Com a operação iniciada em setembro passado, a Bioflex, primeira usina de etanol celulósico do Brasil, registrou um prejuízo de R$ 29,6 milhões em 2014. Em 2013, quando a unidade ainda estava em construção, as perdas foram de R$ 1,8 milhão.
Instalada em São Miguel dos Campos, Alagoas, a produção inicial da unidade está sendo destinada ao mercado local, portanto sem o pagamentos de prêmios, como almeja a companhia. O mercado alvo é a Califórnia, mas devido à problemas na operação, a Bioflex ainda não conseguiu lastro para a exportação.
Apesar da produção no exercício ter sido mínima, a Bioflex informou que conseguiu um custo de produção abaixo do valor recebido. A receita foi de R$ 244 mil e o custo dos produtos vendidos de R$ 166 mil, oferecendo um lucro bruto de R$ 78 mil.
Já o resultado líquido foi impactado, basicamente, pelos altos custos operacionais, R$ 14,5 milhões, uma vez que a usina só funcionou durante cerca três meses em 2014, e pelas despesas administrativas, de R$ 8,1 milhões.
Esses custos, justifica a companhia, “refletem a contabilização de parte relevante dos gastos fixos e despesas de depreciação direto no resultado, em decorrência da baixa utilização de capacidade apresentada pela planta industrial, visto que a mesma encontra-se em processo de escalonamento gradativo da sua atividade de produção”.
Em 31 de dezembro, a empresa possuía R$ 38,2 milhões em estoque, a maior parte, R$ 21,7 milhões, referente à matéria-prima (palha da cana) armazenada e apenas R$ 4,4 milhões em etanol celulósico, produto que se destinava à comercialização no primeiro trimestre deste ano.
A dívida com empréstimos e financiamentos somava R$ 488,5 milhões, crescimento de 65,6% ante os R$ 295 milhões de 2013. A maior parte dos empréstimos está concentrada no longo prazo, são R$ 357,7 milhões, e outros R$ 130,8 milhões com vencimento em 2015.
O atual cronograma de amortização da dívida, prevê o pagamento de cerca de R$ 45,5 milhões anuais de 2016 a 2018. Os vencimentos de 2019 em diante somam R$ 229,9 milhões.
Diante deste cronograma o endividamento da empresa deve continuar crescendo. Há pouco mais de duas semanas a Bioflex captou R$ 80 milhões através de uma emissão de debentures, com prazo de pagamento em três anos. A operação, que só será contabilizada no próximo balanço, deve contribuir para reforçar o fluxo de caixa da companhia.
Considerando caixa e equivalentes, a Bioflex encerrou 2014 com R$ 3,1 milhões, ante R$ 37,3 milhões em 2013.
Outra operação planejada pela empresa é a emissão de debêntures da GranInvestimentos, holding da família Gradin que controla todos os negócios da GranBio e subsidiárias. O objetivo é captar R$ 200 milhões com a operação.
A empresa pretende, assim que conseguir estabilizar a produção, iniciar o aumento da ocupação de capacidade e alcançar a operação plena ao final de 2015. A capacidade instalada é de 82 milhões de litros por ano, sendo 8 milhões de litros mensais a produção máxima esperada.
Além da Bioflex, os planos da GranBio abrangem a instalação de dez novas fábricas de etanol 2G, uma por ano.
Amanda SchArr – novaCana.com