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Novos projetos de etanol de milho irão demandar 14 milhões de toneladas do grão

Número foi trazido pelo Itaú BBA; Novonesis destaca necessidade de investir em eficiência nas plantas existentes


NovaCana - Publicado: 02 Out 2024 - 11:44 | Atualizado: 02 Out 2024 - 12:28
Novos projetos de etanol de milho irão demandar 14 milhões de toneladas do grão

Guilherme Novaes, do Itaú BBA, apresenta perspectivas do banco durante evento em São Paulo (SP)

O gerente de crédito para o agronegócio do Itaú BBA, Guilherme Novaes, acredita que, se os 22 projetos de etanol de milho previstos saírem do papel, serão necessárias mais 14 milhões de toneladas do cereal. Já em termos de produção de etanol, seriam 6 bilhões de litros adicionais.

Ele ainda acrescenta a importância da biomassa necessária para esses projetos e para as usinas que já estão em operação, afinal, ela é essencial para o funcionamento das indústrias. “É preciso ver a oferta atual de biomassa a analisar novas fontes, vendo se a caldeira consegue se adaptar”, observa.

Já a perspectiva do chefe de bioenergia da Novonesis, Fabrício Leal Rocha, apesar de positiva, é uma provocação para a indústria de etanol de milho, que precisa aumentar a eficiência. “Nós estamos vivendo um bom momento de mercado. O valor agregado – ou a soma das receitas dividida pelo custo do milho – apresenta um de seus melhores índices e, por isso, é importante produzir cada vez mais”, afirma.

Ambas as visões foram apresentadas nesta quarta-feira, 2, na décima edição do Teco Latin America, evento voltado para a cadeia produtiva de etanol de cereais, em painel voltado para o crescimento da indústria.

Para os executivos, ainda que o Brasil tenha um dos melhores índices de rendimento do mundo, seja de etanol anidro, óleo de milho ou grão seco de destilaria (DDG), ainda há espaço para melhorias.

A palavra-chave, segundo Rocha, é a produtividade, ou seja, a capacidade de processar mais milho em uma mesma planta. Alguns dos desafios apontados pelo chefe de bioenergia da Novonesis para incremento são: aumento da capacidade do moinho, além de aumento da viscosidade, da temperatura e da capacidade de peneira molecular.

Como resultado, a usina produziria mais DDG, óleo e etanol sem perdas de rendimento. Para atingir esses objetivos, segundo ele, a empresa deve investir, ter suporte técnico especializado e usar leveduras mais avançadas.

Experiência estadunidense

O vice-presidente de finanças da ICM, Tim Allen, fez uma comparação entre o mercado de etanol de milho no Brasil e nos Estados Unidos. Ele considerou os respectivos períodos de aumento acelerado na quantidade de indústrias iniciando suas operações.

“No Brasil, a margem é melhor do que nos EUA. Avançando, em dez anos eu questiono se o país terá potencial para ser competitivo. Atualmente, nos EUA, estamos operando com margens em centavos por litro”, alerta.

A ICM implementou 108 plantas de etanol de milho nos Estados Unidos entre 2001 e 2008, contra apenas cinco no Brasil, entre 2017 e 2024.

Por outro lado, ele observa que existem vantagens no Brasil, como o tamanho da frota flex e uma mistura maior no combustível fóssil. Além disso, cita que os coprodutos disponíveis no país são o DDG, óleo e CO2, diferentemente do cenário estadunidense até 2008, que tinha apenas o DDG. Na ocasião, as usinas precisaram realizar um amplo trabalho para defender o farelo de milho no mercado.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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