Maior pesquisa do setor apresenta a evolução dos salários nominais e totais das principais empresas sucroenergéticas
Após uma queda no salário médio dos gerentes das usinas em 2016, o ano de 2017 trouxe um contracheque mais animador para quem atua no setor, como mostra a última pesquisa salarial feita pela Wiabiliza, a maior realizada para o setor sucroenergético. E a perspectiva para 2018 é positiva.
Realizado desde 2006, o estudo levanta a evolução dos salários de 314 cargos de empresas sucroenergéticas, de todas as áreas e níveis hierárquicos – do auxiliar à presidência. O trabalho mais recente envolveu 112 usinas de nove estados brasileiros, correspondendo a 75% das principais companhias do setor. Com adesão voluntária das unidades participantes, as informações são fornecidas por representantes dos Recursos Humanos de cada empresa.
O relatório oferece um panorama das médias salariais e a evolução das remunerações nominal e total nos últimos anos, que podem ser utilizadas como parâmetro de mercado para as empresas.

Após a queda no salário médio dos gerentes das usinas em 2016, o ano de 2017 trouxe um contracheque mais animador para quem atua no setor, como mostra a última pesquisa salarial feita pela Wiabiliza, a maior realizada para o setor sucroenergético. E a perspectiva para 2018 é positiva.
Com aumentos tanto na remuneração total quanto no salário nominal, o resultado do levantamento demonstra que os cargos mais elevados tendem a ser mais beneficiados pelos bons resultados.
Realizado desde 2006, o estudo levanta a evolução dos salários de 314 cargos de empresas do setor sucroenergético, de todas as áreas e níveis hierárquicos – do auxiliar à presidência. O mais recente envolveu 112 usinas de nove estados brasileiros, correspondendo a 75% das principais companhias do setor. Com adesão voluntária das unidades participantes, as informações são fornecidas por representantes dos Recursos Humanos de cada empresa.
O relatório oferece um panorama das médias salariais e a evolução das remunerações nominal e total nos últimos anos, que podem ser utilizadas como parâmetro de mercado para as empresas.
Resultados positivos
Entre 2015 e 2016, houve uma diminuição dos salários a nível gerencial. O presidente da Wiabiliza, Jorge Ruivo, credita a redução a uma tentativa de reverter uma situação de crise: “Em geral, quando a empresa não alcança os resultados, a primeira atitude é trocar o time de frente, demitindo e contratando pessoas novas ou até promovendo intermediários internos por salários mais baixos, o que diminui a média do setor”.
A prática observada nestes anos é comum, mas considerada um erro pelo diretor. Na sua visão, demitir um gerente que já conhece os processos da usina para contornar uma deficiência só seria uma solução caso o novo funcionário fosse treinado. “Fazer um novo gerente assumir os problemas de gestão sem preparo ou treinamento é piorar a situação”, conclui.
Por outro lado, em 2017, o cenário abriu perspectivas para melhores negócios e muitas usinas já estavam com contratos firmados para a venda de açúcar no mercado internacional, o que elevou os salários dos gerentes. Mesmo em meio à imprevisibilidade econômica e política que o país está vivendo, qualquer sinal de respiro traz animação, afirma Ruivo. “Uma melhora no mercado faz com que haja uma melhora de remuneração na linha de frente”.
Já os níveis de comando abaixo do gerencial tiveram elevações discretas nas remunerações nos dois últimos anos, mas nada além do esperado. Ruivo explica que esse é um crescimento vegetativo, que pode ser resultado de acordos ou dissídios coletivos. Em alguns casos, é uma forma de manter o empregado no posto de trabalho, o que poderia gerar um conflito interno ao não ser reproduzido por toda a empresa.
Para 2018, a expectativa é boa, considerando que a situação da economia se mantenha ou melhore. Ainda assim, Ruivo alerta: “A melhora na produção incentiva as usinas a procurarem novos gerentes no mercado, mas eles dificilmente serão treinados e, a partir do segundo ano, os resultados tendem a diminuir novamente. É preciso avaliar se as trocas convêm e se elas vão melhorar a qualidade. Caso contrário, o resultado vai ser ainda pior”.

Nominal x total
No estudo, a Wiabiliza divide os pagamentos em salário nominal e remuneração total. Enquanto o primeiro diz respeito somente ao salário pré-determinado por contrato, o segundo envolve benefícios, bônus, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), prêmios por produtividade e por metas batidas, dentre outros. Assim, enquanto o primeiro só muda em casos de demissões e novas contratações, o segundo é variável.
Ainda no exemplo do cargo de gerente, entre 2015 e 2016 houve uma retração de 0,5% no salário nominal e de 9,45% na remuneração total, o que indica que as metas não foram alcançadas. Já em 2017, o cargo teve um aumento de 13,11% no salário nominal e de 30,68% na remuneração total, graças a resultados mais positivos.
Esse aumento expressivo na remuneração total fica restrito aos cargos mais elevados, como é possível observar no gráfico. Os gerentes em geral são menos suscetíveis a diminuições de salário – exceto em casos de demissão – e tendem a ser valorizados com bônus e extras, pela participação direta nos resultados.
O estudo demonstra que existem práticas de mercado nas quais a tendência é “minimizar o salário nominal e reforçar a remuneração total”, já que ela varia de acordo com metas que dependem dos funcionários. A possibilidade de maiores ganhos inclusive pode ser um incentivo à equipe.
Por outro lado, essa variação isenta a empresa de fixar salários mais altos desde o início, o que aumenta o risco de evasão de posições estratégicas ou até mesmo as operacionais que demandam formação e treinamento intensivo, que ainda são escassas no campo.
Conforme Ruivo, não é possível esperar grandes resultados e, consequentemente, maiores lucros se não há treinamento e investimento nos funcionários. “Temos que mudar a atitude, resolver problemas, criar processos e treinar a equipe. É um gasto, sim, mas com ele é possível diminuir custos. Se não há investimento em desenvolvimento e em conhecimento, a usina nunca vai sair do lugar”, afirma o presidente.
Rafaella Coury - NovaCana