Etanol: Mercado: Gasolina

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Petrobras não atende 10% do pedido de diesel de distribuidoras para maio, dizem fontes


Reuters - Publicado: 22 Abr 2026 - 09:36 | Atualizado: 22 Abr 2026 - 10:09

A Petrobras voltou a não atender os pedidos totais de diesel de grandes distribuidoras, dessa vez para entregas previstas para maio, enquanto a petroleira busca evitar importar o combustível em meio a altos preços do mercado internacional, afirmaram duas fontes com conhecimento do assunto.

A negativa gira em torno de 10% do volume demandado pelas distribuidoras, disseram duas fontes de empresas diferentes, sob condição de ⁠anonimato.

Os pedidos das distribuidoras são baseados em negócios feitos pelas empresas junto à ⁠Petrobras nos últimos três meses, e ajustados ao longo do período seguinte. Em abril, a estatal havia negado 20% de uma cota das empresas, segundo fontes do mercado disseram anteriormente.

Procurada, a Petrobras não ‌comentou o assunto imediatamente. Mas duas pessoas ‌da empresa com conhecimento da situação afirmaram que as grandes distribuidoras estariam pedindo volumes acima da demanda, buscando ganhar mercado de companhias menores.

O setor brasileiro de diesel, o combustível mais negociado do ‌país, vem enfrentando tensão desde o início da guerra, já que o Brasil importa cerca de 25% de sua demanda, com a Petrobras, maior produtor local, respondendo também por parte das importações. Com o objetivo de limitar a alta dos preços gerada pelo conflito no Golfo Pérsico, o governo lançou um programa de subsídio, entre outras medidas.

Uma fonte ponderou que as distribuidoras estão acostumadas com os chamados “cortes” na cota, porque o contrato da Petrobras permite certa ‌flexibilidade. “Mas não eram cortes assim tão fortes, às vezes de 5%, por aí”, afirmou.

Em março, para entrega em abril, os cortes chegaram a mais de 20%, segundo fontes, e levaram as maiores distribuidoras a dobrar importações para atender seus contratos.

A petroleira também planeja ofertar volumes menores em maio ‌em relação a abril, disse uma fonte. “Como não está importando, ela está com mais dificuldade de produto, por isso que ela está tendo que cortar alguns ‌pedidos”, disse a segunda pessoa.

Sobre as ‌compras externas, a Petrobras reiterou por e-mail, no início da semana, que não fará importações em abril e maio.

Na ⁠ocasião, a empresa afirmou ainda que postergou uma parada programada em uma unidade de produção de diesel da refinaria Repar, no Paraná, o que impactou positivamente o balanço do produto no sistema da companhia, “reduzindo a necessidade de importações diante dos compromissos previstos para abril e maio de 2026”.

Demanda maior

A oferta mais restrita ocorre enquanto ministros do governo têm acusado distribuidoras e outros agentes da cadeia de combustíveis de elevar os preços ao consumidor, por oportunismo.

Duas fontes da Petrobras afirmaram que a companhia tem atendido os volumes médios dos últimos três meses. Uma delas afirmou que o mercado demandou “muito mais do que é capaz de absorver”.

A pessoa disse ainda, na condição de anonimato, que as grandes distribuidoras querem ganhar com mais ⁠volumes de vendas. “O mercado das grandes cresceu porque as pequenas não têm capital”, afirmou.

Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier