Etanol: Abastecimento

Etanol: Abastecimento

Oferta de etanol volta a crescer no país


Agência Estado - Publicado: 30 Jul 2014 - 12:40 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A oferta de etanol hidratado em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor do país, está aumentando. A necessidade de "gerar caixa" vem fazendo com que usinas priorizem a comercialização do biocombustível em um momento sazonalmente de maior produção de açúcar. Ao contrário do etanol, que tem liquidez quase imediata, o açúcar tem neste momento mercado menos favorável com preços mais baixos. De acordo com representantes do setor ouvidos pela reportagem, a não ser que haja alguma novidade no mercado internacional de açúcar, a tendência de crescimento na oferta de etanol deve se manter até o fim da safra.

"Em termos de remuneração, o açúcar deixou de ser atrativo. Em primeiro lugar temos o anidro, na seqüência o hidratado e só depois o açúcar", afirma José Dirlei Marcello, gerente de planejamento da SCA, uma das maiores tradings de etanol do país, sobre a escala de produção do setor sucroalcooleiro neste momento. "Há um arrocho de crédito, os embarques de açúcar estão menores e a situação das usinas está mais delicada neste ano. Então, elas buscam vender etanol para gerar capital de giro", complementa Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. "Além disso, os custos estão maiores e a safra será menor por causa da seca", acrescentou.

Em alguns momentos do primeiro semestre, o açúcar chegou a ser mais atrativo que o hidratado em razão do salto de quase 20% dos preços na Bolsa de Nova York. Na ocasião, o mercado era sustentado pela perspectiva de perdas expressivas no Centro-Sul do Brasil, em virtude da severa estiagem em janeiro e fevereiro. Desde abril, contudo, a oferta global, ainda volumosa, passou a dar o tom e o ímpeto de ganho se perdeu. No acumulado de 2014, o açúcar voltou a acumular desvalorização, de cerca de 2%.

A remuneração pouco vantajosa no que se refere a açúcar se reflete em margens pequenas e até negativas, em alguns casos, dos produtores. Modelo desenvolvido pela Archer Consulting mostra que o custo do produto colocado na usina é hoje de R$ 34,98 a saca de 50 quilos. Para uma usina localizada na região de Ribeirão Preto (SP), isso equivale a 16,25 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Levando-se em conta que o desconto do FOB para embarque em agosto é de 0,75 centavo de dólar, a cotação na Bolsa de Nova York precisaria estar em 17 centavos de dólar por libra-peso, o que se observa apenas no contrato com vencimento em março de 2015 em diante.

Desvalorização 
Por ora, o aumento da oferta de hidratado tem reflexos nos preços. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o litro do biocombustível acumula desvalorização de 3% nas duas últimas semanas, cotado hoje a R$ 1,2055, sem impostos e a retirar na usina. Apesar de ser 11% maior na comparação com igual período do ano passado, o valor se aproxima da mínima registrada em 2014, de R$ 1,1871 por litro, na semana terminada em 9 de maio.

Mirian Bacchi, pesquisadora do Cepea, pondera, contudo, que a comercialização maior de hidratado por parte das usinas, que elevará a oferta, não significará necessariamente incremento de demanda, "a menos que o preço caia bastante a ponto de estimular o consumo". "As usinas ainda apostam na comercialização (para gerar caixa), mas isso não quer dizer que a demanda vai aumentar", diz. No acumulado de 2014 até maio as vendas de hidratado nos postos eram 12% menores em volume que em igual período de 2013. Segundo Mirian, a economia enfraquecida é um dos fatores que explicam a queda do consumo.