Carro elétrico

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“Os carros elétricos são um caminho sem volta”, diz CEO da Porsche no Brasil


Bloomberg - Publicado: 15 Jun 2026 - 09:53

Quando o engenheiro escocês James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor no século 18, ele teve que convencer os industriais a substituir os cavalos por seu produto. Para ter uma unidade de comparação compatível com a realidade da época, foi cunhado o termo horsepower (hp) – ou cavalo-vapor (cv), na tradução para o português.

O termo é usado até hoje na indústria automobilística. No entanto, os cavalos já não são mais usados como meio de transporte ou de força – exceto no esporte.

Na visão do CEO da Porsche do Brasil, Peter Vogel, a analogia pode ser aplicada ao processo de eletrificação no mercado automotivo.

“Os elétricos são um caminho sem volta. Os últimos carros a combustão a persistir serão provavelmente os de corrida”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea, durante evento recente de inauguração do espaço Tempo By Porsche, em São Paulo.

O conceito de horsepower, segundo Vogel, permeou o processo criativo do fundador da própria Porsche – não à toa o símbolo da marca é um cavalo.

Ele afirma que as novas montadoras que estão chegando ao mercado não têm a mesma tradição da Porsche. “Conseguimos oferecer o que vem da nossa história, especialmente das competições. As outras marcas não têm 50 anos de corridas”, afirma.

Em meio ao avanço acelerado dos carros elétricos, com destaque para marcas chinesas como a BYD, Vogel observa que a Porsche mantém um portfólio que atende a todos os consumidores. “Temos excelentes carros elétricos, especialmente agora com o Cayenne, e outros a combustão tão bons quanto, como o 911”, diz.

Em sua avaliação, é o consumidor que decide: a demanda não pode ser de “cima para baixo” e, para ser bem-sucedido na estratégia, é preciso oferecer de tudo. “Nós, como companhia, faremos o que o cliente demandar, mas a tendência é clara. O mercado caminha para elétricos, ainda que, talvez, um pouco mais devagar do que esperávamos”, completa.

Neste contexto, Vogel diz que a indústria dispõe de inúmeras possibilidades, incluindo combustíveis sintéticos, livres de emissões de CO2. “Agora, muitas empresas estão olhando para isso. Existe uma responsabilidade ambiental, nós temos essa responsabilidade e precisamos mudar”, ressalta.

Juliana Estigarríbia