A Nissan testa no Japão dois furgões movidos a célula de combustível, que foram desenvolvidos no Brasil em 2016 e 2017 a partir de modelos da marca. Os veículos são completamente elétricos, como o e-NV200, conhecido como protótipo SOFC - Solid Oxide Fuel Cell (célula de combustível de óxido sólido).
“O país foi o primeiro a ter testes com as duas unidades, antes mesmo do Japão”, disse o gerente sênior de engenharia de produto da Nissan do Brasil, Ricardo Abe, que acompanha o projeto desde o início.
Ele enfatiza que em breve terá “boas novidades” sobre o tema, o que sugere a participação do Brasil nas novas etapas desse empreendimento. O sistema SOFC foi criado na matriz da companhia, mas o projeto dos furgões teve forte atuação da equipe de pesquisa e desenvolvimento da Nissan do Brasil. Com isso, o país tem papel importante no desenvolvimento dessa tecnologia de células de combustível com o emprego de etanol.
“Nossos técnicos acompanham de perto a performance dos dois furgões, que seguem em testes no Japão”, observa Abe.
O projeto dos furgões com o sistema SOFC tem a participação também do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da USP, e também já teve apoio do Laboratório de Genômica e BioEnergia da Unicamp. “A parceria com essas instituições ajuda a avaliar a viabilidade do projeto. Cada uma tem um papel diferente nas pesquisas usando suas expertises dentro da cadeia do etanol e biocombustíveis”, pondera o engenheiro da Nissan.
O presidente da Nissan do Brasil, Marco Silva, concorda. “O conhecimento das instituições brasileiras contribui de forma relevante para uma iniciativa global da marca, que pode beneficiar não só o Brasil, mas todo o mundo”, diz.
Ele explica que a Nissan foi a primeira empresa da indústria automobilística mundial a desenvolver um protótipo de veículo movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), que funciona através de energia elétrica gerada a partir da utilização do bioetanol.
A utilização deste tipo de sistema, combinada com a alta eficiência dos motores elétricos e o sistema de bateria, garante ao Nissan SOFC uma autonomia superior a 600 km com 30 litros de etanol. Por contar com uma ampla rede de abastecimento de etanol, disponível em postos de todo o Brasil – e ser um dos principais produtores do mundo –, o Brasil tem sido peça chave para o desenvolvimento e estudos de viabilidade do projeto.
Em 2019, a fabricante japonesa e as universidades paulistas assinaram um contrato para estudar as tendências e o uso do combustível na mobilidade elétrica.
Paulo Ricardo Braga