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Peletização do bagaço e da palha da cana: restrições e oportunidades

Peletização de bagaço de canaO assunto vem sendo discutido na região de Sertãozinho (SP) há cerca de um ano, quando iniciaram sondagens para a produção de pellets a partir da palha da cana
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Peletização de bagaço de cana Atualmente há 11 empresas brasileiras neste segmento, e outras três que devem iniciar suas atividades nos próximos anos. Os testes com bagaço de cana existem, e, entre as fábricas, uma utiliza...

Peletização de bagaço de canaA produção de pellets para o aproveitamento do bagaço de cana-de açúcar é mencionada vez por outra como alternativa para agregar valor à biomassa. O produto obtido pela secagem e compressão de matéria orgânica possui formato granulado e é utilizado como energia. No Brasil esta indústria surgiu em 2001, mas na Europa e nos Estados Unidos o material é largamente utilizado desde a década de 80. "A indústria nacional vem se desenvolvendo lentamente, não é estabelecida como em países europeus, por exemplo, onde se compra pellets no posto de gasolina e supermercado", explica o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pellets (Abipel) e engenheiro industrial, Dorival Pinheiro Garcia.

Entre os destinos comuns para os pellets está o fornecimento de energia térmica para indústrias, em hotéis e parques para o aquecimento da água e o uso comercial em fornos de pizzarias. "Atualmente não temos produção em volume suficiente para exportação, portanto a produção mira o mercado interno ainda. Mas grandes empresas anunciaram investimentos em plantas industriais com este objetivo. É uma boa possibilidade de investimentos", menciona Garcia.  O biocombustível tem vantagens energéticas como o alto poder calorífico e a ausência de fumaça.  Tradicionalmente o resíduo de madeira é a matéria-prima mais empregada, mas o bagaço e a palha da cana também tem potencial para utilização desta indústria.

Canoeste estuda peletização da palha

Na Associação dos Plantadores de Cana da Região Oeste do Estado de São Paulo (Canoeste) o tema tem influência no debate sobre a remuneração da biomassa aos produtores independentes.  O assunto vem sendo discutido na região de Sertãozinho (SP) há cerca de um ano, quando iniciaram sondagens para a produção de pellets a partir da palha da cana. "É um campo em que a gente precisa estar atento, isso vai virar possibilidade em breve", projeta o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan. De acordo com Ortolan, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, através da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) analisa a possibilidade de apoio a um eventual empreendimento. Mesmo assim, não é possível precisar quando o projeto vai sair do papel. Sobre a fase atual, a entidade informa que "o projeto ainda está em fase de estudos e avaliações mais criteriosas para uma possível viabilidade".

Até dois terços da palha poderiam ser retiradas da lavoura e usadas como matéria-prima. Entre os benefícios, a peletização evitaria a queima da palha, a proliferação de pragas no canavial e promoveria a remuneração ao produtor. Esse movimento favoreceria o retorno do capital para investimentos no campo, em reforma de canavial e compra de insumos. Além das máquinas peletizadoras, é necessário equipamento específico para recolher a matéria no campo.

Alta dos custos no bagaço

Com base nas experiências já consolidadas, a biomassa de cana é vista com restrições pelo presidente da Abipel. Atualmente há 11 empresas brasileiras neste segmento, e outras três que devem iniciar suas atividades nos próximos anos, de acordo com os dados da entidade. Embora existam alguns testes, entre as fábricas que estão em atuação apenas uma utiliza o bagaço de cana, mas por um período limitado. A unidade situada na região paulista de Bauru está em fase de adaptação do maquinário e passará a utilizar exclusivamente os rejeitos de madeira, devido ao sensível aumento no preço do bagaço nos últimos cinco anos, relata o presidente da Abipel. "Na época [em que se iniciou a fabricação de pellets a partir do bagaço] o custo ficava em cerca de R$ 10,00 a tonelada, mas hoje este custo subiu para cerca de R$ 80,00", conta.

Como hipótese mais provável para a escalada dos preços está o surgimento de novos usos para a biomassa que até pouco tempo era um rejeito da indústria sucroalcooleira. Além disso, o gargalo do processo de peletização está na secagem da biomassa, etapa que é mais cara no caso do bagaço. "Eu vejo com restrições [o uso do bagaço], não acho um negócio muito lucrativo. Há aplicações muito mais rentáveis do que transformar em pellets". Para o engenheiro industrial, a cogeração de energia ou o etanol celulósico devem oferecer mais rentabilidade para esta biomassa.

Porém, se a unidade industrial estiver integrada ao local onde há grande excedente de bagaço o negócio pode ser mais promissor desde que o maquinário seja eficiente. "Se tem um usineiro com muito bagaço, ele precisa ter alta tecnologia", alerta Garcia.

Lignina: possibilidade futura

A segunda geração, com o desenvolvimento de novos processamentos para a fibra da cana, pode ajudar a viabilizar a peletização. No caso do etanol celulósico, ou 2G, que também utiliza a biomassa, a lignina proveniente do exterior do colmo tem a degradação mais difícil e desfavorece o processo de segunda geração. Ao mesmo tempo, ela é mais eficiente para a produção de pellets por tratar-se da fração mais dura e seca do bagaço. "Pode-se utilizar a lignina com a vantagem de ter poder calorífico maior que outros componentes proporcionando um poder energético alto", diz Garcia.

Contudo, será necessário averiguar qual uso trará mais rentabilidade para este pedaço da biomassa. Conforme o engenheiro industrial, já existe pesquisas sobre a utilização da lignina no caso da madeira. Porém, as empresas de celulose e papel atualmente destinam o subproduto para geração de energia térmica apesar da baixa eficiência na queima, quando comparado ao pellet.

Amanda SchArr – NovaCana
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