Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

Oferta maior de matéria-prima encurta entressafra no Centro-Sul


Agência Estado - Publicado: 09 Nov 2015 - 07:06

A entressafra de cana-de-açúcar deste ano no Centro-Sul deve ser uma das mais curtas da história. O bom volume de chuvas ao longo da temporada 2015/16, iniciada em abril, atrapalhou a moagem e há maior volume de matéria-prima ainda a ser processada.

A expectativa da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) é de que as usinas da região continuem moendo até dezembro, interrompam em janeiro e fevereiro, e voltem a processar em março, o que resultaria em uma entressafra de cerca de dois meses e não de três meses ou mais, como em outros anos. "22% das usinas do Centro-Sul devem encerrar o ciclo em novembro e outros 72% em dezembro", disse ao Broadcast Agro o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. Até o momento, 11 empresas concluíram a produção. Rodrigues calcula que em torno de 20 milhões de toneladas de cana podem ficar em pé no campo neste ano (bisada) para processamento só no próximo.

O atraso na safra é maior nos Estados de Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, os mais afetados por chuvas durante o ano. Só no território paulista, a moagem de cana até a primeira quinzena de outubro estava 4% abaixo ante igual data do ano passado, com 281,40 milhões de toneladas, segundo a Unica. No total, o atraso no Estado beira as 12 milhões de toneladas, volume que pode ter aumentado em virtude das chuvas em excesso nas últimas semanas. Conforme estatística recente da consultoria Datagro, no Centro-Sul como um todo 27 dias de moagem foram perdidos em 2015/16 até 26 de outubro por causa das precipitações. No ano passado, eram pouco mais de 20 dias até igual data.

Sem parar

Para algumas usinas nem haverá entressafra. Fontes da cadeia produtiva disseram que no oeste paulista unidades da Aralco, Renuka e Clealco devem continuar com o processamento pelos próximos meses, sem interrupção, aproveitando a matéria-prima disponível.

"Enquanto houver cana, vão moer. E, se necessário, vão deixar a manutenção (dos equipamentos das usinas) para depois", disse um representante. O Broadcast Agro tentou contato com Aralco e Renuka, mas não encontrou ninguém para comentar. Já a Clealco disse que não falaria sobre o assunto.