Ainda sem data para lançamento, a nova fase do programa de fomento da indústria automotiva Rota 2030 terá R$ 270 milhões para inovação e eficiência energética na cadeia de autopeças, conforme anunciou nesta terça, 21, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB).
É o segundo aporte do tipo no programa que deve passar a se chamar Mover – Mobilidade Verde.
No final de outubro, MDIC e BNDES assinaram um acordo de cooperação para incluir o banco de desenvolvimento entre os operadores dos fundos dos Programas Prioritários do Rota 2030, destinando R$ 200 milhões para descarbonização automotiva.
Durante evento na Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça, em Brasília, Alckmin disse que o Brasil tem uma série de possibilidades para descarbonização do setor automotivo, desde o uso de biocombustíveis como etanol, biodiesel e diesel verde, até a adoção de tecnologias de eletrificação.
“A lei do Combustível do Futuro abre um leque de opções: o etanol podendo chegar a 30% da gasolina, o biodiesel podendo chegar a 20%, o diesel verde, o SAF (combustível sustentável de aviação”, disse o ministro.
Dos recursos anunciados hoje, R$ 133 milhões deverão apoiar projetos estruturantes. Senai e Embrapii publicarão um edital para selecionar propostas – de R$ 10 mil a R$ 60 mil – que envolvam alianças entre empresas e institutos de pesquisa.
Indústria 4.0, digitalização, eletrificação e pequenas e médias empresas de tecnologia automotiva ficarão com o restante da fatia.
A visão é que a indústria automotiva precisa se reinventar para ser competitiva no cenário de transição energética, além de se posicionar no mercado internacional garantindo o espaço dos biocombustíveis.
“Estamos nos reinventando. Não só pelo carro elétrico, que é o mais falado. Nosso Brasil tem peculiaridades e merecemos investir mais em tecnologias. Fomos um desbravador do carro flex, existe o carro híbrido, temos uma cadeia produtiva à jusante do agronegócio que nos permita dar bastante atenção à célula de hidrogênio à base de etanol”, defende o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Alban destacou que a tecnologia do hidrogênio requer altos investimentos, mas acredita ser possível desenvolver esse setor, pelo potencial de aproveitamento de recursos do país.
Citando os projetos da Shell para produção de bioenergia a partir do agave e as pesquisas para produção de diesel verde com macaúba, o executivo disse que o Brasil tem uma vasta lista de opções para criar uma matriz automobilística compatível com as demandas e particularidades nacionais.
Enquanto isso, distribuidoras levam proposta de reforma do RenovaBio ao MDIC. Um grupo formado pelas maiores distribuidoras do país retomou oficialmente a agenda de mudanças do RenovaBio, programa de descarbonização do setor de combustíveis.
A proposta é transferir a obrigação de compra de CBios para as refinarias e mudar a natureza dos créditos, para transformar o programa em um mercado regulado de carbono compatível com outros setores.
A proposta foi entregue a Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, na segunda, 20, pela frente batizada de Movimento + Bio, formada por Vibra, Ipiranga, e a Brasilcom, federação que representa mais de 40 empresas com atuação regional.
É a retomada de uma agenda discutida no fim do governo de Jair Bolsonaro, quando o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida apoiou a iniciativa e tentou editar uma medida provisória para reforma do programa RenovaBio.
Nayara Machado