sociedade produtos acessíveis ao bolso do brasileiro.
“Esse mercado é nosso. O mercado do Brasil é nosso. Nós zelamos pelo nosso mercado, fazemos dinheiro com o nosso mercado”, disse.
No dia anterior, a estatal anunciou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 7,2% menor que os R$ 35,2 bilhões obtidos entre janeiro e março do ano passado. A estatal informou ainda dividendos de R$ 9,03 bilhões.
Em relação ao quarto trimestre do ano passado, houve alta de 109,9%, quando o ganho foi de R$ 15,5 bilhões. Em dólar, o lucro líquido da estatal teve alta de 3,8%, passando de US$ 5,97 bilhões, no primeiro trimestre de 2025, para US$ 6,19 bilhões, de janeiro a março deste ano.
Embora a empresa tenha registrado alta de 16% na produção de petróleo, o resultado refletiu apenas parte dos efeitos do conflito no Oriente Médio, quando os Estados Unidos iniciaram ataques militares no Irã, em 28 de fevereiro, fazendo a cotação do petróleo disparar.
Assim, o resultado da Petrobras foi influenciado pelo aumento do preço do barril, que subiu de US$ 75,66, na média do primeiro trimestre do ano passado, para US$ 80,61, no primeiro trimestre deste ano. No fim de 2025, o barril estava a US$ 63,69.
Pesou ainda negativamente a valorização do real, que aumentou os custos da companhia sobretudo na área de exploração e produção. Segundo a estatal, o lucro líquido da companhia refletiu efeitos positivos não recorrentes (chamados de eventos exclusivos) menores com a queda nos ganhos oriundos da variação cambial.
Magda Chambriard lembrou ainda, em sua apresentação, que a companhia trabalha para atingir a autossuficiência em diesel no novo plano de negócios, que deve ser lançado no fim do ano. Ela já havia mencionado iniciativas nesse sentido.
“Há análises de projetos que têm capacidade de produzir não apenas 85% de diesel até 2030, mas também de superar essas marcas. E provavelmente seremos capazes de entregar um parque de refino para atender 100% da demanda”, disse.
No refino, ela afirmou que vem aumentando a oferta de produção de diesel com o projeto de revitalização e ampliação das refinarias. Disse ainda que há aumento da capacidade de processamento das refinarias.
“Com a guerra entre EUA e Irã, já superamos 100% da capacidade de refino, no maior nível desde dezembro de 2014. A Petrobras não gosta de limites. O aumento do processamento é muito importante no cenário de elevação das cotações”, comenta.
Chambriard afirmou ainda que a estatal estuda “novas possibilidades” de negócios no México.
No início de sua fala, ela destacou dados operacionais, como o aumento na produção de petróleo e a maior capacidade de extração das plataformas.
Ela lembrou que haverá um aumento de 180 mil barris por dia na produção somente com a maior capacidade das próximas quatro unidades (FPSOs) previstas, que ainda estão em construção.
“Temos o maior campo de produção de águas profundas do mundo, que é Búzios, com oito plataformas, com a chegada da P-79. Hoje, produz mais de um milhão de barris por dia. Em breve, vai chegar a 1,5 milhão de barris por dia. Temos ainda o Campo de Tupi, que também produz um milhão de barris” destacou.
No Nordeste, ela lembrou que, com o aumento do preço do petróleo, acelerou-se a possibilidade de financiamento do projeto Sergipe Águas Profundas. Com a elevação do valor do petróleo, a estatal vai garantir duas unidades (FPSO).
“São dois projetos aprovados que, por enquanto, terão capacidade de produzir 240 mil barris por dia e 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia”, disse.
A executiva afirmou que vem trabalhando para aumentar a produção de gás natural. “Vamos ter um gasoduto no Nordeste, no projeto de Sergipe, para entregar 18 milhões de metros cúbicos, o que representa metade da oferta de gás no primeiro trimestre”, relata.
Ela complementa: “Contratamos todas as nossas térmicas, que estavam descontratadas no último leilão, gerando mais nove contratos. E isso vai agregar mais R$ 4,5 bilhões por ano em receita”.
Bruno Rosa