O mercado futuro de açúcar demerara inicia a segunda quinzena de maio de olho no clima. As preocupações com o tempo adverso em importantes áreas produtoras do mundo tendem a exacerbar a volatilidade das cotações.

No Centro-Sul do Brasil, maior região produtora de cana, apesar do início de safra praticamente perfeito, os produtores estão atentos às previsões meteorológicas de chuva. Segundo a Somar Meteorologia, uma frente fria deve provocar precipitações entre São Paulo e sul de Minas Gerais nos próximos dias. "Ao chegar à região Sudeste, essa frente fria organizará um corredor de umidade que deve provocar chuva entre o Centro-Oeste e Sudeste do País", diz a Somar. Os produtores podem ter, portanto, problemas para avançar na colheita da cana.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulga nesta segunda-feira atualização quinzenal da safra 2016/2017 de cana no Centro-Sul, referente à segunda quinzena de abril. A expectativa é de volume de moagem maior do que no ano passado, apesar de algumas chuvas verificadas principalmente em Mato Grosso do Sul.
O Banco Pine estima processamento de 35,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na segunda quinzena de maio, alta de 30,5% sobre o total de 27,1 milhões de toneladas de igual período de 2015. A consultoria INTL FCStone projeta que o processamento de cana referente à segunda quinzena de abril deve ficar em 36,3 milhões de toneladas, 10,5% acima da quinzena anterior e 33,8% acima do mesmo período na safra passada.
Na Ásia, a Tailândia, segundo maior produtor global, atrás apenas do Brasil, atravessa período de estiagem. A temporada de chuvas estaria cerca de 7 semanas atrasada, prejudicando produtores que realizam o replantio dos canaviais.
As previsões de clima adverso tendem a impulsionar as cotações, que já alcançam o nível mais alto nos últimos 18 meses. Na sexta, relatório da Organização Internacional do Açúcar (OIA) elevou o déficit esperado nesta safra 2015/16, que se encerra em setembro. A expectativa de falta do produto no mercado global subiu de 5,018 milhões de toneladas para 6,651 milhões de toneladas. Essa foi a terceira elevação da expectativa de déficit para a atual safra.
Em contrapartida, a elevada posição comprado pelos fundos de investimento no mercado de açúcar de Nova York sugere cautela. Isso porque esses participantes podem liquidar parcela dessas posições, pressionando o mercado. Os fundos e especuladores estavam com saldo líquido comprado de 249.466 lotes no dia 10 de maio, em comparação com 234.409 lotes no dia 3, mostrou na sexta relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), apresentando na sexta.


O fortalecimento do dólar ante o real contribuiu para segurar as cotações do demerara na sexta. A moeda abriu a R$ 3,48, mas chegou a marcar máxima de R$ 3,52. O dólar desacelerou a alta em meio à primeira entrevista coletiva do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele disse que medidas econômicas do governo Temer serão anunciadas somente depois de “maturadas”, para serem aprovadas pelo Congresso Nacional.
O mercado de demerara em Nova York trabalhou no terreno negativo em boa parte do pregão de sexta. O vencimento julho fechou em queda de 1,41% (24 pontos), a 16,74 cents. A máxima foi de 16,99 cents (mais 1 ponto). A mínima bateu 16,30 cents (menos 68 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 74,88/saca (-0,33%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,27/saca (-1,76%).
