Milho

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No Paraná, produtores calculam perdas no milho por causa da onda de calor

Especialista do Deral, órgão ligado ao governo do estado, pondera que problema é localizado e não compromete a expectativa total de produção do cereal


Globo Rural - Publicado: 20 Mar 2024 - 15:52

A onda de calor que atua sobre o Brasil há uma semana, principalmente no Centro-Sul do país, mantém as temperaturas em patamares extremamente elevados. O estado de Mato Grosso do Sul, além de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os mais afetados, mas os reflexos também são sentidos no Sudeste e no restante do Centro-Oeste.

No Paraná, produtores de milho já calculam a redução de potencial produtivo, especialmente no norte do estado. Agricultor no município de Floresta, Romildo Bueno afirma que a perda de produtividade na sua região deve ser de 20% a 25%. O agricultor planta 400 hectares do cereal.

Bueno afirma que outras regiões como Paranavaí, Querência do Norte, Santa Cruz e Umuarama também estão sofrendo com a seca e o forte calor. “Aqui no norte do Paraná não tem chovido, está muito seco e a cada dia que passa a perda aumenta”, afirma.

Segundo o produtor, o calor é o principal problema atualmente, e depois, a falta de chuva. “Porque se fosse só calor, mas com terra molhada, a perda seria mínima, porque o milho aguentaria”, explica.

Se o agricultor em Floresta está esperando por chuva, as previsões não são otimistas. A plataforma FieldPRO indica a incidência de baixos volumes até o fim da semana. Os maiores volumes devem cair na quinta-feira, 21, à tarde, mas, ainda assim, serão menos de 10 milímetros.

Em Palotina, Ronaldo Vendrame também faz as contas do prejuízo com o calor excessivo e espera perdas de, pelo menos, 15% nas suas lavouras de milho. “A margem já está indo”, diz.

“Todas essas regiões estão sentindo fortemente esse calor, com muitas áreas da região central do Brasil em pleno trabalho de campo, com andamento da soja e instalação do milho segunda safra. Embora esse período favoreça os trabalhos em campo, todas as lavouras estão sofrendo”, afirma a meteorologista da Nottus, Desirée Brandt.

Neste momento, o fenômeno El Niño está em período de enfraquecimento. Brandt pontua, no entanto, que seus efeitos ainda são sentidos. “Um desses efeitos é cortar a chuva de forma antecipada em 2024”, explica, referindo-se ao norte paranaense.

“Para o milho segunda safra, quanto mais atrasado, maior o risco de se perder produtividade. Há uma chuva prevista para a próxima semana que até vai beneficiar o milho plantado, mas o corte é uma realidade”, acrescenta Alexandre Nascimento, também da Nottus.

Dos 2,4 milhões de hectares plantados com o cereal no Paraná, 93% encontram-se em situação boa e 7% em condição mediana, onde pode ou não atingir o potencial produtivo, de acordo com o analista Edmar Wardensk Gervásio, do Departamento de Economia Rural (Deral).

O especialista afirma que, neste momento, os problemas relatados pelos produtores são localizados e não comprometem a expectativa de produção no estado. “Apesar do calor intenso dos últimos dias, ainda temos chuvas, mesmo que isoladas. O problema maior que poderia acontecer seria uma estiagem longa, o que segundo a meteorologia não se desenha no momento”, afirma.

Gervásio pondera que a região norte do Paraná ainda está plantando a safra. Boa parte da área ainda está dentro do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e, caso o produtor tenha condições, pode optar pelo replantio.

Marcos Fantin