Vanuatu intensificou o alerta para fazer com que o mundo se concentre no combate ao aquecimento global, pedindo um tratado de não proliferação de combustíveis fósseis
Os países que estão na linha de frente da crise climática estão fartos. Durante a reunião anual de líderes mundiais na Assembleia-Geral da ONU nesta semana, o país insular de baixa altitude Vanuatu intensificou o alerta para fazer com que o mundo se concentre no combate ao aquecimento global, pedindo um tratado de não proliferação de combustíveis fósseis.
“O tempo acabou – a ação é necessária agora”, disse o presidente de Vanuatu, Nikenike Vurobaravu, à Assembleia-Geral da ONU na sexta-feira, 23.
O tratado visaria reduzir a produção de carvão, petróleo e gás para limitar o aumento das temperaturas aos 1,5 graus Celsius acordados globalmente. O pacto também “permitiria uma transição global justa para todos os trabalhadores, comunidades e nações dependentes de combustíveis fósseis”, disse o líder do país cujo saldo em carbono é negativo.
O painel de ciências climáticas da ONU – o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – alertou que as emissões globais estão a caminho de ultrapassar o limite de aquecimento de 1,5°C para atingir cerca de 3,2°C até o final do século.
Vanuatu também pediu à Corte Internacional de Justiça que emitisse um parecer sobre o direito de ser protegido dos impactos adversos das mudanças climáticas, um movimento que Vurobaravu disse “não é uma bala de prata para aumentar a ação climática, mas apenas uma ferramenta para nos levar mais perto do objetivo final de um planeta seguro para a humanidade”.
No Paquistão, enchentes devastadoras neste mês atingiram grandes áreas do país, matando mais de 1,5 mil pessoas e causando danos estimados em US$ 30 bilhões. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, perguntou aos líderes mundiais porque seu povo estava pagando o preço do aquecimento global.
“O Paquistão nunca viu um exemplo mais gritante e devastador do impacto do aquecimento global. A vida no Paquistão mudou para sempre”, disse Sharif à Assembleia Geral. “A natureza desencadeou sua fúria no Paquistão, sem olhar para nossa pegada de carbono”.
Daphne Psaledakis e Michelle Nichols