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Um negócio de US$ 107 bilhões: panorama do PIB da cadeia sucroenergética

canavial 031115Mapa da distribuição do dinheiro ao longo de todo o setor:A soma de toda a receita gerada em cada um dos elos da cadeia produtiva supera os R$ 100 bilhões por safra, distribuídos desde a produção dos insumos até a oferta ao consumidor final, nos postos e supermercados

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Somando US$ 43,4 bilhões com a comercialização de seus produtos finais, a cadeia produtiva do setor sucroenergético representa aproximadamente 2% do total do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Sozinha, ela equivale à produção econômica de países como Paraguai, Coreia do Norte, Afeganistão, Jamaica e Estônia. Mas esse não é o número mais impressionante que o setor tem para apresentar.

As usinas e os agentes envolvidos na atividade econômica em torno da produção de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade geram uma receita bruta superior a US$ 100 bilhões por safra. O PIB da cadeia sucroenergética está distribuído desde a produção dos insumos até a oferta ao consumidor final, nos postos e supermercados.

A partir de um estudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), o portal NovaCana apresenta uma visão panorâmica da distribuição do dinheiro por todos os elos da cadeia e dos serviços prestados dentro do setor sucroenergético.

Somando US$ 43,4 bilhões com a comercialização de seus produtos finais, a cadeia produtiva do setor sucroenergético representa aproximadamente 2% do total do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Sozinha, ela equivale à produção econômica de países como Paraguai, Coreia do Norte, Afeganistão, Jamaica e Estônia. Mas esse não é o número mais impressionante que o setor tem para apresentar.

As usinas e os agentes envolvidos na atividade econômica em torno da produção de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade geram uma receita bruta superior a US$ 100 bilhões por safra. O PIB da cadeia sucroenergética está distribuído desde a produção dos insumos até a oferta ao consumidor final, nos postos e supermercados.

Segundo o estudo liderado professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), e pelo especialista em marketing da Markestrat, Vinícius Trombim, na safra 2013/14 a cadeia levantou US$ 107,7 bilhões em receita total. Esse valor representa a soma de todas as vendas estimadas por cada um dos elos da cadeia produtiva, além das transações financeiras dos agentes facilitadores.

A partir do trabalho, intitulado ‘A Dimensão do Setor Sucroenergético - Mapeamento e Quantificação da Safra 2013/14’, o portal NovaCana apresenta uma visão panorâmica da distribuição dos recursos gerados pela cadeia sucroenergética.

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Maquinário, equipamentos e insumos: 9% da receita

No segmento que os pesquisadores chamaram de ‘antes da fazenda’, composto por fornecedores de maquinário, equipamentos e insumos para a produção agrícola, a movimentação relacionada ao cultivo de cana-de-açúcar chegou a US$ 9,29 milhões. Isso representa 9% do total obtido pela cadeia sucroenergética brasileira.

O maior volume financeiro movimentado se refere aos fertilizantes, que alcançaram uma receita de US$ 2,5 bilhões, seguidos de perto pelos serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, que atingiram US$ 2,46 bilhões. Já gastos com diesel e lubrificantes alcançaram US$ 1,3 bilhões, enquanto pesticidas contaram com um volume de negócios de US$ 1,25 bilhões.

Vale acrescentar que, para efeitos de estudo, foram computados insumos vendidos em 2012, mas que só foram utilizados para a safra 2013/14.

Cultivo de cana-de-açúcar: 17% do total movimentado

A receita estimada pela venda da cana-de-açúcar para as usinas foi de US$ 17,99 bilhões na safra 2013/14, representando 17% do total. As vendas feitas por unidades produtoras próprias corresponderam a 61% do total, enquanto produtores independentes foram contabilizados como representando 39% do montante.

A área total colhida na safra, segundo os números utilizados pelo estudo, foi de 8,8 milhões de hectares, com um rendimento médio de 75 toneladas de cana por hectare, além de 134,4 kg de ATR por tonelada. Dessa forma, a safra de cana-de-açúcar analisada alcançou 658,8 milhões de toneladas, com um valor médio de US$ 0,20/ATR ou US$ 27,31/tonelada.

Usina: 35% do valor da cadeia

A receita gerada diretamente a partir da venda de etanol, açúcar e bioeletricidade, além de outros produtos secundários fabricados pelas usinas, totalizaram US$ 38,4 bilhões, equivalentes a 35% dos valores gerados em toda a cadeia.

Esta etapa industrial da cadeia, está englobada na categoria chamada de ‘depois da fazenda’ pelos pesquisadores. Excetuadas as usinas, esta categoria abarca ainda a movimentação de recursos de US$ 31,5 milhões, oriundos principalmente do setor distribuição (US$$ 23,8 milhões) e varejo (US$ 5,8 milhões), com menor participação da área de insumos industriais (US$ 1,7 bilhão) e empresas químicas (US$ 300 milhões).

Esta grande divisão ‘depois da fazenda’ – que agrega equipamentos industriais, serviços, insumos para a indústria, as usinas e distribuidoras – movimentou uma receita de US$ 69,9 bilhões na safra 2013/14.

Agentes facilitadores: 10% do total movimentado

De acordo com a nomenclatura do estudo, os agentes facilitadores em um sistema agroindustrial são as empresas essenciais para a operação, mas que não possuem a propriedade de nenhum dos produtos industriais. Assim sendo, as transações comerciais nesse segmento chegaram a aproximadamente US$ 10,54 bilhões no período analisado.

Para quantificar essa categoria, foram consideradas transações financeiras com os seguintes agentes: BNDES (US$ 3,2 bilhões), custos de logística de exportação (US$ 1,39 bilhões), pesquisa e desenvolvimento (US$ 115 milhões), alimentação e saúde (US$ 585 milhões), terceirização de corte, carregamento e transporte (1,24 bilhões), eventos e revistas (US$ 16,77 milhões) e salários (US$ 4,13 bilhões).

Outros números: geração de emprego e impostos

Ainda de acordo com o estudo, para o cultivo da cana-de-açúcar e a produção de açúcar e etanol, é estimado que a cadeia empregue 613 mil pessoas – número que pode chegar a 988 mil durante o ápice da colheita. Se forem considerados empregos informais, diretos e indiretos, esse total pode chegar a 3,56 milhões de trabalhadores.

Além disso, durante todas as transações financeiras geradas ao longo do sistema agroindustrial da cana-de-açúcar, é estimado que a arrecadação de impostos durante a safra 2013/14 tenha sido de US$ 8,52 bilhões.

Renata Bossle – NovaCana

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