A Petrobras vai investir US$ 2,2 bilhões na produção de etanol entre 2025 e 2029, marcando sua volta ao setor. Para isso, a estatal já iniciou conversas para se associar a outro produtor, com negociações em andamento. A ideia é criar uma empresa. Além disso, a companhia estuda usar matérias-primas como cana-de-açúcar e milho nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
“Estamos voltando para o etanol. Estávamos nesse mercado desde a década de 1970, mas saímos recentemente. E, hoje, o etanol é o principal competidor da gasolina. O etanol é o pontapé inicial para outros combustíveis”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 22.
Segundo o diretor da área de energias renováveis, Mauricio Tolmasquim, a ambição da estatal é começar grande. A meta é produzir cerca de 2 bilhões de litros por ano. “Vamos produzir etanol. A nossa ambição é ser grande. Estamos entrando de forma séria nessa questão. Queremos ser um dos líderes”, anuncia.
Ele ainda completa: “Para isso, vamos estabelecer parcerias e atuar em conjunto. Não vamos fazer isso sozinhos, seria um erro começar do zero. A maior novidade é o etanol. No transporte leve, haverá redução da participação da gasolina; isso é inevitável. Queremos continuar grandes e, para isso, vamos entrar no mercado do competidor da gasolina, que é o etanol”.
O diretor informou ainda que as negociações para a retomada no setor já começaram. “Estamos conversando com produtores de etanol para criar uma nova empresa. Eles aportariam as unidades e queremos expandi-las. A ideia é começar grande, considerando duas rotas: cana-de-açúcar e milho. Queremos agilidade para formar associações, mas seguiremos a governança. No entanto, ainda não definimos o modelo de negócios”, explica.
A Petrobras detalhou ontem, 21, seu novo plano de negócios para os anos de 2025 a 2029. A estatal vai investir US$ 111 bilhões, uma alta de 8,8% em relação ao plano atual, de US$ 102 bilhões, para os anos de 2024 a 2028.
A companhia aprovou ainda o pagamento de R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários. Dos R$ 20 bilhões que serão pagos, o governo federal vai abocanhar 28,67% desse total, somando R$ 5,734 bilhões, ajudando nas contas públicas. O pagamento aos acionistas desses R$ 20 bilhões será feito em parcela única no dia 23 de dezembro de 2024. Já os detentores de ADRs (títulos negociados no exterior) receberão o pagamento a partir de 03 de janeiro de 2025.
A Petrobras pretende ainda pagar dividendos de até US$ 55 bilhões entre 2025 e 2029.
A seguir, veja os detalhes do plano.
Bruno Rosa