Terminou na última sexta-feira (3) a fase de ofertas do primeiro leilão de biodiesel para a mistura de 7% no diesel (B7). As usinas surpreenderam na aguardada estreia da nova mistura ao oferecerem um volume reduzido de biodiesel para ser comprado pelas distribuidoras.
No total foi colocado a disposição apenas 702 milhões de litros. Para novembro e dezembro, período de entrega do produto, é esperada uma demanda de até 720 milhões de litros.
A pouca oferta colocou o governo em alerta e medidas deverão ser tomadas para garantir a segurança no abastecimento do B7.
De acordo com informações apuradas pela BiodieselBR (empresa do grupo que controla o novaCana), o governo agora trabalha com três possibilidades: a realização de um leilão de estoque mais robusto que possa servir para compensar a oferta reduzida; a convocação de um leilão adicional ou ainda reduzir a mistura obrigatória para 6%.
A terceira opção seria o último recurso.
Sobre as causas da oferta apertada ainda não há um consenso. Além de duas usinas importantes terem ficado de fora do leilão – Bunge e Camera –, a Noble acabou sendo o fiel da balança ao não oferecer uma única gota.
Houve quem apontasse os preços máximos definidos pela ANP como culpados, pois estariam muito baixo. O diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, discorda. “Eu não acho que o preço esteja ruim, os preços definidos pela ANP têm tido sempre uma folga”, avalia.
Mesmo que o governo consiga encontrar formas de regularizar a oferta ao longo do próximo bimestre, há outro problema urgente: o que fazer para que leilão atual não se torne uma armadilha?
Na próxima fase do leilão será a vez das distribuidoras entrarem em disputa para adquirirem o biodiesel colocado à disposição pelas usinas. Com a oferta e a demanda praticamente emparelhadas, há o risco de que as distribuidoras acabem entrando numa disputa sem fim, inflando os preços sem parar. Elas ficariam recomprando os mesmos lotes de biodiesel uma das outras, até que alguém simplesmente desistisse e deixasse de comprar o biodiesel necessário para garantir um abastecimento seguro.
O gerente de comércio de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto, confirma a possibilidade desta situação ocorrer ao dizer que a Petronect, sistema onde acontece o leilão, não conta com nenhum mecanismo que impeça o problema. “Nem poderia, porque, senão, a gente definiria um limite de preço e este é o papel do mercado”, explica. Para adotar este tipo de mecanismo seria necessário que o pedido viesse da ANP e fosse equalizado com as normas dos editais.
novaCana.com
Com texto adicional e informações da BiodieselBR