A geração de energia e o etanol celulósico têm sido as alternativas mais consideradas para a biomassa de cana, mas pellets trazem possibilidade interessante para quem tem um perfil exportador
Os pellets produzidos com bagaço e palha de cana estão atraindo o interesse das usinas sucroenergéticas, especialmente depois da iniciativa chancelada pela Cosan Biomassa no segmento.
As usinas brasileiras com perfil exportador olham para o mercado de pellets como uma oportunidade em crescimento. A Cosan Biomassa trabalha com a perspectiva de que o mercado mundial de pellets vai passar de 25 para 40 milhões de toneladas.
Mas, apesar desse mercado ganhar peso graças a migração do carvão para a madeira, os usineiros ainda avaliam com cautela os investimentos. Nesta análise, o mercado japonês surge como um dos principais para a biomassa de cana. O olhar sobre o país fornece ainda elementos mercadológicos importantes sobre a transição do carvão para a madeira.
Depois do acidente nuclear de Fukushima, em 2011, o Japão adquiriu um interesse especial por energia elétrica renovável e a matriz elétrica do país já tem destacado um crescimento dos pellets para geração de energia. A nação asiática possui uma política de energias renováveis atenta às novidades e com normas rigorosas, que incentiva a utilização de biomassa e é receptiva a produtos brasileiros, como o etanol de cana-de-açúcar.
O NovaCana apresenta a seguir um panorama do mercado de pellets do Japão e do mundo, com preços, perspectivas e detalhes de mercado que interessam as usinas brasileiras com perfil exportador.
Nesta reportagem:
- Estimativas para a importação de pellets pelo Japão em 2016 e 2017
- Volume de pellets comprados de cada país
- Preço médio dos pellets por origem
- Histórico e perspectivas para a produção doméstica de pellets no Japão
- Características específicas do mercado japonês de pellets
- Canadá como um país produtor que sabe aproveitar os pellets
- União Europeia também se destaca entre potenciais mercados
- Pellets de cana-de-açúcar: capacidade produtiva da Cosan Biomassa
Os pellets produzidos com bagaço e palha de cana estão atraindo o interesse das usinas sucroenergéticas, especialmente depois da iniciativa chancelada pela Cosan Biomassa no segmento.
As usinas brasileiras com perfil exportador olham para o mercado de pellets como uma oportunidade em crescimento. A Cosan Biomassa trabalha com a perspectiva de que o mercado mundial de pellets vai passar de 25 para 40 milhões de toneladas.
Mas, apesar desse mercado ganhar peso graças a migração do carvão para a madeira, os usineiros ainda avaliam com cautela os investimentos. Nesta análise, o mercado japonês surge como um dos principais para a biomassa de cana. O olhar sobre o país fornece ainda elementos mercadológicos importantes sobre a transição do carvão para a madeira.
Depois do acidente nuclear de Fukushima, em 2011, o Japão adquiriu um interesse especial por energia elétrica renovável e a matriz elétrica do país já tem destacado um crescimento dos pellets para geração de energia. A nação asiática possui uma política de energias renováveis atenta às novidades e com normas rigorosas, que incentiva a utilização de biomassa e é receptiva a produtos brasileiros, como o etanol de cana-de-açúcar.
Atento especificamente a esse mercado, um recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou que as empresas de energia ainda estão em busca de alternativas aos reatores nucleares. Além de pequenas hidrelétricas e de termelétricas movidas a carvão, uma das principais opções tem sido justamente os pellets de biomassa de madeira – que possuem a vantagem da classificação como energia renovável.
Inclusive, a importação de pellets pelo Japão atingiu um valor recorde em 2015, com um total de 232,4 mil toneladas. A expectativa apresentada pelo USDA é que esse número aumente ainda mais com a tendência das usinas em misturar os pellets com o carvão nas termelétricas. Também se estima que o sistema de contrato de oferta padrão para energias renováveis (feed-in tariff) estimule as unidades de geração de pequeno e médio porte (menores que 10 MW) que usam derivados de madeira, incluindo os pellets.

Dessa forma, além das importações de pellets, também tem crescido a demanda por conchas de palmiste, ou palm kernel shells (PKS), que possuem o mesmo uso para o mercado de energia.
“Embora o Japão tenha biomassa em abundância, o país não é capaz de explorar economicamente esses recursos”, aponta o USDA. Segundo os números oficiais consultados para a elaboração do relatório, a produção de pellets de madeira no Japão foi de 126 mil toneladas em 2014. Considerando que havia 142 plantas industriais na ocasião, a escala média de produção de 887 toneladas anuais por unidade foi considerada pequena pelo USDA na comparação com fábricas de pellets dos Estados Unidos e da Europa.

Para efeitos de comparação, é possível considerar que, no mesmo ano, a produção de pellets de madeira no Canadá foi de 1,82 milhão de toneladas. Em 2014, o país possuía 39 indústrias do segmento, de modo que a produção média por unidade foi de 46,7 mil toneladas anuais. Para 2017, a previsão é que a produção canadense chegue a 2,2 milhões de toneladas em 44 plantas (média de 50 mil toneladas por fábrica).

