Muitas regiões do Paraná passaram por quase 60 dias sem chuvas e isso impactou diretamente a condição das lavouras da segunda safra de milho no estado. Atualmente, apenas 23% das áreas são avaliadas como boas, enquanto em 2019 (ano de referência na produção) este índice era de 88%.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná (Aprosoja-PR), Márcio Bonesi, a perda estimada para a produção já é de mais de 40% e pode ficar ainda maior nos próximos dias. Isso porque as chuvas registradas nos últimos dias e previstas para o fim de semana não serão suficientes para amenizar a situação.
Ele aponta que algumas regiões do estado, como o Sudeste, receberam chuva primeiro, plantaram mais cedo e ainda devem registrar bons índices de colheita. Já em outras, áreas plantadas fora da janela ideal, já em 20 de março, só foram receber precipitações em 20 de maio.
Outro temor dos produtores é a possibilidade de geadas atingirem as lavouras no final do ciclo, uma vez que o plantio mais tardio aumenta consideravelmente este risco.
Do lado do mercado, apesar de preços elevados no momento, o cenário também não é positivo. Bonesi alerta para a possibilidade de muitos contratos fechados antecipadamente ficarem arriscados de não cumprimento devido às grandes perdas de produção.
Guilherme Dorigatti