Política

Política

Operação Sem Refino investiga Cláudio Castro e Ricardo Magro, dono da Refit

Polícia Federal apura fraudes fiscais e evasão de recursos pela Refit, a antiga refinaria de combustíveis de Manguinhos; grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país


G1 - Publicado: 18 Mai 2026 - 09:04

A Polícia Federal deflagrou na sexta-feira, 15, a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

Um dos alvos da operação foi o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, acusado pelos investigadores de usar a estrutura do estado para beneficiar o grupo empresarial comandado por Ricardo Magro, dono da Refit. Agentes fizeram buscas no apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O empresário Ricardo Magro teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como ele mora em Miami, nos Estados Unidos, já é considerado foragido. O STF também pediu a inclusão do nome dele na lista da Interpol – mecanismo internacional para captura de foragidos.

A PF suspeita que servidores públicos tenham recebido benefícios para deixar a Refit operar. O esquema envolveria integrantes da Secretaria Estadual de Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e até membros do Tribunal de Justiça do Rio.

  1. O que é a Operação Sem Refino?
    É uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes fiscais e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a investigação, órgãos do governo do Rio de Janeiro atuaram para beneficiar a empresa, considerada um dos maiores devedores de impostos do país.
  2. Quem foram os principais alvos da operação?
    A operação teve 17 mandados de busca e apreensão e um de prisão. Além de Castro e Magro, também estiveram entre os alvos da PF o desembargador afastado Guaraci Vianna; o ex-secretário estadual de Fazenda, Juliano Pasqual; o ex-procurador-geral do estado, Renan Saad; o ex-presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere; o policial civil Maxwel Moraes Fernandes; e Álvaro Barcha Cardoso, apontado como o operador de pagamentos de propinas a servidores públicos, entre outros investigados.
  3. Por que Cláudio Castro foi alvo da operação?
    Segundo a investigação, Cláudio Castro teria usado a estrutura do governo estadual para favorecer interesses da Refit. A PF afirma que mudanças em cargos estratégicos do governo foram feitas para beneficiar o grupo empresarial.
  4. O que foi apreendido na casa de Castro?
    Agentes fizeram buscas no apartamento do ex-governador, na Península, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Foram apreendidos: um celular; um tablet; e documentos. Castro acompanhou as buscas. “A busca ocorreu sem qualquer contratempo, sem qualquer anormalidade. Ele colaborou com os policiais e agora nós estamos buscando a decisão pra entender melhor o que aconteceu”, disse o advogado de Castro, Carlo Luchione.
  5. Quem é Ricardo Magro?
    Ricardo Magro é o empresário que controla o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Ele teve a prisão decretada pelo STF e é considerado foragido. Segundo a PF, ele mora em Miami, nos Estados Unidos. O STF também determinou a inclusão do nome dele na lista da Interpol.
  6. Por que a Refit é investigada?
    A investigação aponta suspeitas de fraudes fiscais bilionárias e atuação irregular do grupo com apoio de agentes públicos. Segundo a PF, órgãos estaduais ajudavam a empresa a continuar operando e dificultavam a atuação de concorrentes.
  7. O que é a “Lei Ricardo Magro”?
    É como ficou conhecida uma lei criada durante o governo Cláudio Castro para parcelamento de dívidas tributárias. Segundo a PF, a medida teria beneficiado diretamente a Refit, permitindo redução de até 95% da dívida da empresa com o estado.
  8. O que a investigação diz sobre a Secretaria de Fazenda?
    Segundo a PF, a Secretaria Estadual de Fazenda virou uma extensão da estrutura do Grupo Refit, ajudando em atos que facilitavam a sua operação e ao mesmo tempo afastavam as empresas concorrentes. Investigadores tiveram acesso a mensagens entre Álvaro Barcha, apontado como lobista da Refit, e Carlos Eduardo França de Araújo, auditor fiscal que trabalhava na Secretaria de Fazenda. Segundo a investigação, os dois falavam sobre duas empresas que tentavam entrar no mercado e precisavam de inscrição estadual.
  9. Quem é Álvaro Barcha Cardoso?
    De acordo com a investigação, ele atuava como lobista e operador de pagamentos de propina do esquema. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma após a polícia encontrar três armas sem registro na casa dele. Os agentes também apreenderam cerca de R$ 1,1 milhão em dólares e euros, além de carros de luxo.
  10. O que a PF diz sobre Renan Saad?
    A PF afirma que, a pedido de Castro, o ex-procurador-geral do estado sustentou que a paralisação da Refit – interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na Operação Cadeia de Carbono – comprometeria a arrecadação de um estado em Regime de Recuperação Fiscal e ameaçaria o cronograma de pagamento do parcelamento da dívida firmado pela empresa.
  11. Qual é a relação do Inea com o caso?
    Segundo a investigação, o Inea concedeu licenças ambientais à Refit contrariando pareceres técnicos. O então presidente do órgão, Renato Jordão Bussiere, também foi alvo da operação. A PF diz ainda que o Inea também se opôs à determinação da ANP de esvaziar todo o estoque da refinaria quando ela foi interditada em setembro do passado.
  12. Por que um desembargador é investigado?
    Segundo a PF, o desembargador Guaraci Vianna determinou a desinterdição da refinaria, além de paralisação do processo de transbordo do combustível apreendido. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a decisão, considerando-a ilegal.
  13. O que foi encontrado na casa de um policial civil?
    Na casa do policial civil Maxwel Moraes Fernandes, agentes encontraram mais de R$ 500 mil escondidos em caixas de sapato. Uma delas continha a seguinte inscrição: “O que é bom a gente guarda”. Ter dinheiro em espécie em casa não é crime, mas é necessário comprovar a origem desses valores.
  14. O que determinou o STF?
    O ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos; a suspensão das atividades das empresas investigadas; e o afastamento de pessoas que ocupam funções públicas.

O que dizem os citados

Nota de Cláudio Castro

“A defesa do ex-governador do Rio Cláudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje [sexta] e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura.

Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes.

É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão.

Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento.

Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao estado.

Cláudio colaborou com a busca, que ocorreu sem qualquer intercorrência, e nada de relevante foi apreendido”.

Nota da Refit

“A Refit esclarece que as questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do estado do Rio de Janeiro.

Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício.

As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo Cade por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população e contribuindo para o aumento da inflação no país.

A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.

A Refit nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas, incluindo aqueles de bandeiras renomadas que integram o Instituto Combustível Legal (ICL) e foram alvos de operações policiais. Ressalta-se ainda que o fechamento da Copape, em meados de 2024, formuladora ligada ao PCC, também foi resultado de denúncias que partiram da Refit às autoridades e à ANP”.

O G1 tentou contato com a defesa dos demais investigados.

Guilherme Peixoto, Marco Antônio Martins, Márcio Falcão, Mariana Queiroz e Rafael Nascimento