Características do mercado japonês de pellets
Mesmo sendo um mercado pequeno em nível global, o consumo de pellets do Japão tem apresentado um histórico de crescimento alto. Isso acontece porque, em 2002, o governo federal do Japão instituiu uma estratégia nacional para a biomassa. Desde então, cresceu consideravelmente a presença de caldeiras e fornos para pellets tanto em prédios públicos quanto em residências. Contudo, apesar de um avanço no número de indústrias fabricantes desse insumo no país, a baixa escala comercial tem estimulado as importações.
Aproximadamente 60% das fabricantes japonesas de pellets produzem entre 100 e 1.000 toneladas anuais do produto. Em seu relatório referente a 2015, o Ministério de Agricultura, Pesca e Florestas do país apontou essa falta de competitividade e afirmou que a escala de produção precisaria aumentar.
O assunto se tornou ainda mais urgente com o fechamento das usinas nucleares, em 2011, especialmente porque a maior parte dos reatores não foi reativada devido à comoção após o acidente com a unidade de Fukushima. Ainda que o carvão seja a principal opção das termelétricas, os pellets são considerados uma fonte estável.
Preço é o que importa
Nesse caso, a importação é a opção preferida de muitas usinas devido aos preços mais baixos e à política de tarifa zero proporcionada pelo governo. Entre 2014 e 2015, por exemplo, a importação de pellets cresceu 140%, com Canadá (146,2 mil toneladas), China (57,9 mil toneladas) e Vietnã (27,4 mil toneladas) como as principais origens do produto.
Como comparação, no Brasil, a Cosan Biomassa planeja uma produção inicial de 175 mil toneladas.

A liderança do Canadá, segundo fontes da indústria consultadas pelo USDA, é motivada pelos preços competitivos e pela qualidade. Em uma comparação com os valores médios praticados por outros países, é possível ver como o país se distanciou de seu vizinho, os Estados Unidos, sendo capaz de apresentar preços similares aos praticados pelas nações asiáticas, muito mais próximas comercialmente do Japão.

Outros mercados: União Europeia
Mas não é apenas o Japão que é visto como um mercado em potencial para os pellets de biomassa de cana-de-açúcar. A brasileira Cosan Biomassa alega que pretende comercializar seu produto para Coreia do Sul, Estados Unidos e algumas nações europeias. Nesse último caso, a Itália e a Alemanha se destacam como os principais importadores.


Segundo a Comissão Europeia, inclusive, as duas maiores fontes de energia renovável obtidas a partir da biomassa são os pellets de madeira e o biogás. O consumo total de pellets em 2015 foi de 20,5 milhões de toneladas, colocando o bloco como o maior mercado do mundo nesse segmento.

Para os próximos anos, a expectativa é que esse consumo chegue a 22,5 milhões de toneladas em 2017. A expectativa é que os Estados Unidos se mantenham como o principal fornecedor, alcançando um mercado de US$ 1 bilhão em 2020.
Pellets brasileiros
A Cosan Biomassa, joint venture formada pela Cosan e pela japonesa Sumitomo Corporation foi criada com vista ao mercado do país asiático. O Japão já valoriza a cana-de-açúcar por meio de sua política para o etanol, que não aceita outro tipo de matéria-prima. Isso acontece porque o governo estabeleceu seus próprios padrões de sustentabilidade a partir de um estudo da pegada de carbono de toda a cadeia produtiva, de modo que existe uma perspectiva positiva para a entrada do produto de biomassa.
Na época do lançamento da companhia, o presidente da Cosan Biomassa, Mark Lyra, não informou um preço para os pellets de cana, mas disse que eles são “competitivos” com os de madeira. Ainda assim, ele completou: “Esses produtos não vão competir em preço. As empresas que estão olhando para as energias renováveis como um substituto têm ativos alimentados por carvão, que tem um prazo para desaparecer”.
Segundo a companhia, a capacidade produtiva atual é de até 175 mil toneladas por ano. Contudo, a expectativa é que a planta, localizada em Jaú (SP), chegue a fabricar 2 milhões de toneladas até 2025 – desde que os retornos e a demanda se mantenham dentro do previsto.
Uma dessas previsões envolve um crescimento de 60% na demanda global por pellets. “Há uma tendência constante de substituir o carvão e outras fontes poluidoras por fontes renováveis para geração de energia”, afirmou Mark Lyra.
Até o momento, contudo, a empresa não teve a oportunidade de mostrar a que veio no mercado de pellets. Isso acontece especialmente porque a entrada da Sumitomo Corporation ocorreu apenas em fevereiro deste ano. No mais recente balanço financeiro, referente ao período de janeiro a dezembro de 2015, o prejuízo apresentado foi de R$ 12,3 milhões.
Renata Bossle – NovaCana