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Odebrecht Agro aposta em pacote tecnológico próprio para sua usina de etanol celulósico

odb usina 081014Com três patentes, todas em desenvolvimento em conjunto com a dinamarquesa Inbicon, braço sucroalcooleiro da Odebrecht preferiu investir na criação da própria rota de fabricação para o etanol 2G ao invés de adquirir um pacote tecnológico

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Desde o anúncio da construção de sua usina de etanol celulósico, a Odebrecht Agroindustrial pouco falou sobre o assunto.

Sabe-se que o projeto terá capacidade de produção de 80 milhões de litros de etanol, e que a dinamarquesa Inbicon, principal e até então única parceira na iniciativa, ajudará “a acelerar o desenvolvimento de tecnologias para a produção de etanol e outros produtos a partir de matérias-primas lignocelulósicas”.

Enquanto players mundiais como a Beta Renewables, do grupo Mossi Ghisolfi, tentam ampliar sua participação no mercado global de etanol celulósico por meio de tecnologias licenciadas, a Odebrecht aposta numa plataforma tecnológica própria.

Confira a seguir mais detalhes sobre o projeto, as dificuldades enfrentadas e as apostas da Odebrecht Agro para a produção de etanol celulósico.

Desde o anúncio da construção de sua usina de etanol celulósico, a Odebrecht Agroindustrial pouco falou sobre o assunto.

Sabe-se que o projeto terá capacidade de produção de 80 milhões de litros de etanol, e que a dinamarquesa Inbicon, principal e até então única parceira na iniciativa, ajudará “a acelerar o desenvolvimento de tecnologias para a produção de etanol e outros produtos a partir de matérias-primas lignocelulósicas”.

Enquanto players mundiais como a Beta Renewables, do grupo Mossi Ghisolfi, tentam ampliar sua participação no mercado global de etanol celulósico por meio de tecnologias licenciadas, a Odebrecht aposta numa plataforma tecnológica própria.

“É uma tecnologia que está em desenvolvimento conjunto”, disse ao portal NovaCana o diretor de inovação e tecnologia da Odebrecht Agroindustrial, Carlos Calmanovici, durante o World Bio Markets Brazil 2014, evento que reuniu líderes do setor sucroenergético em São Paulo no final de setembro.

Ao invés de “comprar” um pacote tecnológico, o braço sucroalcooleiro da Odebrecht preferiu investir na criação da própria rota de fabricação do biocombustível.

Os primeiros testes ocorreram na safra 2012/13, com o envio de três toneladas de bagaço de cana para a Dinamarca.

Até o final do ano passado, quando divulgou o relatório da safra 2012/13, a empresa não tinha certeza sobre a viabilidade do negócio. “A partir dos resultados obtidos na primeira fase do programa, será estudada a viabilidade de instalar no Brasil, até 2015-2016, uma planta de demonstração, que será destinada à fase final de desenvolvimento e validação do processo”, diz o documento.

Com três patentes em andamento, todas “em desenvolvimento conjunto”, a Odebrecht Agro está agora “passando por uma fase de detalhamento do projeto”, adianta Calmanovici.

A busca por uma plataforma tecnológica própria vai na contramão de projetos como o da GranBio e do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que não pouparam esforços para estabelecer parcerias. A empresa alagoana, por exemplo, vale-se do expertise da holandesa DSM na utilização de leveduras, enquanto a Novozymes é quem fornece as enzimas, que “clivam” a celulose em monômeros de glicose.

O CTC, por sua vez, tem o apoio da consultoria finlandesa Pöyry e do grupo Andritz, que foi o fornecedor dos equipamentos de pré-tratamento para a planta 2G São Manoel, localizada em município paulista de mesmo nome. No passado, a Novozymes chegou a ser parceira do CTC, mas rompeu com o centro de pesquisas e, desde então, o CTC quer “ter em 2016 a possibilidade de vender o projeto comercial do CTC, ou do CTC e parceiros”, conforme adiantou o portal NovaCana.

