Uma fonte ligada ao setor financeiro confirmou ao NovaCana que está circulando no mercado uma lista com os ativos que a Petrobras estaria colocando à venda
Depois de seis anos de consecutivos prejuízos, a divisão de biocombustíveis da Petrobras está prestes a desaparecer. A subsidiária responsável pelas usinas de etanol e biodiesel da estatal, chamada de PBio (sigla para Petrobras Biocombustível), deve ser extinta, com a absorção de seus ativos e participações acionárias pela companhia principal, conforme apuração do portal NovaCana.
Uma fonte ligada ao setor financeiro confirmou ao NovaCana que está circulando no mercado uma lista com os ativos que a Petrobras estaria colocando à venda.
Veja a seguir os detalhes do plano da estatal obtidos com exclusividade pelo NovaCana.
Depois de seis anos de consecutivos prejuízos, a divisão de biocombustíveis da Petrobras pode estar prestes a desaparecer. A subsidiária responsável pelas usinas de etanol e biodiesel da estatal, chamada de PBio (sigla para Petrobras Biocombustível), deve ser extinta, com a absorção de seus ativos e participações acionárias pela companhia principal, conforme apuração do portal NovaCana.
No setor sucroenergético, a PBio é sócia das empresas Bambuí (antiga Total, com participação de 43,58%), Guarani (42,95%) e Nova Fronteira (49%), que, juntas, operam nove usinas no Brasil com capacidade combinada para produção de 1,5 bilhão de litros de etanol por ano.
A incorporação das respectivas ações e de ativos próprios, que a subsidiária detém no setor de biodiesel, é o primeiro passo do movimento de desinvestimento. O efeito imediato seria a perda de autonomia, com o fim da diretoria executiva e conselho de administração, hoje presididos, respectivamente, por Alberto Oliveira Fontes Junior e Tereza Gabrielli Barreto Campelo.
Em um segundo momento, a medida deve culminar com a venda das fatias acionárias em usinas onde a PBio é acionista e de suas três unidades próprias de biodiesel, que também estariam sujeitas a uma eventual desativação.
A conversão do que hoje são ativos da PBio em propriedade direta da Petrobras, possibilitaria uma apresentação mais sintética e discreta sobre o desempenho financeiro e operacional do negócio de biocombustíveis.
Em termos contábeis, os prejuízos da divisão — que no acumulado somam R$ 1,2 bilhão — acabariam diluídos em meio a um volume de recursos várias vezes supeior, com impacto insignificante em relação aos valores totais da petrolífera.
Segunda etapa
Depois da incorporação, a estatal poderá avaliar a venda dos ativos caso a caso, despertando menos atenção sobre as transações. As unidades de biocombustível entrariam no pacote do plano de desinvestimento de US$ 13,7 bilhões, para o biênio 2015/16, aprovado em março pela diretoria da Petrobras. O plano objetiva reduzir o endividamento da estatal e concentrar investimentos em áreas prioritárias.
Em março, o banco Credit Suisse já havia relacionado a Petrobras Biocombustível entre as dez subsidiárias que estariam entre as opções de venda mais relevantes da estatal.
Conforme o último balanço patrimonial da PBio, a divisão possui R$ 2,587 bilhões em ativos.
Uma fonte ligada ao setor financeiro confirmou ao NovaCana que está circulando no mercado uma lista com os ativos que a Petrobras estaria colocando à venda.
Uma trajetória de perdas
Em 2008, o então presidente Lula inaugurou a empresa que concentraria os projetos da Petrobras no segmento de biocombustíveis, com a ambição de torná-la um player importante no setor de etanol. Na época havia uma expectativa de forte expansão da produção de etanol, com o anúncio de mais de 100 novos projetos e entrada de diversos investidores.
O cenário era o mais otimista possível. Lula era considerado um entusiasmado aliado, que percorreu diversos países como "embaixador do etanol".
No entanto, a divisão de biocombustíveis da estatal nunca obteve lucros, apenas uma escalada de prejuízos. No setor sucroenergético, passado o boom, a euforia deu lugar à incredulidade. Com uma controversa política de preços, o governo brasileiro penalizou o setor sucroenergético, que já sofria de suas próprias mazelas, e também a petrolífera. Com o fechamento de dezenas de usinas, o ímpeto expansionista foi substituído por metas bem mais modestas que, em alguns casos, significam uma honrosa saída de cena para evitar perdas maiores.
NovaCana