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Panorama de usinas e produção de etanol no Paraguai

usina paraguai 250814Com a 13ª usina sendo inaugurada ainda este ano, o país vizinho produz etanol com rentabilidade
NovaCana 7 min de leitura
Se no Brasil a situação econômica das usinas está complicada, o mesmo não se pode dizer dos usineiros paraguaios. O país vizinho, que este ano até ja exportou etanol para o Brasil, ampliará sua capacidade produtiva com a inauguração da sua 13ª usina.

Embora seja difícil determinar com precisão, fontes do departamento de agricultura dos EUA indicam que em 2015 metade do etanol será produzido a partir de cana-de-açúcar e a outra metade de outros grãos, principalmente milho e algum sorgo.

Todas as usinas processam cana, mas só 9 delas têm capacidade para processar também outros grãos (trabalhando, basicamente, um semestre com cada matéria-prima).

Para a maioria das usinas, o negócio é rentável, especialmente com o uso de grãos como matéria-prima. Os preços da cana são altos, mas a Petropar, estatal petroleira, aceita pagar esse preço aos pequenos produtores de cana como forma de estímulo governamental.

Confira a seguir um panorama geral do mercado produtivo paraguaio.

Se no Brasil a situação econômica das usinas está complicada, o mesmo não se pode dizer dos usineiros paraguaios. O país vizinho, que este ano até ja exportou etanol para o Brasil, ampliará sua capacidade produtiva com a inauguração da sua 13ª usina.

No final do mês passado o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou um relatório traçando um panorama geral do mercado de biocombustíveis do Paraguai. Os trechos sobre o etanol estão disponíveis na íntegra a seguir.

Setor produtivo

A previsão para a produção de etanol no Paraguai em 2015 é de 225 milhões de litros, um recorde histórico. Isso é resultado do crescimento nas vendas de gasolina e de um provável aumento no teor de etanol na gasolina. Atualmente o teor é de 25%, mas, segundo fontes locais, pode chegar a 27,5% num futuro próximo, a exemplo do Brasil.

Em 2015 haverá 13 usinas de etanol de médio e grande porte operando no Paraguai. Após vários anos sem nenhuma nova inauguração, uma das maiores fabricantes de etanol deve inaugurar em 2014 uma segunda planta no norte do país, em Amambay — primeira do estado, fronteiriço com o Mato Grosso do Sul.

Embora seja difícil determinar com precisão, fontes indicam que em 2015 metade do etanol será produzido a partir de cana-de-açúcar e a outra metade de outros grãos, principalmente milho e algum sorgo. Todas as 13 usinas processam cana, mas só 9 delas têm capacidade para processar também outros grãos (trabalhando, basicamente, um semestre com cada matéria-prima). Alguns anos atrás, a produção de etanol vinha quase toda da cana. A maioria das refinarias produz parte da cana que utiliza, enquanto a Petropar, petrolífera estatal, adquire cana exclusivamente de terceiros. O alto preço da cana, aliado à baixa produtividade nas fazendas e nas fábricas, fez com que vários fabricantes de etanol passassem a trabalhar com um mix de matérias-primas, ampliando o uso de milho. Em geral, o milho usado para etanol não é de qualidade muito boa. Os grãos dos usineiros são destinados para ração animal no mercado doméstico e também exportados.

São oito usinas de açúcar no Paraguai, sendo que duas delas possuem destilarias para produzir etanol anidro. Outras duas destilarias produzem etanol hidratado. Existem 12 destilarias autônomas e 10 usinas de desidratação. Apesar de ser uma empresa relativamente nova, a Inpasa já produz mais de 60% do etanol paraguaio. Utiliza principalmente milho e, em menores proporções, sorgo e cana. A Petropar é a segunda maior fabricante de etanol do país, respondendo por aproximadamente 15% da produção nacional.

O Paraguai possui em torno de 110 mil hectares de canaviais e conta cerca de 23 mil a 25 mil pequenos produtores de cana. A produtividade é baixa em comparação com as nações vizinhas devido ao uso de terras marginais, com solo degradado, e de variedades de cana antigas e menos produtivas. Existem programas tanto oficiais como privados voltados para a resolução desse problema.

Nos últimos anos, a produção de milho no Paraguai oscilou entre 2 e 3 milhões de toneladas, sendo 60% a 70% exportado sem agregação de valor. O restante é usado internamente, destinado ao consumo humano e à fabricação de ração animal e etanol (milho de menor qualidade).

Produção

Projeta-se uma capacidade produtiva de 290 milhões de litros para 2015, resultado do acréscimo da planta em Amambay ainda em 2014. A expectativa é que essa planta utilize cana-de-açúcar e grãos. As empresas de etanol investem continuamente em aumento de eficiência e da capacidade produtiva, expansão da área plantada e maior produtividade na lavoura.

A maioria das empresas do setor de etanol está em boa situação financeira, uma vez que o negócio é rentável, especialmente com o uso de grãos como matéria-prima. Os preços da cana são altos, mas a estatal petroleira aceita pagar esse preço aos pequenos produtores de cana como forma de estímulo governamental.  O etanol das usinas é vendido às empresas de combustível a uma média de US$ 0,87/litro, enquanto o E25 na planta custa aproximadamente US$ 1,09. Nos postos de combustível, o E25 sai atualmente por US$ 1,70/litro.

Consumo

O consumo de etanol no Paraguai tem uma projeção para 2015 de recordes 225 milhões de litros. Tal projeção resulta de um esperado aumento nas vendas de gasolina e de um provável aumento no teor de etanol na gasolina, de 25% para 27,5%, copiando o que deve acontecer no Brasil num futuro próximo. A maior parte do etanol vendido no Paraguai é anidro.

A projeção para o mercado de gasolina no Paraguai em 2015 é de 734 milhões de litros (incluindo o etanol), um pequeno aumento em relação ao esperado para 2014. Praticamente toda a demanda é para uso em veículos privados. Historicamente, o diesel responde por 80% e a gasolina por 20% de todo o combustível consumido no país. Com as novas políticas em vigor, a importação (não taxada) de E85 e carros flex, e a crescente conversão de motores existentes para flex, a participação da gasolina (e, portanto, do etanol) está crescendo. Atualmente, a estimativa é que a proporção já esteja mais próxima de 63/37. O uso de carros flex e do E85 promoveu o uso da gasolina E85, que em 2015, espera-se, deve alcançar entre 13 e 16 milhões de litros.

Um crescimento alto no consumo de etanol no Paraguai estará vinculado a uma maior utilização de carros flex, que hoje representam 3% do total de 800 mil carros circulando no país. Segundo fontes, porém, uma campanha promocional deverá ser levada ao ar, explicando as vantagens da tecnologia flex e a garantia de qualidade do produto. Algumas projeções privadas para 2020 preveem o consumo de etanol anidro em 450 milhões de litros, e do etanol hidratado (usado em veículos flex) em 200 milhões de litros.

Comércio exterior

O Paraguai não comercializa etanol com outros países em volumes significativos. As exportações são permitidas e sobre as importações não incide imposto, mas é preciso a chancela do Ministério da Indústria e Comércio. Segundo fontes, é improvável que ocorra alguma importação. Quanto à exportação, há sempre conversas sobre o interesse em explorar a abertura de mercados para pequenas remessas em certas épocas do ano, mas o potencial no curto prazo é irrisório.

Mais informações
O documento completo, com detalhes adicionais sobre o mercado de biodiesel pode ser acessado aqui (.pdf)

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ovaCana.com
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