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Novozymes lidera projetos de etanol celulósico em todo o mundo

novozymes 091014Das quatro principais usinas de etanol celulósico do mundo, incluindo a recém-inaugurada Bioflex, da GranBio, 3 utilizam enzimas da Novozymes

NovaCana 6 min de leitura

Quando há 14 anos atrás a dinamarquesa Novozymes imaginou pela primeira vez como suas enzimas feitas a partir da biomassa poderiam ser usadas para produzir combustíveis avançados, não havia uma indústria. Após o etanol celulósico ser classificado durante anos como um “combustível imaginário”, só agora os frutos de seu trabalho estão aparecendo.

“Entramos num caminho muito longo, quando não podíamos revidar o que as pessoas diziam, quando chamavam [o etanol celulósico] de combustível imaginário. Agora chegamos no ponto em que ele está aqui”

Quando há 14 anos atrás a dinamarquesa Novozymes imaginou pela primeira vez como suas enzimas feitas a partir da biomassa poderiam ser usadas para produzir combustíveis avançados, não havia uma indústria. Após o etanol celulósico ser classificado durante anos como um “combustível imaginário”, só agora os frutos de seu trabalho estão aparecendo.

Mas a medida em que a produção do combustível usado no transporte a partir de resíduos de plantas começa nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa, a Novozymes já está olhando para outros mercados, como o de bioplásticos e até fraldas.

Com o setor de biocombustíveis travando uma batalha regulatória prolongada com as “gigantes do petróleo” sobre cortes que seriam potencialmente prejudiciais aos mandatos de biocombustíveis dos Estados Unidos, a Novozymes dizer ter planos de contingência.

Além de combustível, a irmã mais nova do grupo farmacêutico dinamarquês Novo Nordisk visualiza a conversão do resíduo de plantas em outros produtos derivados do petróleo, como plásticos e ácido acrílico, o super absorvente que faz as fraldas funcionarem.

Como a maior fabricante de enzimas do mundo, a Novozymes produz proteínas catalisadoras que aceleram a velocidade das reações químicas numa grande variedade de aplicações, que vão desde a melhoria na eficiência do sabão em pó ao pré-tratamento de alimentos processados, passando também pela produção de cervejas ou rações animais mais nutritivas.

“Entramos num caminho muito longo, quando não podíamos revidar o que as pessoas diziam, quando chamavam [o etanol celulósico] de combustível imaginário. Agora chegamos no ponto em que ele está aqui”

No contexto do setor de energia, que representa 17% de sua receita anual de U$ 2 bilhões, as enzimas aceleram o processo de transformação da matéria-prima na maior quantidade possível de açúcar, que uma vez fermentado com as leveduras, transforma-se em etanol.

Avanço

Embora não seja tecnicamente impossível obter combustível a partir do milho, da cana-de-açúcar e de resíduos de plantas sem as enzimas, estas proteínas são essenciais para o processo ser comercialmente viável.

A dificuldade tem sido o etanol celulósico de segunda geração feito a partir de resíduos de plantas indesejáveis – um processo considerado complicado em função da resistência e da complexidade química da matéria-prima.

“Este é provavelmente o maior projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que nós já tivemos”, Thomas Videbaek, presidente executivo e head de desenvolvimento de negócios da Novozymes, disse de seu extenso complexo de laboratórios e escritórios próximos a Copenhague.

“Entramos num caminho muito longo, quando não podíamos revidar o que as pessoas diziam, quando chamavam [o etanol celulósico] de combustível imaginário. Agora chegamos no ponto em que ele está aqui – nós temos uma planta na Itália”.

A Novozymes firmou uma parceria com a Beta Renewables, do grupo italiano Mossi Ghisolfi, para inaugurar a primeira planta comercial em Crescentino em outubro do ano passado, com capacidade anual de 71 milhões de litros por ano.

Desde então, outros projetos de etanol celulósico tiveram início. A companhia de biocombustíveis POET inaugurou uma planta com capacidade para produzir 75 milhões de litros e a empresa de biotecnologia GranBio começou a operar a sua, no último mês, com uma capacidade de 83 milhões de litros.

A Abengoa Bioenergy e a Royal Dutch Shell estão liderando uma joint venture que produzirá 113 milhões de litros. A unidade deve entrar em operação até o final do ano. Com exceção da Abengoa, todas estas plantas usam enzimas da Novozymes.

Dos 52,9 bilhões de litros de etanol tradicional produzidos a partir do milho na América do Norte, 60% usam as enzimas da Novozymes, enquanto o restante da participação de mercado pertence à rival DuPont, estima a companhia dinamarquesa.

A Novozymes e a Novo Nordisk, a maior empresa nórdica em valor de mercado, equivalente a U$ 124 bilhões, foram divididas em 2000, depois de uma história de 80 anos como Novo Nordisk.

Nova Novozymes?

Menor, a Novozymes, com um valor de mercado de quase U$ 13 bilhões, estabelece uma distinção entre os longos anos do processo de trazer um único remédio ao mercado, com potencial de venda que chega a casa dos bilhões de dólares, e o seu próprio modelo de negócios, que depende, em média, de uma dúzia de produtos lançados a cada ano.

O CEO Peder Holk Nielsen destacou a estratégia da Novozymes de lançar novos produtos para conduzir o crescimento da empresa depois que a venda de enzimas para detergentes, sua maior área de negócios, caiu 2% no segundo semestre, diminuindo o preço das ações.

A companhia quer fornecer enzimas a 15 plantas de etanol celulósico até 2017, o que resultará numa receita de U$170 milhões naquele ano – quase metade da receita atual da Novozymes com biocombustíveis.

A empresa diz que está em conversas com donos de projetos de biocombustível celulósico na Indonésia e na Malásia, e poderá fazer anúncios ao mercado no próximo ano.

A ligação da empresa com o grupo italiano Mossi Ghisolfi, conhecido por ter feito o plástico para as garrafas da Pepsi e Coca-Cola, poderá ser estendida à operação da M&G Chemicals na China, que produzirá plásticos a partir de resíduos de plantas, ao invés de usar o petróleo.

O projeto está na fase de planejamento avançado ao mesmo tempo em que a M&G busca permissões e organiza sua estrutura no país.

Um segundo projeto, com a alemã BASF e a Cargill, quer utilizar o ácido acrílico na produção de fraldas.

“Quando olhamos para as oportunidades nesta área, e o etanol para transporte é uma parte importante disso, e depois acrescenta-se todas as coisas que você pode estar produzindo – muitos componentes de plásticos, fibras e super absorventes – podemos ver uma Novozymes completamente nova”, disse Videbaek.

Sabina Zawadzki - Reuters

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