Colheita

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Pesquisa avaliou mecanização das lavouras de cana


Orplana - Publicado: 23 Mai 2013 - 08:35
Orplana discute mecanização
Na última semana, a diretora do Instituto de Economia Rural (IEA-Apta), Marli Dias Mascarenhas Oliveira, discutiu os resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto, que buscou conhecer os sistemas de produção. A pesquisa foi baseada em números fornecidos pela Orplana, relativos às safras 2009/2010 e 2010/2011.

Impactos

O estudo do IEA avaliou: preparo do solo, tipos de plantio, tratos culturais em cana planta e cana soca e sistema de colheita. Na safra 2011/2012, a mecanização nas lavouras de São Paulo alcançou 90% das usinas e 21% dos fornecedores do estado (safra 2011/2012), representando 62,5% da área total colhida com cana crua. (Na safra 2012/2013, o índice foi para 72,6% - fonte: Governo do Estado).

"A mecanização da cana ocorreu de forma acelerada muito mais por conta do protocolo ambiental e provocou grandes impactos no sistema de produção, tanto positivos como negativos. Aspectos positivos porque proporcionou o selo verde aos produtores, e isso garante ao agricultor colocar o produto no mercado externo, por exemplo. Por outro lado, causou alguns problemas, como pequenos produtores que não conseguiram se enquadrar no novo modelo de produção com a mecanização ou possuem áreas não mecanizáveis [declividade acima de 12%], ou até mesmo a aquisição de máquinas. Uma das soluções é a formação de condomínios, mas ainda existe dificuldade para que eles consigam fazer esta associação", explicou Marli Mascarenhas.

Como principais mudanças no setor, mediante as legislações ambiental e trabalhista citadas pela diretora do IEA, estão: redução do número de horas de trabalho com mão de obra comum; aumento na terceirização de serviços de mão de obra por parte principalmente das usinas; realização de um maior número de operações, principalmente no preparo de solo; mecanização da maior parte das operações.

Segundo a pesquisadora, algumas políticas, junto à secretaria de Agricultura de São Paulo, têm sido feitas para apoiar e incrementar a aquisição de máquinas pelos pequenos produtores.

"A mecanização era algo inevitável. Ela veio na soja, algodão, amendoim e não foi diferente para a cana. Em um primeiro momento, a mecanização trouxe alguns problemas por ser novidade para o setor. Eu acho que o estrago foi um pouco maior do que imaginávamos, porque fomos atropelados para introduzir a mecanização em um tempo muito curto numa área muito grande. Começou com a colheita e hoje já temos o plantio mecanizado e os tratos culturais também. À medida que a mecanização vai avançando, nós vamos aperfeiçoando nosso trabalho, reduzindo as perdas. Vamos encontrar uma condição ideal para trabalhar, trazendo benefícios para o sistema. Com a mecanização, você planeja e trabalha melhor, com menor perda. E para quem permanecer no setor, [haverá] uma melhor remuneração, incluindo os trabalhadores rurais."

O presidente da Orplana, Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, participou do debate sobre mecanização com integrantes do setor. A Orplana está presente nos principais fóruns, que têm por objetivo buscar soluções conjuntas para os desafios da produção.

"Eu acho que é um reconhecimento ao trabalho que a diretoria da Orplana vem realizando ao longo dos anos. A Orplana buscou se integrar junto às entidades, ao setor como um todo, ser parceira do setor produtivo, dos industriais, das empresas e  conversar com os meios de comunicação. Temos a oportunidade de expor nossas ideias, representar o produtor, defendendo sua sustentabilidade e, ao mesmo tempo, ouvir opiniões dos demais elos da cadeia produtiva", concluiu Ortolan.

No fórum em que foi apresentada a pesquisa do IEA, estavam também o presidente da Fetaesp (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo), Braz Albertini, e o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho.