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É oficial, Cade aprova compra da Ruette pela Black River

Depois de vário anos, esta é a primeira operação de aquisição no setor sucroenergético do Brasil envolvendo uma gigante das commodities, a Cargill


NovaCana - Publicado: 15 Dez 2015 - 10:16

Esta é a primeira operação de fusão e aquisição no setor sucroenergético do Brasil, em vários anos, envolvendo uma gigante das commodities. A transação vem na esteira de anos de fracos fundamentos de açúcar e etanol que deterioraram uma indústria outrora pujante, mas coincide com um princípio de recuperação do ramo que pode sinalizar a abertura necessária a uma nova maré de consolidações.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra das duas usinas do grupo Ruette pela gestora de fundos Black River, da norte-americana Cargill. A decisão libera sem restrições a realização do negócio, estimado pelo mercado em R$ 680 milhões, e foi publicada ontem (14) no Diário Oficial da União.

A solicitação para a compra da totalidade de ações da companhia Antonio Ruette Agroindustrial pela Black River Agriculture Fund 2 LP foi apresentada ao órgão em 24 de novembro. O envio do pedido indicava o acordo sobre os termos para a venda das unidades, à espera da luz verde do regulador.

A expectativa é de que a transação seja finalizada ainda este mês, segundo reportagem do jornal Valor Econômico. De acordo com a apuração do jornal, o negócio depende também da repactuação da dívida junto com os credores, prevista para acontecer nos próximos dias. Assim, do total da operação, R$ 150 milhões seriam destinados a investimentos e R$ 530 milhões – já com desconto dos bancos ante o valor original de R$ 850 milhões – para assunção de dívidas da Ruette.

O total de R$ 680 milhões da negociação representa o equivalente a R$ 194 por tonelada de cana, considerando as usinas do grupo Ruette que estão sendo adquiridas no interior de São Paulo – em Paraíso, unidade Monterey, e em Ubarana, unidade Ruette – que, juntas, esperam processar 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2015/16.

As negociações envolvem um grupo de 30 instituições credoras, sendo a principal o Banco Santander, e incluindo outras como Amerra Agri Opportunity, ABN Amro, ED&F Man Capital Markets, BTG Pactual, Banco BBM e Banco do Brasil.

Conforme o Valor, as terras da família Ruette não entraram no acordo. São cerca de 2 mil hectares de cana-de-açúcar estimados em R$ 120 milhões.

Apesar da Black River ser uma entidade independente para fins administrativos, ela é parte integrante do grupo Cargill, que possui atividades no setor sucroalcooleiro do Brasil. A multi opera três usinas de cana por meio de joint ventures – a principal é a SJC Bioenergia, com o Grupo USJ – com uma capacidade combinada de moagem de 10,5 milhões de toneladas. Além disso, também atua em joint venture com a Copersucar (50/50), na trading global de açúcar Alvean.

novaCana.com
com informações adicionais do Valor Econômico e Reuters