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Petrobras Biocombustível já perdeu R$ 831 milhões com etanol e biodiesel

duto-etanol-270214Um ano a culpa é do biodiesel, em outro do etanol, mas um fato não muda: o prejuízo da PBio é constante e crescente
NovaCana 4 min de leitura
O mercado de biocombustíveis viu com desconfiança quando, em 2008, a Petrobras lançou uma subsidiária para atuar com etanol e biodiesel. A gigante petroleira criava a Petrobras Biocombustível (PBio) e tentava ingressar em duas atividades essencialmente agrícolas.

Nesses anos todos de atuação a estatal já divulgou dezenas de balanços trimestrais e cinco resumos anuais. Em todos eles é possível constatar um padrão claro: a PBio nunca deu lucro. E mais, a cada ano os resultados são piores.

O mercado de biocombustíveis viu com desconfiança quando, em 2008, a Petrobras lançou uma subsidiária para atuar com etanol e biodiesel. A gigante petroleira criava a Petrobras Biocombustível (PBio) e tentava ingressar em duas atividades essencialmente agrícolas.

Nesses anos todos de atuação a estatal já divulgou dezenas de balanços trimestrais e cinco resumos anuais. Em todos eles é possível constatar um padrão claro: a PBio nunca deu lucro. E mais, a cada ano os resultados são piores.

Os resultados finais de 2013, divulgados na última terça-feira (25) pela Petrobras, mostram que, somente no ano passado, o prejuízo líquido da PBio alcançou os R$ 254 milhões. Somados aos resultados dos cinco anos anteriores de operação, a perda totaliza R$ 831 milhões (veja gráfico abaixo).
petrobras grafico-04
As justificativas da empresa para os prejuízos constantes e crescentes mostram que tanto o mercado de etanol quanto o de biodiesel foram sempre os responsáveis pelas perdas. No entanto, a estatal acaba colocando mais a culpa em um dos dois mercados.

Neste relatório de 2013, o maior vilão foi o biodiesel, por causa dos leilões mais concorridos e preços 11% menor. Já as perdas com etanol não foram maiores porque ocorreu um aumento do preço médio do biocombustível e da energia, além do crescimento das vendas de ambos os produtos e do açúcar. No ano passado o consumo cresceu 18,9%, impulsionado pelo aumento da mistura de etanol na gasolina para 25%.

Explicação semelhante à de 2013 foi dada em 2011, quando as margens do biodiesel foram pressionadas pela alta concorrência, pelos altos custos de aquisição e transporte de matéria-prima e pelas despesas operacionais. Naquele ano os melhores resultados do etanol também não foram suficientes para superar o cenário ruim do setor de biodiesel.

Em 2012, o culpado maior foi o etanol. Naquele período, a mistura de etanol na gasolina foi diminuída para 20% e, em consonância com todo o setor sucroenergético, a Petrobras falou em resultados ruins para o biocombustível de cana, além de alegar um aumento nas despesas com pesquisa e desenvolvimento.

2013 X 2012

De forma simplificada, o aumento de 16,5% no prejuízo da PBio de 2012 para 2013 foi causado pelo crescimento das despesas, que foram de R$ 200 milhões para R$ 221 milhões, e a diminuição da receita de vendas, registrada em R$ 895 milhões ano retrasado e em R$ 832 milhões um ano depois.

Esta foi a primeira queda na receita de vendas desde 2010 e que as despesas com pesquisa e desenvolvimento caíram 46% de um ano para o outro.

Os investimentos consolidados totalizaram R$ 322 milhões, ante os R$ 299 milhões de 2012. Apesar do crescimento, o valor ainda é quase quatro vezes menor do que o de 2010, quando foi registrado o maior investimento da Petrobras na área de biocombustíveis. Do total investido em 2013, a empresa informou que 70% foram aplicados no segmento de etanol, com o objetivo de aumentar a oferta e ampliar a participação de mercado.

Depois destes resultados financeiros negativos, para 2014 parece estar definida uma promoção. O atual presidente da PBio, Miguel Rossetto deve deixar o cargo e se tornar um ministro de estado, assumindo o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, se mostra satisfeita com o desempenho da subsidiária. Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, ela disse que a companhia estava aberta a ganhar dinheiro com fontes renováveis, mas que esta não era a prioridade da empresa.

Vivian Faria - NovaCana
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