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Óleo de milho é matéria-prima com prêmio elevado para produção de SAF e HVO

Informações foram divulgadas pela Argus Media durante a nona edição do evento Teco Latin America, promovido pela Novozymes


NovaCana - Publicado: 04 Out 2023 - 17:19

Um dos setores com os maiores desafios para a descarbonização é a área de aviação. O hidrogênio, por exemplo, pode ser uma solução para transportes pesados, mas não para veículos aéreos. A perspectiva é do vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Argus Media, Clayton Melo.

De acordo com ele, os combustíveis drop-in podem substituir opções fósseis na mistura, como o etanol anidro ou o biodiesel, ou de forma exclusiva, como o hidratado. “O SAF [combustível sustentável de aviação] e o HVO [óleo vegetal hidrotratado] vieram para ficar; as empresas de petróleo foram as que abraçaram esses projetos”, destaca Melo.

Ele cita ainda as diversas rotas possíveis para a suas produções, incluindo o óleo de milho das destilarias de etanol nesta relação. Conforme o executivo, as matérias-primas residuais capturam um prêmio muito maior no mercado norte-americano americano.

O etanol de milho também pode ser usado na produção de SAF, mas não para o HVO. O etanol de segunda geração, por sua vez, tem maior potencial produtivo. Melo cita os projetos da Raízen neste sentido: “Tem tudo a ver com isso”.

Ainda de acordo com ele, já existe tecnologia para produção de SAF de biometano, ainda que esta seja uma opção incipiente no momento.

As informações foram divulgadas na nona edição do Teco Latin America, que reúne especialistas do setor entre os dias 4 e 5 de outubro, em São Paulo (SP), para debater o atual cenário e as perspectivas da indústria de etanol de milho.

“Em relação a SAF e HVO, o mundo tem apontado mais para óleos em geral do que para o etanol. Não sei se é a melhor escolha, pois não sei se teremos óleo de cozinha e de gordura animal em comparação com o crescimento de mercado”, complementa Melo.

Incremento de etanol de milho

Além do SAF e do HVO, a produção de etanol de milho para uso nos motores a combustão convencionais também pode crescer de forma consistente nos próximos anos. Conforme o diretor comercial da FS, Paulo Trucco, a fabricação deve aumentar 7,5% até 3030/31, podendo chegar a 10 bilhões de litros e atingindo cerca de 15% do mercado.

Os números são projeções de União Nacional do Etanol de Milho (Unem), União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Na safra 2023/24, devem ser produzidos 6,1 de bilhões de litros de etanol de milho; em açúcar equivalente, seriam 9,75 milhões de toneladas, conforme Trucco.

“Um desafio que temos, além do logístico, é que é difícil explicar para o mundo o que é uma planta de milho de segunda safra, como é o nosso modelo de negócio”, Paulo Trucco (FS)

O diretor comercial também cita o projeto de captura e armazenamento de carbono (BECCS) da FS, localizada em Lucas do Rio Verde (MT). Segundo ele, há poucos projetos no mundo que consistem na captura do CO2 no processo de produção e seu armazenamento há dois quilômetros de profundidade no solo.

O objetivo é uma redução da nota de intensidade de carbono (CI) em 30 pontos, sendo possível chegar a uma taxa negativa de emissões de carbono, segundo Trucco. “Usando o milho de segunda safra, biomassa e BECCS, o objetivo é nos tornarmos a primeira empresa carbono negativo do mundo”, declara.

Entrando na importância dos coprodutos, Trucco pontua que, no passado, havia o desafio de convencer o produtor sobre a necessidade e a eficiência do DDG. O obstáculo seria apresentar como substituir os produtos usados em nutrição animal para a entrada do DDG e do óleo no mercado.

Etanol de milho com cenário desafiador

Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Novozymes, Rafael Piacenza, a volatilidade se tornou uma realidade para a indústria de etanol de milho. Além das operações exigirem altos níveis de tecnologia, o cenário de negócios também se tornou mais desafiador.

Neste sentido, ele aponta as três principais escolhas que definem rentabilidade: processos, biotecnologia e coprodutos.

Na produção, estabilidade térmica e assepsia ajudam na redução de contaminações e perdas de rendimento. Na biotecnologia, as enzimas são relevantes para o aumento na qualidade de coprodutos e químicos em 5%. Já na área de leveduras, é possível ampliar em 18% a receita com o aumento de sólidos.

Enquanto isso, nos coprodutos, o executivo acredita em um crescimento de 4% no faturamento. Com o óleo de milho, o incremento de ganhos chega a 6%.

“Nunca tivemos tanto interesse no mercado de etanol de milho; neste momento, os indicadores mais importantes estão com perspectivas positivas”, explica Piacenza. Ele completa que, como a indústria de cana está focada na produção de açúcar nos últimos ciclos, houve uma abertura para o renovável vindo do grão.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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