Etanol: Importação

Etanol: Importação

Usinas do nordeste reclamam de importação de etanol dos EUA


Jornal da Paraíba - Publicado: 22 Jan 2014 - 07:19
A indústria de etanol do Nordeste pode estar ameaçada com a chegada do combustível norte-americano nos portos da região. A afirmação é do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool-PB), que, além de criticar a presença do etanol dos Estados Unidos no mercado nordestino em período de plena safra, reprova o modelo de incentivos fiscais adotados pelo governo federal à indústria estrangeira, cenário que pode afetar a vitalidade das usinas regionais, gerando perda de empregos e fechamento de usinas do setor.

Segundo projeção da Alphamar, agência responsável pela contratação, a cada 45 dias um navio norte-americano chegará à costa nordestina importando o etanol. Em um ano, serão em média 97 milhões litros de álcool (se a média for de 12 milhões por embarque), que devem disputar mercado com 1,8 bilhão de litros de etanol da região.

Como possui diversos subsídios no país de origem e também desoneração de importantes tributos no Brasil, como PIS e Cofins, o produto estrangeiro entra no mercado brasileiro com preços bem abaixo dos vendidos no país, gerando preocupação aos produtores locais.

"Não somos contra o produto americano, mas nenhum associado nosso concorda com a importação do etanol durante nosso período de safra, pois prejudica a todos. Isso nos preocupa porque estamos há duas safras com produção baixa e o etanol dos EUA chega cheio de subsídios, dados pelo governo de lá. Desde a produção do milho, que é usado para fazer o etanol do EUA, até o embarque para o Brasil, há incentivos do governo americano", disse o presidente do Sindalcool-PB, Edmundo Barbosa.

Enquanto o etanol produzido na Paraíba é vendido a preço médio de R$ 1,75, o americano é comercializado por R$ 1,45.

Caso esse volume aumente, a tendência é que a indústria local comece a sofrer fortes consequências. "Por enquanto isso não nos preocupa tanto, porque eles só conseguem abastecer 10% de nosso mercado. Mas não temos como competir com essa diferença se essa oferta deles for crescente, pois quem trabalha com revenda está pensando no lucro", disse Edmundo Barbosa.

O presidente do Sindalcool-PB reforçou que experiências passadas comprovam que a falta de proteção à indústria nacional pode prejudicar o país. "Pode ser que haja fechamento de usinas e diminuição de empregos na nossa indústria. Já atingimos situações semelhantes em outras atividades industriais, vimos várias outras indústrias que preferiram passar a importar produtos já prontos em vez de produzir, deixando de empregar várias pessoas".

Outra crítica do presidente do Sindalcool-PB é que, além da subvalorização do etanol do país, o incentivo à indústria estrangeira gera riqueza para outras nações. "Nós deveríamos ter o mesmo preço da gasolina, mas há anos o etanol é vendido a preços bem abaixo. A chegada do etanol americano não ajuda a valorizar nosso produto. O país perde renda, pois o dinheiro não fica aqui, é mandado para o exterior", disse Edmundo.

Setor quer proteção

Na avaliação do presidente do Sindalcool-PB, a crítica não é ao produto americano em si, mas na forma como esse produto chega ao Brasil. "Não queremos lutar contra, ao contrário, defendemos a competitividade. Acontece que eles têm subsídios desde o momento do plantio do produto e nós não temos sequer uma legislação específica que proteja o etanol do nosso país, que o valorize em razão do americano".

Para discutir formas de proteger a produção local, está marcada para próxima quinta-feira, no Palácio da Redenção, em João Pessoa, uma reunião entre o Governo do Estado e os representantes da indústria do etanol no Estado, onde deve ser discutida a entrada do combustível americano no Nordeste.

"Acreditamos que o governador Ricardo Coutinho vai dar atenção à nossa causa. Queremos pensar em leis estaduais, assim como já existe em Pernambuco e Alagoas, para que nosso produto seja mais valorizado que o estrangeiro. Essas indústria tem forte representação econômica na nossa região, é preciso que seja valorizada", destacou Edmundo Barbosa.

Entre março e agosto, período de safra, devem ser produzidos em média 156 milhões de etanol hidratado e 125 milhões de anidro, que faz a mistura dos 25% na gasolina.