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“Pai do RenovaBio” rebate Flávio: “Defender uso de fóssil é contra a renda do brasileiro”

As críticas de Flávio Bolsonaro ao aumento da mistura do etanol à gasolina trouxeram a reação imediata do setor produtivo

Money Times 4 min de leitura

As críticas do candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, ao aumento da mistura do etanol à gasolina, trouxeram a reação imediata do setor produtivo e do principal idealizador do RenovaBio, a política nacional para o setor de bicombustíveis.

“É preciso entender que o uso de biocombustíveis tem um efeito multiplicador em várias áreas do agronegócio. Defender o uso de (combustíveis) fósseis não é só estar desalinhado com o problema climático, como é contra a geração de renda para os próprio os brasileiros”, afirmou Miguel Ivan Lacerda Oliveira, ex-diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia (MME) e idealizador do RenovaBio, ao Money Times.

Segundo Oliveira, que também dirigiu o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) durante o governo de Jair Bolsonaro, a ampliação do uso de renováveis na matriz energética do país “é estratégica, traz renda e desenvolvimento regional e é uma plataforma de redução da dependência externa em caso de choques externos como guerras ou crises mundiais”.

Em julho, uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou para 32% o porcentual obrigatório do anidro à gasolina por 180 dias, prorrogáveis por igual período. A medida foi tomada para mitigar os efeitos da alta do petróleo ocorrida após a guerra entre Estados Unidos e Irã e para favorecer a indústria brasileira, que reclamava dos preços pouco remuneradores e dos altos estoques.

Em live semanal na quinta-feira, 21, Flávio Bolsonaro disse que a elevação de 30% para 32% do anidro à gasolina terá que ser discutida em seu eventual mandato como presidente e atacou o governo federal, comandado pelo seu adversário, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Vai comprar um rolo de papel higiênico, que era de 40 metros, hoje tem 36. Caixa de Bis, que vinha com 20, agora vem com 16. Dúzia de ovos passou a ter dez. A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo está poupando”, afirmou.

Reação

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e outras entidades do setor do biocombustível divulgaram um comunicado conjunto na sexta-feira, 21, repudiando as falas de Flávio Bolsonaro.

Dados da Unica divulgados em junho, quando a mistura do anidro ainda estava em 30%, apontavam que a elevação para 32% evitaria a importação de 450 milhões de litros de gasolina por ano.

No seu plano de governo, divulgado há uma semana, o candidato do PL defendeu o aumento de investimentos na produção de biocombustíveis para manter o Brasil como protagonista global no mercado.

Único candidato do agronegócio

Na Agrishow deste ano e em outros eventos mais reservados do setor produtivo, fica claro que a bandeira e a união do agronegócio giravam em torno de um único nome na corrida ao Planalto: Flávio Bolsonaro.

Durante o AgroTalk Show 2026, o ex-presidente e atual secretário do Sindicato Rural de Ribeirão Preto (SP), Paulo Junqueira, apoiador declarado de Bolsonaro e cuja fazenda, no município paulista, recebeu diversas vezes o ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro como seu candidato.

Além disso, o advogado e produtor rural fez um apelo aos presentes no evento, que antecedeu a Agrishow 2026, para que priorizassem o uso de etanol em vez da gasolina. Segundo Junqueira, pagar mais caro pelo biocombustível seria justificável diante dos benefícios ambientais e do impacto positivo do etanol sobre a cadeia produtiva nacional.

No mesmo evento, em abril deste ano, Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de política econômica no governo de Jair Bolsonaro, também defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro.

“Vamos ganhar a eleição e, em um ano e meio, arrumamos o Brasil”, afirmou o ex-ministro, que, nesta semana, foi integrado à equipe de campanha do candidato do PL à Presidência. Sachsida também reforçou, na ocasião, a necessidade de aproximar mais a Faria Lima do agronegócio.

Aliados em alerta

Aliados de Flávio Bolsonaro ouvidos pela reportagem classificaram o candidato como mal-informado sobre a questão do biocombustível e, assim como representantes do setor, lamentaram as falas do senador.

“Faltou alguém para explicar para ele entender”, disse um ex-ministro de Jair Bolsonaro a um interlocutor. “Faltou assessoria e bom senso”, reforçou.

Gustavo Porto e Pasquale Augusto

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