Os fundos de hedge que apostaram em uma grande corrida pelo açúcar estão sendo recompensados com o maior avanço da commodity desde 2013 – motivado por um iminente déficit global do adoçante
Os fundos de hedge que apostaram em uma grande corrida pelo açúcar estão sendo recompensados com o maior avanço da commodity desde 2013 – motivado por um iminente déficit global do adoçante.
Os negociadores conseguiram mais que triplicar suas apostas otimistas em apenas duas semanas, aumentando o número de contratos de longo-prazo para a melhor posição em mais de um ano. Isso é devido, em grande parte, à expectativa de um El Niño mais forte, o que representa uma ameaça para a safra da Austrália. O fenômeno climático também promete diminuir a produção na Índia e no Brasil, os maiores exportadores mundiais.
Os fundos de hedge que apostaram em uma grande corrida pelo açúcar estão sendo recompensados com o maior avanço da commodity desde 2013 – motivado por um iminente déficit global do adoçante.
Os negociadores conseguiram mais que triplicar suas apostas otimistas em apenas duas semanas, aumentando o número de contratos de longo-prazo para a melhor posição em mais de um ano. Isso é devido, em grande parte, à expectativa de um El Niño mais forte, o que representa uma ameaça para a safra da Austrália. O fenômeno climático também promete diminuir a produção na Índia e no Brasil, os maiores exportadores mundiais.
Os preços saltaram 11% este mês, representando o maior aumento entre os 22 componentes do Índice de Mercadorias Bloomberg, que fornece uma medida de retornos de investimentos. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar prevê que, após cinco anos de superávit, a demanda vai superar a produção na safra que começou este mês. O déficit vai mais que dobrar, indo para 6,2 milhões de toneladas no próximo ano, disse o grupo em setembro.
"Boa parte desse movimento veio na sequência de um mercado apertado", disse Harish Sundaresh, gerente de portfólio e analista de commodities da Loomis Sayles Alpha Strategies, de Boston, que supervisiona negócios de US$ 5 bilhões. "Parece que há problemas climáticos no Brasil, especialmente em certas partes da região Centro-Sul do país, e a Índia também está preocupada com o efeito das monções sobre as plantações".
Os futuros de açúcar em Nova York subiram 16% nos últimos três meses, o maior ganho desde 2013. Os preços estão se recuperando depois de atingir uma baixa de sete anos em agosto. Impulsionada pela menor valorização da moeda brasileira, essa queda incentivou os exportadores a aumentar os embarques com pagamentos em dólar. Desde então, a desvalorização do Real tem diminuído, embora o tempo seco ainda levante riscos para a safra do país.
Longo prazo
Os negociadores impulsionaram seus negócios de longo prazo em 33%. Foram 117.090 contratos futuros na semana encerrada em 13 de outubro, segundo dados do programa US Commodity Futures Trading Commission – o maior número desde julho de 2014. Já a quantia de negociações de curto prazo diminuiu em sete das últimas oito semanas.

No Brasil, após uma quantidade excessiva de chuvas ter atrapalhado o início da atual safra, as condições secas agora ameaçam a colheita do próximo ano, o que poderia agravar o déficit global. Soma-se a isso o fato de que a cana apresentou um reduzido teor de sacarose, estimulando as usinas a apostar em uma produção mais alcooleira, em vez de adoçante. Apenas cerca de 42% da colheita nesta safra tem sido transformada em açúcar, um número abaixo dos 44% registrados no ano passado.
Por sua vez, a Indian Sugar Mills Association disse no final de setembro que a produção do país vai cair 4,6%, estando prevista em 27 milhões de toneladas para a safra iniciada em outubro. O El Niño mais forte provavelmente trará uma falta de chuvas para o país e diminuirá ainda mais a produção.
Já a produção da China pode cair para o nível mais baixo da década, enquanto a seca também deve atrapalhar a safra em países da América Central e na África do Sul, de acordo com Tom McNeill, diretor da australiana Brisbane, uma sucursal da Green Pool Commodity Specialists.
Essa competitividade "é sustentável por que reflete os novos fundamentos", disse Artur Manoel Passos, economista e analista de commodities do Itaú Unibanco Holding SA, em São Paulo. Ele continua: "O mercado mudou desde setembro, basicamente, porque a maior parte dos analistas está mudando a expectativa para o fornecimento. A capacidade brasileira para mudar de etanol para açúcar está menor porque não há muito mais cana a ser colhida este ano. O real não será um fator tão importante para os preços pelo menos até a próxima colheita ".
Estoques abundantes
Colheitas maiores em safras anteriores significam que os estoques globais ainda estão cheios. Na Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, o governo demandou no mês passado que as usinas de açúcar exportem o produto em uma tentativa de diminuir os estoques e aumentar os preços locais.
As exportações também podem aumentar vindas de outros produtores. Enquanto o real brasileiro se recuperou 11% depois da baixa recorde contra o dólar registrada em 24 de setembro, a situação política turbulenta e a economia em declínio poderia estimular um novo enfraquecimento para a moeda. Em 15 de outubro, a Fitch Ratings rebaixou a nota do país e abalou ainda mais a economia. A moeda fraca reduz os custos de produção para os produtores e aumenta os incentivos para a venda de commodities com preços em dólar. Uma elevada produção de etanol também pode colocar os preços do combustível para baixo, incentivando a produção de açúcar.
"O lado fundamental é realmente forte, especialmente se começamos a ver a seca se desenvolvendo na Índia", disse Lara Magnusen, da californiana La Jolla, que gere carteiras de investimento da Altegris Investments Inc., supervisionando US$ 2,65 bilhões. Ainda assim, "a correlação real tem se dissipado, mas não desapareceu. Com a intervenção do governo e as exportações obrigatórias, sempre é possível mudar o jogo em um mercado de commodities".
Marvin G Perez – Bloomberg
Tradução NovaCana