Excelência operacional e autonomia tecnológica

Em uma das palestras que proferiu durante o World Bio Markets Brazil, em São Paulo, Calmanovici mencionou os pilares que sustentam o negócio de açúcar e etanol da Odebrecht Agro.

Um deles é a “excelência operacional”, voltada à “gestão dos ativos no limite da produtividade”. O outro é a “autonomia tecnológica”.

“Autonomia tecnológica não é isolamento, mas independência”, destacou.
“É ter o poder de participar das decisões, das escolhas, de forma consciente e estruturada”.

O segundo pilar parece ser a diretriz da companhia, que desde o comunicado da parceria com a Inbicon, não anunciou a vinda de nenhum outro parceiro ou licenciador de tecnologia.

“Trabalhamos com fornecedores de vários insumos sempre, mas o conceito, a plataforma tecnológica é nossa”, garante Calmanovici.

Integração com o 1G e cogeração

O projeto da Odebrecht confirma o que GranBio e CTC já adiantaram: a viabilidade do etanol 2G passa, necessariamente, pela integração entre as duas tecnologias, a de primeira e segunda geração.

Outra “vantagem competitiva” do negócio, segundo adianta Calmanovici, é a “integração energética” por meio da cogeração.

O executivo não deu detalhes sobre a capacidade de cogeração da nova planta, mas disse que a bioeletricidade é “um produto fundamental para o modelo de negócios que nós temos hoje no Brasil na biorrefinaria”.

“A premissa foi de que a gente não poderia, de jeito nenhum, prejudicar a geração de bioeletricidade. O projeto todo foi montado neste sentido, para dar consistência e atratividade econômica”, explica.

O desafio da fermentação

Uma das principais etapas do processo de conversão da biomassa em biocombustível, a fermentação tem sido encarada por empresas como a GranBio como um elemento chave para a competitividade do etanol 2G.

A unidade Bioflex, por exemplo, leva hoje cinco dias para produzir o renovável. Só a fermentação corresponde a 72 horas ou 60% do tempo de processamento da biomassa. Trinta e duas horas são gastas na hidrólise para liberar os açúcares da fibra vegetal, e mais três na destilação.

“Tempo de fermentação mais alto significa tanques maiores. Significa necessariamente um investimento muito grande para se ter um tanque muito maior para dar resistência e fazer a fermentação. Isso tem um impacto extremamente significativo na competividade do negócio”, disse em maio deste ano o gerente de processos da GranBio, Márcio Rebouças, em um evento que discutiu os desafios da indústria de etanol celulósico.

Dificuldade semelhante também foi encontrada pela Odebrecht Agroindustrial.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o então vice-presidente de operações e engenharia, Celso Luiz Tavares Ferreira, disse que, desde que os testes começaram, foram feitas diversas alterações nos processos para encontrar as enzimas e os insumos “mais adequados”. “No começo, os rendimentos estavam muito baixos. Mas, a partir desses ajustes, a produtividade aumentou, o que reduziu em 35% o custo de produção inicial”, disse.

Lei de Biossegurança

Seja para conferir mais agilidade ao processo de fermentação através do uso de organismos geneticamente modificados (OMGs) ou mesmo para viabilizar variedades de cana transgênica, revisitar a legislação vigente tornou-se uma das principais reinvindicações das empresas ligadas à bioeconomia.

“É preciso revisitar a Lei de Biossegurança. Nós podemos acelerar, agilizar e simplificar muitos procedimentos, particularmente na liberação de organismos transgênicos, principalmente aqueles que não oferecem risco ao meio ambiente e às pessoas de um modo geral”, argumentou Calmanovici.

“Comparando com outras legislações, nós somos menos competitivos. Temos
mais biodiversidade, temos mais oportunidade, um diferentecial competitivo importante e não vamos conseguir aproveitar todo este potencial se não fizermos alguns ajustes na legislação de propriedade intelectual e acesso à biodiversidade, patrimônio genético, e particularmente, neste caso, liberação de microorganismos”, completou.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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