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Moody’s avalia situação financeira do Grupo Virgolino de Oliveira

moodys 290814Apesar de a nota B3 ser confirmada e não rebaixada para B2, como chegou a sugerir a agência de classificação de riscos em abril deste ano, a Moody's alerta para uma série de fatores que podem afetar a performance da empresa

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A agência de classificação de riscos Moody's analisou nesta semana a situação financeira do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) e confirmou a nota da sucroalcooleira em B3, ante uma perspectiva estável.

A decisão finaliza um processo iniciado em abril deste ano, quando a agência colocou os ratings do grupo sob revisão para um possível rebaixamento.

Na época, a Moody's disse que a atribuição de uma nota inferior à GVO "refletia a fraca liquidez da companhia e a preocupação da agência com o refinanciamento das dívidas de curto prazo".

Contudo, a situação do grupo, que neste ano já havia passado pelo crivo de outras duas entidades financeiras – Fitch e BTG Pactual – é um pouco melhor.

Confira a seguir as perspectivas da agência para o mercado sucrooalcoleiro brasileiro, como isto afetou a avaliação do GVO e as perspectivas que podem afetar a performance do grupo.

A agência de classificação de riscos Moody's analisou nesta semana a situação financeira do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) e confirmou a nota da sucroalcooleira em B3, ante uma perspectiva estável.

A decisão finaliza um processo iniciado em abril deste ano, quando a agência colocou os ratings do grupo sob revisão para um possível rebaixamento.

Na época, a Moody's disse que a atribuição de uma nota inferior à GVO "refletia a fraca liquidez da companhia e a preocupação da agência com o refinanciamento das dívidas de curto prazo".

Contudo, a situação do grupo, que neste ano já havia passado pelo crivo de outras duas entidades financeiras – Fitch e BTG Pactual – é um pouco melhor.

"A confirmação [da nota] reflete a melhora no perfil de liquidez da companhia após [a adoção] de iniciativas de gestão de dívidas que alongaram o cronograma de amortização e reduziram os riscos de liquidez", disse a Moody's em comunicado.

Maior liquidez e redução nas dívidas de curto prazo

No documento enviado ao mercado esta semana, a agência destaca a melhora no perfil da liquidez da companhia logo após a emissão, em junho deste ano, de bonds no valor de U$ 135 milhões.

Outro fator que contribuiu para o não rebaixamento do rating foi a adoção de procedimentos que permitiram à sucroalcooleira reduzir as dívidas de curto prazo.

"Além disso, a empresa buscou iniciativas adicionais de gestão de dívidas, totalizando R$ 207,5 milhões, que estenderam o vencimento dos débitos para abril e novembro de 2017 (antes, os prazos iam de dezembro de 2015 a julho de 2016) e alongou o seu cronograma de amortização", detalha o comunicado.

A Moody's estima que a cobertura de caixa das dívidas de curto prazo da GVO – apenas as principais - será de aproximadamente 1,5 vezes. Também está previsto um aumento nas despesas anuais do grupo com juros.

Preços melhores para o açúcar e o etanol

Segundo a agência, estes dois fatores, somados à uma menor safra em 2014/15, serão compensados "parcialmente por preços maiores para o açúcar e o etanol, o que ajudará a GVO a sustentar o seu perfil de crédito".

Na justificativa para a manutenção da nota B3 à GVO, a Moody's ressalta que o rating reflete as perspectivas positivas de médio prazo para a indústria sucroalcooleira, devido aos estoques "ainda forçados" ao redor do globo que são, por sua vez, consequência "de um consumo que cresce constantemente e de uma oferta mundial menos estável".

"Na nossa visão, mesmo com as quedas recentes nos preços globais do açúcar, as tendências para a indústria continuarão as mesmas, e os preços do açúcar deverão permanecer em níveis historicamente elevados para os próximos anos, especialmente quando convertidos para reais", analisa.

Outro ponto que ajudou a sustentar a nota do grupo foi a parceria exclusiva com a Copersucar, que "garante a venda de todo o açúcar e etanol produzidos e gera fluxos de caixa mais estáveis, ao mesmo tempo em que reduz os custos com logística".

Sensibilidades

Apesar de a nota B3 ser confirmada e não rebaixada para B2, como chegou a sugerir a agência de classificação de riscos em abril deste ano, a Moody's alerta para uma série de fatores que podem afetar a performance da empresa.

"Contrariando alguns dos atributos positivos de seu rating, estão o fraco perfil de liquidez da companhia, a alta alavancagem e seu tamanho relativamente pequeno quando comparado com outras grandes empresas brasileiras que operam nesta indústria", considera a agência.

Mesmo tendo a vantagem de operar em uma das regiões de cana mais produtivas do mundo, o rating atual também reflete a concentração da matéria-prima do grupo no estado de São Paulo, o que "aumenta os riscos relacionados a pragas e eventos climáticos".

Por outro lado, acrescenta a entidade financeira, o bom clima e o solo produtivo da região são refletidos em maiores contratos de arrendamento. Isso se traduz em uma alta alavancagem operacional que "afeta negativamente a performance da companhia em anos de baixa produção".

Uma pressão negativa no rating pode acontecer se a liquidez da GVO piorar ou se o fluxo de caixa permanecer negativo, ou ainda se o fluxo de caixa das operações (CFO, na sigla em inglês) sobre as dívidas líquidas cair abaixo de 10% e a margem Ebtida reduzir para menos de 20%, numa base sustentável.

Outra possível pressão negativa sobre o rating da sucroalcooleira seria a descontinuidade da parceria com a Copersucar, hipótese que a Moody's considera "improvável".

Títulos da dívida e upgrade de rating

A emissão de $135 milhões em títulos da dívida foi avaliada em B2 – um grau abaixo da nota global da companhia – devido a maiores perspectivas de recuperação comparadas com os instrumentos não garantidos da dívida.

Este "pacote de segurança" dos títulos da dívida inclui como garantia de primeira prioridade a usina Monções, além de fundos que são depositados de tempos em tempos em uma conta de cobrança no Brasil ou nos Estados Unidos.

Se tudo ocorrer dentro do cenário previsto pela classificadora de riscos, cerca de 26% da dívida reportada pela GVO estará garantida, o que está em linha com os níveis atuais, informou a Moody's.

"A perspectiva estável reflete a expectativa da Moody's de que a Virgolino será capaz de manter sua performance operacional próxima dos níveis atuais, e de que a administração continuará focada em otimizar o perfil do prazo de suas dívidas, reduzindo a alavancagem e melhorando as métricas de fluxo de caixa".

Um upgrade no rating poderá ocorrer se a GVO melhorar seu perfil de liquidez, aumentando seu caixa de reserva mínimo. Além disso, a companhia também teria que manter as dívidas sobre o Ebtida abaixo de quatro vezes, um CFO em relação as dívidas líquidas menor que 20% e um Ebtida sobre as despesas de juros acima de uma vez, tudo isso numa base sustentável.

Avaliações anteriores

Em uma avaliação feita pela Fitch Ratings no começo deste ano, a agência afirmou que a GVO estava entre as usinas mais expostas em termos de risco de inadimplência, com posição de caixa muito fraca e empréstimos de curto prazo em excesso. Na avaliação de IDR, a companhia recebeu nota B e foi a única a ficar com observação negativa (Rating Watch Negative).

Em março, a GVO também teve sua nota rebaixada pelo BTG Pactual.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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