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Os riscos – e as saídas – para o açúcar em meio a novos impostos e mudanças no consumo

Estudo da multinacional Schroders aponta ameaças e possibilidades para grandes empresas de alimentos e bebidas

NovaCana 7 min de leitura

Nas duas últimas safras globais de açúcar – 2016/17 e 2017/18 –, o resultado foi de superávit. Para a temporada atual, que termina em setembro, a maior parte das empresas especializadas acredita em terceiro excedente. Apenas em 2019/20 é que o quadro deve se reverter.

Esse excedente é uma consequência da alta produção, especialmente nos países asiáticos, o que pressionou os preços e fez com que o açúcar venha passando por períodos de grande desvalorização. No Brasil, muitas usinas possuem a oportunidade de flexibilizar o destino da matéria-prima e concentrá-la no etanol, mas são poucos os países que dispõem dessa alternativa.

Como se não bastasse o excesso de produção e os baixos preços, algumas pesquisas têm demonstrado a diminuição na taxa de crescimento do consumo do açúcar, especialmente o refinado, em nome da busca por uma vida mais saudável. A tendência tem uma maior aplicação em países de primeiro mundo, mas não é exclusiva deles.

A Schroders, empresa multinacional de gestão de ativos, vem analisando as perspectivas para o consumo da commodity e lançou um estudo atualizado no início deste ano. Comparando os riscos para a indústria açucareira e as saídas encontradas pelas empresas de alimentos, o estudo demonstra qual o caminho esperado nos próximos anos, que pode determinar a demanda e, consequentemente, afetar o balanço mundial.

Na versão completa, conheça os principais riscos, acompanhados pela multinacional desde 2015, e as formas com as quais a indústria está lidando com eles.

Nas duas últimas safras globais de açúcar – 2016/17 e 2017/18 –, o resultado foi de superávit. Para a temporada atual, que termina em setembro, a maior parte das empresas especializadas acredita em terceiro excedente. Apenas em 2019/20 é que o quadro deve se reverter.

Esse excedente é uma consequência da alta produção, especialmente nos países asiáticos, o que pressionou os preços e fez com que o açúcar venha passando por períodos de grande desvalorização. No Brasil, muitas usinas possuem a oportunidade de flexibilizar o destino da matéria-prima e concentrá-la no etanol, mas são poucos os países que dispõem dessa alternativa.

Como se não bastasse o excesso de produção e os baixos preços, algumas pesquisas têm demonstrado a diminuição na taxa de crescimento do consumo do açúcar, especialmente o refinado, em nome da busca por uma vida mais saudável. A tendência tem uma maior aplicação em países de primeiro mundo, mas não é exclusiva deles.

A Schroders, empresa multinacional de gestão de ativos, vem analisando as perspectivas para o consumo da commodity e lançou um estudo atualizado no início deste ano. Comparando os riscos para a indústria açucareira e as saídas encontradas pelas empresas de alimentos, o estudo demonstra qual o caminho esperado nos próximos anos, que pode determinar a demanda e, consequentemente, afetar o balanço mundial.

Os riscos para o açúcar

O estudo da Schroders começou a ser conduzido em 2015. À época, a multinacional identificou três riscos para a indústria de açúcar e vem acompanhando sua evolução desde então. O primeiro deles diz respeito ao aumento na consciência dos consumidores e das instituições de saúde pública sobre os perigos representados pelo adoçante.

O papel do açúcar nas dietas está cada vez mais em foco. Uma comparação gráfica utilizada pelo estudo demonstra que a preocupação do público em relação à quantidade de açúcares presentes nos refrigerantes já ultrapassa os receios em relação ao cigarro. “[Isso coloca] ainda mais pressão nas companhias, que precisam reformular seus produtos e garantir que o impacto das taxas do adoçante seja minimizado”, aponta.

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Da mesma forma, instituições regulamentadoras também estão tentando diminuir o excesso do consumo de açúcar. De acordo com o jornal médico The Lancet, 35 países já teriam introduzido restrições obrigatórias nas escolas em relação a bebidas açucaradas.

Enquanto boa parte das regulamentações até então tiveram como foco a categoria dos refrigerantes, também tem aumentado a pressão sobre fabricantes de chocolates, sobremesas, geleias, bolos, biscoitos, sorvetes, pudins, cereais matinais, iogurtes, croissants e manteiga de amendoim.

