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Mudança na jornada de trabalho não pode avançar “de jeito nenhum”, diz Campos Filho

Presidente da Siamig Bioenergia argumenta que alterações propostas terão grande impacto para o setor de sucroenergético

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Considerada uma das prioridades do governo para 2026, a redução da carga horária de trabalho – de 44 horas para 36 horas semanais – encontrou oposição entre representantes da indústria sucroenergética. Entre eles está o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos Filho.

“O setor de cana-de-açúcar é um dos maiores empregadores desse país. E nós temos um tema no congresso que não podemos deixar que avance de jeito nenhum: é a questão da mudança da jornada de trabalho”, disse, durante evento em Ribeirão Preto (SP).

De acordo com ele, o ideal é que o assunto não avance neste ano. “A mudança na jornada tem um forte impacto no nosso setor e precisamos estar fortes nesse debate para que isso não seja discutido esse ano, durante o período eleitoral; precisamos passar essa discussão para um outro momento”, completou.

Ao prever uma redução na carga semanal, o projeto visa melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores ao aumentar o tempo disponível para atividades pessoais e familiares. Em contrapartida, isso demandaria ajustes dentro das empresas, inclusive com maiores contratações.

No caso do setor sucroenergético, a possibilidade de abertura de mais vagas iria na contramão de um problema enfrentado pelo setor: a falta de mão de obra no campo. Esse aspecto da questão foi abordado no mesmo encontro pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

“Nós vivemos um momento, hoje, de escassez de mão de obra no país”, disse e completou: “Os programas sociais, que tem o seu mérito para combater uma situação de dificuldade, depois acabam sendo um convite ao não trabalho, um estímulo à não-disposição de formalizar as relações do trabalho”.

Nesse sentido, ele cita o PL nº 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas. O texto – aprovado no Senado em dezembro e em tramitação na Câmara – prevê que o trabalhador rural contratado por um prazo determinado possa manter benefícios sociais, como o Bolsa Família.

“Nós aprovamos o Projeto dos Safristas para permitir que na laranja e na cana, por exemplo, pudéssemos ter um trabalho temporário, uma nova categoria, em que a pessoa mantivesse os benefícios dos programas sociais. Isso é urgente”, disse.

Em relação à mudança na jornada de trabalho, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que está fazendo parte das discussões. O presidente da entidade, Evandro Gussi, já está participando de conversas sobre o tema em Brasília, conforme relata o conselheiro Rodrigo Malho e Simonato.

“Temos que discutir esse tema da jornada. Tomara que, em outubro [mês em que acontecem as eleições presidenciais], dê tempo de discutir alternativas e não remediações”, disse, também durante o evento. “Além do nosso canavial, além da previsão de chuva, além das adaptações e tecnologias, temos que buscar as melhores opções para o trabalho no campo, os nossos colaboradores, as nossas pessoas”, concluiu.

Renata Bossle – NovaCana

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