A produção global de açúcar deve acumular aumento anual de 1,9% na temporada 2021/22 (outubro a setembro), para 187,3 milhões de toneladas, segundo nova projeção divulgada nesta quarta-feira, 9, pela StoneX. A oferta suaviza em 800 mil toneladas o déficit da temporada, indo para 1,1 milhão de toneladas.
“Apesar da menor produção prevista na China e na Tailândia, o aumento em 1,7 milhão de toneladas sobre a oferta indiana deve compensar tais perdas”, explicaram os analistas de inteligência de mercado do grupo, Marina Malzoni e Arthur Machado.
Ao final do ciclo 2021/22, a StoneX estima que os estoques se posicionem em 73,2 milhões de toneladas, acumulando retração anual de 1,5%, e resultando em uma relação estoque-uso de 38,9%.
A consultoria destaca que os cálculos consideram crescimento anual de 0,9% no consumo global, atingindo 188,4 milhões de toneladas.

“O ambiente se mostra favorável para o aumento da procura em importantes players consumidores, com destaque para a China e o Sudoeste Asiático. Além disso, o apetite de compra em polos de refino deve seguir firme, dado que o Prêmio do Branco, utilizado como proxy da margem de refino, acumula ganhos significativos desde outubro de 2021, posicionando-se acima de US$ 100/t”, explica Malzoni.
No Centro-Sul brasileiro, a expectativa da StoneX de totalizar 31,4 milhões de toneladas no ciclo internacional de 2021/22 (outubro a setembro) foi mantida, volume que se posiciona 11,9% abaixo do observado na temporada passada.
Já para o Norte-Nordeste brasileiro, a StoneX acredita que a oferta seja próxima de 3 milhões de toneladas dado o desempenho recente (redução anual de 0,4%).
No México, a umidade deve continuar elevada em algumas localidades produtoras de cana – tendência que será avaliada nos próximos meses, a fim de estimar os impactos sobre o resultado do ciclo corrente. Por ora, as estimativas de produção foram mantidas pela consultoria em cerca de 6,1 milhões de toneladas de açúcar, representando um avanço anual de 6,9%.
As condições climáticas configuram um dos principais pontos de atenção ao redor do globo, segundo a StoneX, causando diferentes impactos sobre os players produtores. Enquanto na Índia o clima beneficia a produção de açúcar, na Tailândia as chuvas excessivas geram sinal de alerta. No primeiro país asiático mencionado, as precipitações regulares dos últimos meses, associadas à atratividade da cana e ganho de área, favoreceram a produção indiana.
De acordo com dados do Departamento de Meteorologia indiano (IMD, em inglês), no mês de fevereiro, o estado de Uttar Pradesh registrou chuvas dentro da normalidade, enquanto Karnataka e Maharashtra tiveram precipitações abaixo da média histórica – o que contribui com o andamento da colheita.
Os números citados pela consultoria apontam que 0,3 milímetros incidiram sobre Maharashtra e 0,1 mm foi registrado em Karnataka no último mês, volumes que se situam 92% e 98% abaixo da normalidade, respectivamente. Em Uttar Pradesh, por outro lado, 15,3 mm foram observados no estado (+3%).
A StoneX elevou sua expectativa de produção no país, na ordem de 5,4%, para 33,2 milhões de toneladas de açúcar (valor branco) na safra 2021/22 – volume que representa alta anual de 6,5% e que desconsidera o direcionamento de 3 milhões de toneladas para a destilação de etanol.
Já na Tailândia, a umidade excessiva tem prejudicado o andamento dos trabalhos de colheita. De acordo com o Departamento Meteorológico da Tailândia (TMD, em inglês), o maior volume de chuvas deve se estender ao longo dos próximos três meses nas regiões Central e Nordeste, principais centros canavieiros do país.
Diante dos impactos observados até então, a StoneX avalia que o país tenha potencial de produzir 9,9 milhões de toneladas em 2021/22, o que representa um corte de 7,5% frente à última publicação, mas mantendo uma alta anual de 31,1%. “A umidade regular, aliada aos preços atrativos, podem estimular a produção do próximo ciclo”, aponta a analista do grupo, Malzoni.
De modo similar, a ocorrência de adversidades climáticas também tem prejudicado o potencial produtivo na China. Após a ocorrência de geadas nas lavouras de beterraba e perda de área em Guangxi, principal região produtora do país, a umidade excessiva tem se colocado como ponto de atenção.
Levando essas questões em consideração, a consultoria estima um corte na ordem de 100 mil toneladas para a produção chinesa, projetada para 9,9 milhões de toneladas de açúcar branco (redução de 7,2% no comparativo safra-a-safra). Contudo, a StoneX destaca que os modelos climáticos apontam para chuvas mais brandas ao longo dos próximos dias, o que pode aliviar este contexto.
No continente europeu, as perspectivas produtivas seguem positivas, respondendo ao clima favorável dos últimos meses e à liberação emergencial do uso de neonicotinoides – classe de inseticida utilizada no controle de pulgões, transmissores do vírus amarelo. Diante deste contexto, a Comissão Europeia passou a projetar uma produção de açúcar de 16,1 milhões de toneladas em 2021/22, volume que representa uma alta anual de 11%.
Contabilizando as expectativas para a oferta do Reino Unido, as estimativas da Comissão se mostram alinhadas com as projeções da StoneX, de que a oferta pela região totalize 17,2 milhões de toneladas (valor banco) – ampliação anual de 11,9%.
Na Austrália, a umidade excessiva sobre Queensland, principal região canavieira do país, prejudicou os trabalhos em campo e a taxa de extração de açúcar em 2021. Consequentemente, a produção da commodity totalizou 4 milhões de toneladas, apresentando uma retração anual de 4,4%.
Por outro lado, a umidade favorável dos últimos meses se mostrou positiva para o desenvolvimento dos canaviais a serem processados em 2022. Para o próximo trimestre, as previsões são de chuvas acima da normalidade em parte de Queensland, o que deve favorecer o rendimento agrícola dos canaviais. No entanto, tal perspectiva será acompanhada de perto nos próximos meses, de modo a avaliar o potencial produtivo do país.
Por isso, a perspectiva para a oferta da commodity pela Austrália foi mantida pela StoneX em 4,3 milhões de toneladas em 2021/22, representando uma queda safra-a-safra de 1,1%.