Os bancos credores com os quais a Odebrecht tem centrado esforços em torno de uma solução para a dívida de quase R$ 100 bilhões do grupo analisam propostas individualizadas de plano de recuperação das 20 empresas que estão sob proteção da Justiça. A princípio, a Odebrecht quer fazer um plano único para a recuperação de todas as companhias, o que lhe daria a vantagem de juntar em uma só “piscina” ativos e dividendos de todas elas para pagar diferentes credores.
Porém, os credores obtiveram da Justiça o direito de escolher se desejam a consolidação das dívidas ou tratá-las individualmente, já que nem todas as companhias têm ativos bons ou rentáveis. Uma votação sobre isso vai ocorrer nas assembleias dos credores do grupo Odebrecht, prevista para o dia 18, e da Atvos, dia 27.
Diante do cenário, a Odebrecht se preparou para a não consolidação das dívidas. Caso o assunto mereça maior discussão, um prazo de cerca de 90 dias será aberto para a análise do plano pelos credores.
Além disso, ainda há impasses que podem inviabilizar as assembleias marcadas para este mês. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), maior credor entre as instituições públicas, quer tirar a Odebrecht do controle da Atvos, o braço de etanol. Já conseguiu adesão de outros bancos para a ideia e as discussões caminham para uma gestão temporária da Atvos pelas instituições, sob nova governança. A venda da Atvos, que foi pedida pelo BNDES, ficaria para depois.
Para completar, a Odebrecht ainda não firmou um acordo com detentores de US$ 3 bilhões em bonds (títulos de dívida emitidos no exterior) feitos pelo braço financeiro do grupo, em recuperação judicial, mas que são garantidos pela OEC, que não está em recuperação judicial e renegocia essa dívida.
Procurado, o grupo Odebrecht não respondeu a um pedido de entrevista.
Cynthia Decloedt