A ciência ainda procura o valor exato do que é um o consumo equilibrado de açúcar, sal e gordura. Mas é consenso que quando estes ingredientes passam a ser consumidos em excesso, como acontece em boa parte do mundo, inclusive no Brasil, a saúde da população fica ameaçada.
A PepsiCo vai gastar bilhões de dólares para criar bebidas e salgadinhos e reformular os existentes com menos açúcar, sal e gordura, à medida que os consumidores demandam opções mais saudáveis e as autoridades reguladoras intensificam a pressão para conter a epidemia de obesidade.
A fabricante foi uma das pioneiras em oferecer produtos com níveis reduzidos de ingredientes que podem fazer mal à saúde. A PepsiCo afirma que um pacote de suas batatinhas contém menos sal que uma fatia de pão branco. No entanto, seu novo plano de dez anos deixa claro que a empresa acredita que tem ainda um longo caminho a percorrer.
A mudança nos hábitos alimentares, que levaram a uma forte queda no consumo de refrigerantes como a Pepsi, obrigaram o setor a promover alterações radicais. Essas mudanças, porém, ainda não se refletiram nos níveis recorde de obesidade, que chegaram a 36,5% da população nos Estados Unidos.
A presidente do conselho de administração da PepsiCo, Indra Nooyi, disse ao "Financial Times" que o plano para tornar seus produtos mais saudáveis também é importante para o crescimento da empresa.
Rivais como a Coca-Cola e a Mondelez International também têm planos para reduzir o nível de açúcar, sal e gorduras, mas as metas são difíceis de comparar.
Quanto à questão da obesidade, ela destacou que o estilo de vida dos consumidores mudou de forma significativa, com muitas pessoas ficando mais sedentárias, inclusive porque passam mais tempo em frente a seus computadores. Indra disse que a contribuição da PepsiCo é produzir salgadinhos mais saudáveis e que ainda sejam saborosos.
"Mesmo antes de as pessoas estarem falando sobre obesidade, víamos mudanças nas tendências dos consumidores e percebemos que não podíamos continuar crescendo com nossa linha principal" se não fizéssemos mudanças radicais, disse Indra. "Esses objetivos estão relacionados ao crescimento de nossa linha principal."
"A sociedade precisa mudar seus hábitos", acrescentou. "Não podemos fazer muito para [alterar] estilos de vida sedentários, mas podemos proporcionar aos consumidores produtos com ótimo sabor, com pouco sal, açúcar e gorduras. No passado, precisávamos ter uma perda no sabor. Agora, estamos acabando com essa perda."
O plano da PepsiCo para suas bebidas e alimentos faz parte de metas mais amplas da empresa, baseadas em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que na semana passada defendeu o uso de impostos sobre refrigerantes para reduzir o consumo de açúcar. As iniciativas incluem esforços para reduzir seu impacto ambiental, o consumo de água e o material usados nas embalagens até 2025.
A PepsiCo vai reduzir o número de calorias referentes à adição de açúcar para menos de 100 calorias por 12 onças (28,35 gramas) em "pelo menos" dois terços de sua carteira internacional de bebidas. Atualmente, estão dentro dessa meta 40% de suas bebidas em seus dez maiores mercados, que representam 80% da receita.
Mais de 75% dos produtos alimentares da empresa no mundo vão ter 1,1 grama ou menos de gorduras saturadas por 100 calorias. A mesma proporção de seus salgadinhos no mundo vai conter 1,3 grama ou menos de sal por caloria. Cerca de metade de seus produtos alimentares globais estão dentro dessa meta atualmente.
Rivais como a CocaCola e a Mondelez International também vêm se diversificando e se afastando de alimentos e bebidas considerados "não saudáveis". Ambas têm planos para reduzir o conteúdo de açúcar, sal e gorduras, mas as metas são difíceis de comparar.
A Coca-Cola almeja oferecer bebidas com poucas ou nenhuma caloria em todos os mais de 200 países nos quais opera até 2020. Atualmente, atingiu esse objetivo em 191 deles. A Mondelez espera que metade de seus salgadinhos sejam definidos como sendo de "bemestar", um termo ambíguo, até 2020. Também pretende reduzir o sódio e as gorduras saturadas em 10% de seus produtos. Sua meta de redução de açúcar não foi divulgada.
A PepsiCo não informou exatamente quanto planeja investir para atingir suas metas. O chefe da área científica da empresa, Mehmood Khan, disse que a PepsiCo dobrou os gastos em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos e que está "comprometida a sustentar os investimentos", acrescentando que cortes de custos não são uma forma de elevar as vendas. O orçamento de pesquisa e desenvolvimento da PepsiCo em 2015 foi de US$ 754 milhões.
Khan disse que os amplos compromissos assumidos pela PepsiCo no passado para reduzir o consumo de energia, usar água de forma mais eficiente e reduzir o desperdício geraram economias de US$ 600 milhões. O novo plano de dez anos inclui devolver toda a água que usar em "áreas de alto risco" para a mesma fonte de onde a tirou, além de iniciativas para reduzir o uso de energia e o desperdício.
Por Lindsay Whipp | Financial Times
Com trecho adicional do novaCana