De acordo com o documento, muitas indústrias alimentícias internacionais estão levando a ameaça a sério, usando o Reino Unido como um mercado de teste para novas receitas, reformulações e mix de portfólio. Além disso, pequenas companhias e startups mais saudáveis estão adquirindo espaço no mercado, diminuindo a participação dos grandes players.

O segundo risco para a indústria de açúcar citado pela Schroders diz respeito ao crescimento nos custos com seguros de saúde, especialmente devido ao aumento da obesidade, de diabetes e de doenças similares. Para tentar reverter essa situação, muitos governos criaram novas taxas para o açúcar, especialmente – e novamente – no mercado de refrigerantes.

O estudo observou que, desde 2015, 28 novas taxas foram criadas ao redor do mundo, chegando a 42 a nível global. Além disso, a Schroders sugere que diversos países provavelmente apresentarão novas legislações do tipo nos próximos anos, graças a um cálculo que relaciona a média dos custos com saúde e as taxas de obesidade nos países onde as taxas já foram implementadas.

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Já o terceiro risco diz respeito aos litígios aos quais as empresas, tanto do setor de comida quanto de bebida, estão sujeitas. Nos últimos anos, tem sido observado um aumento nesse risco, porém, em geral, ele se deve a embalagens com informações incorretas e a falsas alegações de produtos saudáveis.

Na análise do estudo, o potencial desse risco é o mais baixo dos três – inicialmente, era esperado um crescimento maior do que o que foi observado, e as empresas que estão à mercê dele são as que já sofreram com algum tipo de processo ou litígio em sua trajetória corporativa. O principal prejuízo diz respeito à imagem da marca, mas, em geral, são as grandes companhias que passam por essa situação e elas não sofrem com essas questões tanto quanto as empresas de menor porte.

A reação da indústria alimentícia

Os três catalisadores identificados no estudo da Schroders cresceram desde que foram identificados, em 2015, levando a ações mais duras e a maiores impactos sobre a indústria – uma tendência que, segundo o estudo, deve se manter no futuro. Dessa forma, as empresas precisam se adaptar para sobreviver a essas pressões e já existem algumas estratégias sendo observadas pela multinacional.

A primeira delas é a ampla margem de oportunidades de fusões e aquisições que está sendo criada pelo aumento de marcas que atendem à demanda do consumidor por produtos saudáveis. Esse movimento pode ser benéfico e auxiliar as grandes companhias, ao mesmo tempo em que acalma as expectativas dos investidores em relação à reformulação dos produtos e à reestruturação do portfólio.

Quem investe em ambas as coisas – tanto na aquisição e fusão de marcas menores quanto no desenvolvimento de novos produtos – “está melhor posicionado para conquistar participação de mercado e proteger a sustentabilidade dos ganhos futuros”, conforme explica o estudo. Já quem não consegue se adaptar no tempo necessário pode se tornar alvo de investidores ativistas.

Assim, a multinacional acredita que as empresas precisarão de um portfólio diversificado de produtos e de um forte balanço patrimonial para apoiar a aquisição de start-ups menores e mais saudáveis. No entanto, a dependência de fusões e aquisições, e não do investimento orgânico, para o crescimento é inevitavelmente diluidora para a indústria.

A segunda forma é o real investimento na reformulação do portfólio de produtos já existentes em resposta às demandas do consumidor e às ameaçar das taxas de açúcar. Ainda assim, essa atitude pode ser desafiadora, pois os investidores podem questionar se essas mudanças serão suficientes para que as grandes indústrias consigam sustentar seus ganhos nos níveis atuais.

E a terceira é um aumento nos investimentos em propaganda para compensar, pelo menos um pouco, a mudança do consumo para alternativas mais saudáveis. Além disso, como a taxação do açúcar ajudou a “demonizá-lo”, esse maior investimento também é uma tentativa de reverter a imagem negativa do adoçante.

No final do estudo, e por estar acompanhando essas tendências nos últimos quatro anos, a Schroders afirma que os riscos para a indústria de açúcar estão aumentando. Eles acreditam que o resultado desse crescimento serão novos obstáculos para o setor de alimentos e bebidas – com mais ênfase para o segundo –, que enfrentarão cada vez mais pressão para inovar e reformular seus produtos, protegendo os lucros futuros.

Rafaella Coury – NovaCana

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