Cana: Mercado

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Orplana pede urgência na melhora da precificação da cana

Segundo a entidade, falta de revisão no sistema Consecana tem desestimulado produtores e causado perdas; Consecana São Paulo é o que pior remunera produtores


Orplana - Publicado: 14 Set 2023 - 15:27

Uma reivindicação antiga da Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) é a revisão efetiva nos produtos vendidos pelos produtores de cana. Atualmente, segundo a entidade, o principal pedido é por uma melhor precificação da cana por parte do Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana).

De acordo com a Orplana, o valor pago neste momento – US$ 26 por tonelada – fica aquém dos custos de produção e está na retaguarda da tabela mundial.

Conforme o levantamento da organização, os Estados Unidos é o país que melhor remunera os produtores de cana-de-açúcar no mundo, pagando US$ 41,30 por tonelada. Na sequência, a Turquia aparece em segundo lugar com US$ 41,10.

Por sua vez, o Brasil aparece com precificações diferentes conforme o estado. Segundo a entidade, o Consecana de Pernambuco é que melhor valor paga – US$ 38,34 por tonelada de cana, com os efeitos do açúcar.

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“É crucial que a metodologia seja revisada. Outras culturas como soja, amendoim e milho estão tendo rendimentos melhores. Enquanto a cana, no modelo Consecana, tem resultado em déficit para o produtor, a soja e amendoim têm um resultado melhor”, argumenta o CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira. “Infelizmente alguns dos produtores não computam todos os custos envolvidos na atividade e irão perceber depois o impacto em seu negócio”.

De acordo com Nogueira, o levantamento dos preços globais foi realizado com a participação de várias associações mundiais de produção de cana dentro do Congresso Internacional WABCG (Associação Mundial de Produtores de Cana e Beterraba Açucareira), realizado em Cali, na Colômbia, em junho deste ano.

“Conseguimos várias informações relevantes mostrando como se paga a cana no mundo. Agora, precisamos avançar e conseguir resultados satisfatórios no Brasil”, detalha o CEO, que calcula que a defasagem esteja próxima de um reajuste de 25% a 30% do valor pago atualmente.

Com isso, a Orplana defende que medidas para apresentação de uma nova precificação da cana se mostram urgentes. “As usinas têm conseguido estar bem remuneradas com incentivos fiscais ou regulatórios que não participam dentro do modelo [do Consecana] e a Orplana observa o preço da cana ao redor do mundo. Os Estados Unidos lideram e remuneram inclusive o bagaço. Infelizmente, o nosso modelo ainda é inferior”, lamenta.

Indignação no setor

Segundo a Orplana, há uma defasagem entre os custos de produção estimados pelo conselho e os custos sentidos pelos produtores. Assim a entidade busca a revisão dos parâmetros técnicos e econômicos, resultando em uma nova precificação da cana.

O representante da organização lembra também do encerramento do prazo para revisão dos dados técnicos e econômicos e a apresentação desses resultados. Segundo regulamento do Consecana, isto deveria acontecer a cada cinco anos, mas a última revisão foi em 2018.

De acordo com ele, sem as correções necessárias e que atendem às altas registradas no mercado, a Orplana apenas pode reforçar o sentimento dos produtores de cana-de-açúcar: indignação.

Ainda segundo Nogueira, há a migração para outras culturas consideradas mais rentáveis. “Não é natural em uma cadeia produtiva que um elo cresça e outro caia, como está acontecendo com os produtores de cana”, afirma o CEO.