Matérias-primas alternativas

Matérias-primas alternativas

Seis grupos se interessam e NexSteppe amplia 10 vezes cultivo do sorgo biomassa


NovaCana - Publicado: 30 Abr 2015 - 18:08 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
Seis grupos se interessam e NexSteppe amplia 10 vezes cultivo do sorgo biomassa

Sorgo Biomassa ofusca sacarino: se etanol estivesse sendo vendido a R$ 2,30 o litro pelas usinas a história seria outra

A empresa norte-americana NexSteppe, especializadas em culturas energéticas, conseguiu elevar o cultivo de seu sorgo biomassa à escala comercial no Brasil. Na última temporada de vendas, que corresponde à entressafra de cana-de-açúcar, a companhia alcançou a marca de 10 mil hectares de sementes do produto, ante o 1 mil hectare registrado anteriormente.

O setor sucroenergético foi responsável por 40% da área cultivada com o sorgo biomassa da companhia, batizado ‘Palo Alto’. Segundo a vice-presidente comercial da Nexsteppe para a América do Sul, Tatiana Gonsalves, seis grupos do setor canavieiro adotaram a planta como alternativa energética, no entanto, a companhia não tem autorização para divulgar os nomes dos clientes.

Com as sementes lançadas no mercado há apenas dois anos, a marca de 10 mil hectares foi vista pela companhia como um reconhecimento do potencial da planta. “Esta é a primeira vez que uma cultura de biomassa dedicada atinge tal escala em um período tão curto, sem um programa de política pública financiando sua plantação”, afirma.

A variedade é cultivada em onze estados, mas as maiores áreas plantadas concentram-se nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Tocantins. De acordo com a empresa, o Palo Alto está provando os três conceitos necessários a uma matéria-prima de potencial energético, que é ter escalabilidade, segurança de fornecimento e aplicação em diversas fronteiras.

Tatiana Gonsalves conta que no último ano o negócio foi impulsionado pela falta de disponibilidade de biomassa no mercado, pelos altos preços de comercialização do bagaço da cana e pelo enorme parque brasileiro de caldeiras à biomassa em um momento de matéria-prima escassa. “Tudo isso somado à crise de energia”, resume.

No segmento sucroalcooleiro, a oportunidade de comercializar energia no mercado à vista atraiu as usinas ao cultivo do sorgo, mas o setor de grãos também teve um grande peso para os negócios. Conforme a executiva, foi um fator definitivo “o crescimento do mercado de grãos que utilizam biomassa como matéria-prima para as caldeiras próprias ligadas ao seu negócio, que têm enfrentado falta de disponibilidade de biomassa para continuar crescendo”.

O avanço do ‘Palo Alto’, mesmo que voltado para um mercado imediato de energia elétrica, calor e vapor no curto prazo, possui um valor muito estratégico

O sorgo biomassa tem plantio entre outubro e novembro e safrinha até metade de fevereiro, com rendimento entre 20 e 25 toneladas secas por hectare sendo que, com quatro meses de crescimento, a planta pode chegar a seis metros de altura. Concebido para ter baixo nível de umidade, a matéria-prima pode ir do campo direto para a queima nas caldeiras.

Conforma a companhia, a produção na temporada a partir das suas sementes de sorgo foi o suficiente gerar de 120 a 300 mil MWh de energia, variando de acordo com a eficiência de conversão.

Para o próximo ciclo a empresa paneja ampliar em, pelo menos, cinco vezes a área plantada com as sementes de sorgo. “Temos pedidos de clientes que pretendem crescer de cinco a 10 vezes mais o volume deste ano. A vantagem de se trabalhar com sementes é a possibilidade de escalar muito mais rápido. Possivelmente devemos crescer entre essa faixa”, projeta Gonsalves.

Sorgo sacarino ficou atrás

O desenvolvimento de uma cultura com foco na produção de biomassa foi o segundo produto desenvolvido pela companhia. A aposta inicial era no sorgo sacarino, opção complementar à cana-de-açúcar, que permitiria às usinas continuarem produzindo o biocombustível na entressafra. No entanto, devido às condições de mercado, a opção sacarina foi ultrapassada pela de biomassa.

“O mandatório é o preço do mercado, se etanol estivesse sendo vendido a R$ 2,30 o litro pelas usinas, todos estariam testando o sacarino novamente. Como o mercado mais promissor é o que envolve a biomassa, e o preço a curto prazo da energia elétrica sustenta essa curva de aprendizado, o avanço ocorre com a biomassa”, explica a vice-presidente comercial para a América do Sul.

A favor da opção de biomassa, Tatiana Gonsalves cita ainda que, além do mercado de bioeletricidade, “existem outras tecnologias promissoras que possuem biomassa como base de sua indústria como etanol 2G e indústrias de bioprodutos”.

As 200 a 250 mil toneladas de matéria-prima providas pela NexSteppe na temporada, por exemplo, seriam suficientes para um ano de operação em uma das primeiras usinas de biocombustíveis celulósicos com escala comercial instaladas no país.

“A grande corrida é pela biomassa. [...] O avanço do ‘Palo Alto’, mesmo que voltado para um mercado imediato de energia elétrica, calor e vapor no curto prazo, possui um valor muito estratégico na demonstração de uma nova cultura energética para o que vem pela frente”, comenta Tatiana.

Outra vantagem do sorgo biomassa é possuir um desenvolvimento com mais vigor e velocidade que a categoria sacarina, aliado a um fácil modelo de colheita, com forrageiras, e de pagamento, por tonelada de sorgo.

Em desvantagem, explica a executiva, “uma planta sacarina, possui um desenvolvimento mais lento, precisa de manejo de brix e PUI [Período de Utilização Industrial], cuidados extras na colheita, pois é um material passível de fermentação como a cana-de-açúcar, e também possui maior complexidade de pagamento de matéria-prima (Consesorgo)”.

“Obviamente essas características são perfeitamente dribláveis se o mercado estiver pagador”, pontua. No entanto, o preço do etanol congelou bem no momento do estabelecimento da curva de aprendizado do sorgo sacarino. “Isso desanimou todos a continuarem até mesmo com a matéria-prima já conhecida para essa finalidade, que seria a cana-de-açúcar, o que dirá manter avanços em algo novo e desconhecido como o sorgo sacarino”, admite.

Amanda SchArr – novaCana.com