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Petrobras diz que proposta da ANP para transparência em preços traz insegurança jurídica

Petrobras se posicionou contra uma minuta colocada em consulta pública pela agência reguladora do setor de petróleo (ANP), cujo objetivo é dar transparência para setor de combustíveis

Reuters 3 min de leitura

A Petrobras se posicionou contra uma minuta de resolução colocada em consulta pública pela agência reguladora do setor de petróleo (ANP), cujo objetivo é dar mais transparência para o setor de combustíveis, alegando que regras propostas trariam "elevada insegurança jurídica, redução da atratividade dos negócios do setor, desestimulo à concorrência".

As declarações constam em documento apresentado à autarquia como parte da audiência pública, lançada em agosto e após a ANP descartar impor ao mercado uma frequência de reajustes de preços de combustíveis.

A consulta busca subsídios e informações adicionais sobre a minuta de resolução que dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação de dados de preços relativos à comercialização de derivados de petróleo, gás natural e biocombustíveis. A nova resolução deverá ser publicada em dois meses, segundo previsões da ANP.

A Petrobras destacou no documento que a proposta de resolução permite concluir que há intenção da agência de exigir dos agentes a adoção de fórmulas para a definição de seus preços de venda, as quais devem prever um conjunto mínimo de parâmetros estipulados pela autarquia, o que iria contra a Constituição da República.

"A livre formação de preços, bem como a forma como as partes irão negociar seus contratos, integra o conteúdo essencial da livre iniciativa e não pode ser validamente vulnerada", disse a Petrobras, em sua contribuição.

A petroleira ressaltou ainda que "a exigência de fazer constar fórmulas paramétricas em contratos, associados à necessidade de homologação desses, indiretamente levam à definição de periodicidade de reajustes", o que contrariaria até mesmo conclusão anterior da ANP.

A Petrobras também se colocou contra os critérios que podem ser estipulados pela ANP para a publicação de seus preços, afirmando que os agentes econômicos detêm legítimo direito de preservar o sigilo de suas informações concorrencialmente sensíveis.

A agência vem defendendo a publicação dos valores cobrados pela petroleira em todos os seus pontos de venda, enquanto atualmente a empresa publica apenas uma média aritmética.

"A exigência de fórmulas contratuais e de publicização de preços, como proposto por esta agência, poderão causar distorções no mercado, sinalizando um ambiente regulatório não estável", disse a empresa.

A Petrobras afirmou ainda que a eventual publicação da resolução proposta "levará a um retrocesso na evolução do mercado competitivo de combustíveis no Brasil ao introduzir elevada insegurança jurídica, redução da atratividade dos negócios do setor, desestimulo à concorrência e, podendo, inclusive, induzir ao aumento de preços ao consumidor e a riscos no abastecimento do mercado".

"Diante do exposto, a Petrobras registra aqui o seu posicionamento desfavorável à minuta de resolução ora proposta e sugere a esta agência que reveja a sua posição."

A Plural, associação que representa as principais distribuidoras do Brasil, também rejeitou propostas feitas pela ANP e afirmou que a intervenção na política de precificação de derivados pode restringir a capacidade de expansão do suprimento nacional, pela baixa atratividade de novos investimentos, podendo gerar impactos em toda a cadeia.

A consulta pública, que surgiu como uma resposta à histórica greve dos caminhoneiros em maio, contra os altos preços do diesel e que causou sérios danos à economia brasileira, ocorreu entre 20 de agosto e 19 de setembro.

Marta Nogueira

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