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Para o diretor-presidente da Tereos, agronegócio terá de crescer em produtividade, não em terras


Exame - Publicado: 21 Dez 2021 - 08:15

A francesa Tereos, produtora de açúcar e etanol, lançou nesta semana seu primeiro relatório de sustentabilidade no Brasil; o grupo já publica um relatório global. Em entrevista à Exame, o diretor-presidente da empresa no país, Pierre Santoul, afirmou que, antes de pensar em divulgar ao mercado as iniciativas sustentáveis da companhia, o objetivo do relatório é mostrar aos funcionários a importância do tema.

“Precisamos subir o nível de conscientização da empresa. Seremos avaliados externamente a partir de critérios ESG [sigla em inglês para fatores ambientais, sociais e de governança], por isso a necessidade de um forte engajamento”, disse Santoul. A transição para a economia de baixo carbono impõe desafios para a empresa, que opera sete usinas de cana-de-açúcar no Brasil, todas em São Paulo.

Segundo Santoul, será cada vez maior a exigência por modelos de produção de baixa emissão. “O agronegócio terá de crescer em produtividade e tecnologia, não há espaço para aumento de terras utilizadas”, diz ele.

Com a mudança da matriz energética do setor de transportes, há também o desafio de garantir que o etanol seja reconhecido como uma solução para a descarbonização da mobilidade, em conjunto com o carro elétrico. “Qualquer pessoa séria em relação ao tema sabe que não vamos chegar ao carbono zero com uma solução única”, afirma o diretor-presidente.

A companhia também tem apostado em financiamentos verdes, atrelados a metas de sustentabilidade. Na safra 2020/21, o valor desses financiamentos chegou a R$ 1 bilhão de reais. No primeiro trimestre deste ano, subiu para R$ 1,5 bilhão.

Crise energética eleva preços do etanol e do açúcar

Principais negócios da Tereos, os mercados de açúcar e etanol estão fortemente pressionados pela crise energética que afeta boa parte do planeta. Em outubro, o açúcar atingiu a maior cotação em quatro anos. Lidando com uma alta intensa no preço dos combustíveis, Brasil e Índia, dois dos maiores produtores da commodity, tiveram de aumentar a produção de etanol, reduzindo a oferta do adoçante.

“O mercado interno de etanol e o mercado internacional de açúcar disputam a cana brasileira”, disse o chefe de pesquisa de alimentos e agronegócios da América do Sul Rabobank, Andy Duff, em entrevista à agência de notícias Bloomberg. A Índia ainda planeja incluir na gasolina uma mistura de 20% de etanol, como uma forma de incentivar a produção do combustível no país, fortemente dependente de petróleo externo. A estratégia pode resultar numa queda na produção de açúcar refinado em 2022.

Para Santoul, o cenário é favorável para expandir a indústria sucroalcooleira em outros segmentos, como os de produção de energia e de biogás. “A grande oportunidade está na vinhaça [subproduto da moagem da cana], de onde podemos extrair o biogás”, define o diretor-presidente.

Rodrigo Caetano