Os futuros de açúcar demerara iniciaram o ano com fortes perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A apreciação do dólar ante o real limitou o suporte dado pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil, e os contratos trabalham novamente abaixo dos 15 cents por libra-peso, patamar que figura como resistência inicial.
Ontem, a moeda norte-americana encerrou a R$ 4,0344, alta de 1,88%. Além das incertezas quanto à economia e à política no Brasil, deu gás à divisa o cenário externo pouco favorável. Nos Estados Unidos, o índice de atividade do setor industrial (PMI) caiu em dezembro para o menor patamar desde outubro de 2012. Na China, o mesmo indicador registrou o 10º mês consecutivo abaixo da marca de 50, o que indica contração de atividade na manufatura local.
Com esse câmbio, o clima no Centro-Sul do País deu pouco suporte. Na última semana, as chuvas foram intensas em todo o Estado de São Paulo, impedindo a conclusão da safra 2015/16 para algumas usinas. Há ainda quantidade razoável de empresas processando, e a umidade tende a alterar o resultado final da temporada. Para os próximos dias, porém, a Climatempo projeta precipitações irregulares no território paulista, na casa dos 30 mm.
Março caiu 27 pontos (1,77%) e fechou a segunda-feira em 14,97 cents/lb, com máxima de 15,24 cents/lb (estável) e mínima de 14,80 cents/lb (menos 44 pontos). Maio recuou 27 pontos (1,81%) e terminou em 14,65 cents/lb. O spread março/maio permanece em 32 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
Nos gráficos, o primeiro suporte aparece em 14,80 cents/lb, mínima de ontem. Já a resistência segue em 15 cents/lb.
Pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), divulgado ontem, fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 11.198 lotes na semana encerrada em 29 de dezembro. A posição passou de 212.219 para 201.021 lotes.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 82,64/saca, alta de 0,58% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,42/saca (-1,59%).
Conforme o centro de estudos, os preços internos do açúcar cristal atingiram em dezembro o maior patamar desde janeiro de 2012. O Indicador Cepea/Esalq registrou média mensal de R$ 80,57 por saca de 50 kg, 5,4% maior que a de novembro (R$ 76,44/saca) e 40,3% superior na comparação anual.

Na última semana do mês passado, a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 14,22% superior à das vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 82,12/saca, as cotações de março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 71,89/saca.