Os futuros de açúcar demerara surpreenderam ontem e dispararam mais de 2% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os ganhos destoaram das perdas observadas em outros mercados por causa das turbulências na China. De acordo com analistas, a commodity foi influenciada por uma correção técnica e também pela perspectiva de um déficit maior do que o previsto na safra global 2015/16.
"Vários fatores já tinham sido detectados, e os números maiores de déficit devem começar a aparecer", afirmou Michael McDougall, diretor de Commodities do Société Générale, à Dow Jones Newswires. Ontem, por exemplo, a Datagro elevou sua projeção de déficit para 3,87 milhões de toneladas, de 2,57 milhões previstas em outubro. Por ora, as estimativas para a atual temporada vão de déficit de 2,5 milhões a 8,2 milhões de toneladas, mas alguns participantes já consideram números além desses.
"Entre os fundamentos das projeções estão aumento nos custos de produção da commodity, a baixa nos preços mundiais, fatores climáticos e demanda global recorde por açúcar", explicou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) em relatório sobre o mercado divulgado ontem. Para o Cepea, a tendência é de firmeza para as cotações internas do alimento, atualmente já no maior patamar desde 2012.
Além disso, agentes comentaram que a valorização de ontem foi uma correção técnica às perdas observadas nos dias anteriores. Hoje a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) atualiza o commitments até o dia 5 de janeiro, com expectativa de manutenção do saldo comprado em torno de 200 mil lotes.
Graficamente, os futuros voltaram a ter suporte em 14,50 cents/lb. O nível se mostra firme para os contratos, indicando que abaixo dele a demanda por demerara é consistente. A resistência inicial retornou aos psicológicos 15 cents/lb.
Março subiu 33 pontos (2,29%) e fechou a quinta-feira em 14,75 cents/lb, com máxima de 14,95 cents/lb (mais 53 pontos) e mínima de 14,33 cents/lb (menos 9 pontos). Maio avançou 33 pontos (2,34%) e terminou em 14,45 cents/lb. O spread março/maio permanece em 30 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 82,95/saca, alta de 0,23% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,51/saca (-0,44%).
