A Organizações Odebrecht deve aprovar na próxima semana um aumento de capital no valor na controlada Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro do grupo. Os acionistas da Odebrecht Agro devem votar pelo aumento de R$ 2 bilhões a serem captados a partir da emissão privada de debêntures pela companhia. O aporte é uma contrapartida exigida por bancos credores para alongar o endividamento da empresa, que supera os R$ 13 bilhões.
Outra proposta a ser analisada pelos acionistas da companhia é a redução do capital social para absorção dos prejuízos acumulados, sem restituição para seus acionistas. A Odebrecht Agroindustrial informou, no entanto, ontem, ao jornal Valor Econômico, que não vai se pronunciar antes da conclusão do processo.
Os sinais de que a Odebrecht está tentando ajustar seus negócios têm atraído a atenção desde o ínicio de 2014. O grupo inteiro navega pela crise econômica com uma dívida de R$ 98 bilhões na bagagem, segundo levantado no fim do ano passado, quando ações para os ajustes começaram a ganhar tons mais fortes.
Em novembro de 2015, a Odebrecht Agroindustrial conseguiu junto aos credores uma trégua de 60 dias para carregar as dívidas de curto para médio ou longo prazos, bem como para buscar o aporte da controladora. Assessorada pelo banco Rotschild e pela Virtus BR Partners, o braço sucroenergético da companhia vem se comprometendo a apresentar um plano de reestruturação.
Ainda no fim do ano passado, o vice-presidente de Operações em Engenharia da companhia, Celso Ferreira, afirmou à Agência Estado que a empresa buscava chegar no próximo ano com a renegociação da dívida, de mais de R$ 7 bilhões, concluída.

O objetivo da companhia ao longo de 2016 é, segundo ele, "tirar o máximo de valor das operações". De acordo com Ferreira, o capex deve cair dos R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão observados nos últimos ciclos para algo entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, com parte considerável desse montante direcionada à manutenção dos canaviais.
Ao todo são nove usinas da Odebrecht Agro, localizadas nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A empresa tem capacidade instalada para processar 36,8 milhões de toneladas por safra.
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